Funcionários do Banco do Brasil em Belo Horizonte e região participam de uma nova Assembleia Geral Extraordinária para decidir sobre a proposta apresentada pela instituição na negociação do acordo coletivo. A votação ocorre de forma virtual entre as 19h desta quinta-feira, 10 de setembro, e as 12h de sexta-feira, 11 de setembro de 2026.
A assembleia acontece em meio à greve por tempo indeterminado aprovada pela categoria e iniciada à 0h desta quinta-feira. O movimento envolve os trabalhadores do BB na base territorial do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, enquanto outras regiões do país adotaram decisões diferentes sobre a paralisação.
A votação trata da proposta do Banco do Brasil para renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) aditivos e das condições relacionadas à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre os pontos previstos está também uma contribuição negocial, com desconto em salário e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), conforme o edital sindical.
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A consulta aos funcionários ocorre pela internet, permitindo que trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados abrangidos pela representação participem da deliberação.
No caso de Belo Horizonte e região, a votação começa às 19h de 10 de setembro e permanece aberta até o meio-dia de 11 de setembro. O sindicato informou que as informações necessárias para a votação estão disponíveis em seus canais oficiais e na plataforma indicada para a assembleia.
Antes da votação, os trabalhadores também foram chamados para uma plenária destinada a explicar o andamento das negociações. A iniciativa ocorreu após a retomada das conversas entre a representação dos funcionários e o Banco do Brasil.
O objetivo da assembleia é permitir que a categoria decida se aceita ou rejeita a proposta que está sobre a mesa.
O que está sendo votado?
A pauta principal é a renovação da CCT e dos ACTs aditivos aplicáveis aos funcionários do Banco do Brasil.
O edital também destaca a previsão de contribuição negocial, que será descontada dos empregados conforme as condições estabelecidas na proposta. Por isso, a votação não trata apenas da continuidade ou encerramento da greve, mas da aprovação ou rejeição do conjunto de condições negociadas para o novo período.
É importante diferenciar a CCT do ACT. A Convenção Coletiva estabelece regras negociadas para a categoria bancária de forma mais ampla, enquanto o acordo coletivo específico trata de condições próprias dos empregados de determinada instituição, como ocorre com o Banco do Brasil.
Greve do Banco do Brasil continua em BH
A realização da nova assembleia não encerrou automaticamente a paralisação.
O Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região informou que a greve aprovada anteriormente permanece mantida e começou à 0h de 10 de setembro. A decisão havia sido tomada em assembleia encerrada no dia 4, quando os funcionários do BB da região rejeitaram a proposta apresentada e aprovaram a paralisação.
Na votação de 4 de setembro, 81% dos trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelo Banco do Brasil na base de BH e região. A greve recebeu 47,1% dos votos, enquanto 43,9% defenderam a retomada das negociações sem paralisação.
Assim, a nova votação ocorre enquanto o movimento grevista já está em andamento.
Banco do Brasil reabriu as negociações
O impasse levou o Banco do Brasil a retomar as conversas com a representação dos funcionários em 8 de setembro. Segundo o sindicato, entretanto, a instituição manteve a proposta que já havia sido apresentada anteriormente e informou que chegou ao limite do que poderia oferecer.
Entre as justificativas apresentadas pelo banco estão restrições relacionadas ao período eleitoral de 2026. A instituição argumentou que a legislação impõe limitações às empresas estatais em ano de eleições, inclusive em determinadas questões relacionadas a reajustes e contratação de pessoal.
A reabertura da mesa de negociação, portanto, não resultou até o momento em uma nova proposta com mudanças nos itens apresentados anteriormente.
Situação é diferente em outras regiões
A greve não tem necessariamente o mesmo alcance em todas as localidades do país. As decisões são tomadas pelas bases sindicais, e os resultados das assembleias podem variar.
Em 4 de setembro, por exemplo, a maioria dos funcionários do BB representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo aprovou a renovação do ACT. Naquela base, 51,65% dos votos válidos foram favoráveis à proposta.
Em Belo Horizonte e região, porém, a decisão foi diferente, com rejeição da proposta e aprovação da greve.
Isso explica por que o funcionamento de agências e o impacto sobre os trabalhadores podem variar de uma cidade para outra.
O que acontece depois da votação?
O resultado da assembleia poderá definir os próximos passos da categoria na região de Belo Horizonte. Caso a proposta seja aprovada, o processo de formalização do acordo poderá avançar e a paralisação poderá ter seu rumo alterado conforme as decisões sindicais.
Se a proposta for rejeitada, a tendência é de continuidade da mobilização e de pressão por novas negociações.
A situação também pode evoluir conforme outras bases sindicais tomem suas próprias decisões e o Banco do Brasil retome ou não as tratativas com a representação nacional dos funcionários.
Por enquanto, o cenário é de negociação aberta, mas com posições ainda distantes. O banco afirma ter mantido sua proposta, enquanto os sindicatos continuam pressionando por mudanças nas condições apresentadas.
O que muda para clientes do Banco do Brasil?

A greve dos funcionários pode provocar alterações no atendimento presencial em agências que aderirem ao movimento. Isso não significa, porém, que todos os serviços do banco sejam interrompidos.
Clientes devem priorizar os canais digitais e consultar previamente a situação da agência antes de sair de casa. Operações disponíveis pelo aplicativo, internet banking, caixas eletrônicos e demais canais remotos podem continuar funcionando mesmo durante uma paralisação.
Para pagamentos com vencimento próximo, a recomendação é evitar deixar a operação para o último momento. O cliente também deve guardar comprovantes de pagamentos e utilizar somente canais oficiais do banco para evitar golpes.
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
