As ações do Banco do Brasil (BBAS3) encerraram esta segunda-feira em forte queda de quase 7%, refletindo o impacto da divulgação de dados do Banco Central que mostram um lucro líquido de apenas R$ 500 milhões em maio de 2025.
Ações do Banco do Brasil despencam com dados que apontam ‘mega miss’
Ação do Banco do Brasil (BBAS3) caiu quase 7% após lucro de apenas R$ 500 milhões em maio. Resultado pressiona expectativa para o segundo trimestre.
O desempenho representa uma queda acentuada em relação aos meses anteriores e sinaliza que os números do segundo trimestre devem frustrar as expectativas do mercado.
Com um resultado muito abaixo das projeções dos analistas e a deterioração de indicadores como a inadimplência no agronegócio, os investidores reagiram com vendas expressivas, impulsionando um dos piores desempenhos do papel neste ano. O volume negociado atingiu R$ 1,6 bilhão, quase três vezes a média diária.
Leia mais:
Banco do Brasil pode cortar dividendos? Analistas alertam investidores
Lucro de maio decepciona e derruba BBAS3

Queda expressiva mês a mês e ano a ano
O lucro de R$ 500 milhões em maio representa:
- Uma queda de mais de 70% em relação ao lucro de maio de 2024, que foi de R$ 3,4 bilhões;
- Uma redução de quase R$ 1,2 bilhão em relação a abril, quando o banco havia reportado R$ 1,7 bilhão.
Com isso, a expectativa para o fechamento do segundo trimestre de 2025 se torna ainda mais desafiadora.
Projeção de analistas pode não se concretizar
O consenso do mercado apontava para um lucro de aproximadamente R$ 5 bilhões no 2T25. No entanto, com os resultados de abril e maio somando R$ 2,2 bilhões, o banco teria que entregar um lucro de cerca de R$ 3 bilhões apenas em junho para alcançar esse número — um cenário que, segundo analistas, parece cada vez mais improvável.
“O NPL do agronegócio do sistema piorou ainda mais em junho, o que indica que esse resultado deve continuar bem pressionado nos meses seguintes,” afirmou um analista do setor bancário. “O mais provável é que o banco venha com um ‘miss’ relevante na divulgação do segundo tri.”
Projeção de ROE abaixo do esperado
Com base no desempenho dos dois primeiros meses do trimestre, o run rate (ritmo de lucro projetado) é estimado em R$ 3,3 bilhões — o que representaria:
- Um desvio negativo de 34% em relação ao consenso de mercado;
- Um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de apenas 8%, considerado baixo para padrões de bancos estatais.
Histórico recente agrava o cenário
Segunda grande decepção no ano
Esta não é a primeira vez em 2025 que o Banco do Brasil decepciona. No primeiro trimestre, os resultados também vieram abaixo das expectativas, dando início a um ciclo de perda de confiança dos investidores institucionais.
Desde então, a ação BBAS3 já acumula queda de 35% — movimento que se intensificou com a nova frustração de maio.
Volume de negociação dispara
A forte movimentação no papel nesta segunda-feira mostra o nervosismo do mercado:
- R$ 1,6 bilhão em volume financeiro, mais que o triplo da média diária, de R$ 580 milhões;
- Destaque para as vendas líquidas das corretoras:
- JP Morgan: 6,6 milhões de ações vendidas;
- Bank of America: 4,6 milhões de ações vendidas.
A pressão vendedora indica uma realocação de portfólios e saída de investidores estrangeiros diante do cenário desafiador para os próximos meses.
Agronegócio pesa nos resultados
Aumento da inadimplência no setor
Um dos principais fatores para a deterioração dos números do Banco do Brasil é o agravamento da inadimplência no setor do agronegócio — área na qual o banco tem forte exposição.
Dados preliminares de junho mostram que o NPL (Non-Performing Loans) do agronegócio voltou a subir, atingindo níveis críticos, especialmente em regiões afetadas por eventos climáticos e queda no preço das commodities.
Pressão sobre provisões
Com a piora na carteira, o banco foi forçado a aumentar as provisões para perdas de crédito, o que impactou diretamente o lucro líquido de maio e deve continuar afetando os resultados de junho.
Além disso, há preocupação no mercado quanto à efetividade da estratégia de renegociação com grandes produtores rurais, já que parte dos empréstimos segue sem solução definitiva.
Perspectivas para o 2T25

BB divulgará balanço em 14 de agosto
A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025 está marcada para o dia 14 de agosto, e o mercado aguarda com atenção não apenas os números consolidados, mas também as projeções futuras da diretoria.
“O banco terá que explicar com clareza os impactos setoriais, especialmente no agro, e sinalizar como pretende proteger a rentabilidade no segundo semestre,” avalia um gestor de fundo de ações.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Expectativa é de “miss” significativo
Com o ritmo atual, os analistas preveem:
- Lucro total de R$ 3,3 bilhões no 2T25;
- Desvio de R$ 1,7 bilhão em relação ao consenso (R$ 5 bilhões);
- ROE entre 7,5% e 8,5%, abaixo do histórico de dois dígitos;
- Potencial nova rodada de revisões negativas para o preço-alvo da ação.
Reações no mercado
BBAS3 em forte queda
Com a queda de hoje, BBAS3:
- Reverte parte dos ganhos acumulados no fim de 2024;
- Volta aos níveis de preço vistos no auge da crise bancária global de 2023;
- Entra em trajetória semelhante à de outros bancos públicos em momentos de pressão fiscal e incertezas setoriais.
Investidores atentos à governança
Com o desempenho fraco, analistas reforçam a necessidade de respostas claras do alto escalão do banco, especialmente sobre:
- Exposição ao risco climático no agro;
- Estratégias de mitigação de inadimplência;
- Potencial reforço de capital;
- Manutenção de dividendos em 2025.
Impacto nas expectativas de dividendos

Pagamento de proventos pode ser revisto
Um dos pontos de atenção para acionistas é o impacto dessa queda nos lucros sobre a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP):
- Com lucros mais baixos, o payout em termos absolutos será reduzido;
- O BB historicamente distribui entre 35% e 40% do lucro líquido ajustado;
- Investidores esperam clareza sobre eventuais mudanças na política de distribuição, sobretudo em ano fiscal sensível.
Considerações finais
O lucro abaixo do esperado em maio colocou o Banco do Brasil novamente sob os holofotes, provocando uma queda acentuada de quase 7% nas ações BBAS3 e acirrando o pessimismo do mercado em relação ao desempenho da instituição no segundo trimestre de 2025.
Com aumento da inadimplência no agronegócio, pressões operacionais e volume de negociação disparando, o banco entra em uma fase crítica para restaurar a confiança de investidores e evitar novos recuos no preço das ações.
A expectativa agora se volta para a divulgação do balanço em 14 de agosto, quando a instituição deverá apresentar respostas estratégicas e, sobretudo, justificar os números decepcionantes registrados até aqui no ano.
Pode ser do seu interesse:
