Banco do Brasil e Bradesco ganham destaque com dividendos altos e perspectivas animadoras
Os dois gigantes do setor bancário nacional, Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC3), voltaram a ganhar destaque entre os investidores em busca de renda passiva estável e potencial de valorização patrimonial.
Mesmo em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador, ambas as instituições mantêm fundamentos sólidos, lucros bilionários e múltiplos atrativos, além de oferecerem dividend yields que chegam a até 11% ao ano.
A combinação de ações baratas com alta previsibilidade de resultados está recolocando os bancos na mira dos analistas e reforçando o apelo das chamadas “ações de valor” na Bolsa brasileira.
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Banco do Brasil: dividendos generosos e liderança no crédito agro
Resultados do 1º trimestre de 2025
O Banco do Brasil reportou um lucro líquido de R$ 7,4 bilhões no 1T25, queda de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar do recuo, os resultados foram considerados sólidos, principalmente diante do cenário de aumento da inadimplência, que obrigou o banco a reforçar as provisões para devedores duvidosos (PDD), superando R$ 10 bilhões.
Payout e dividend yield
Com distribuição de R$ 2,7 bilhões em dividendos e JCP no trimestre — equivalente a R$ 0,50 por ação —, o BB manteve seu payout entre 40% e 45%. Com o papel sendo negociado ao redor de R$ 21,00, o dividend yield estimado para o ano varia entre 9% e 11%, posicionando a ação entre as mais rentáveis da Bolsa.
Carteira de crédito sólida e foco no agro
O BB mantém R$ 1,1 trilhão em carteira de crédito, com destaque para:
- Pessoa física: R$ 340 bilhões
- Crédito agropecuário: R$ 400 bilhões
- Empresas (PJ e grandes): saldo remanescente não divulgado
A instituição mantém a liderança absoluta no setor agro, com 50% de market share. Essa posição estratégica reforça a resiliência do banco em meio a ciclos econômicos adversos e crises setoriais.
Retorno aos acionistas
Mesmo com a recente queda na cotação — recuo de 21,3% nos últimos 12 meses — o retorno acumulado em dois anos para quem manteve posição em BBAS3 é superior a 100%, bem acima do +19% do Ibovespa no mesmo período.
Bradesco: lucro em recuperação e dividendos consistentes
Reclassificação para compra
Após períodos de rentabilidade pressionada, o Bradesco voltou a ser classificado como “compra” por analistas do mercado, incluindo o Itaú BBA, que estimou preço-alvo de R$ 20 para a ação — um potencial de valorização de 23% sobre os atuais R$ 16,30.
Lucros em ascensão
O banco tem lucro líquido projetado de até R$ 28 bilhões em 2025, contra cerca de R$ 16 bilhões nos ciclos anteriores, refletindo a expectativa de recuperação na rentabilidade, com ROE (Retorno sobre o Patrimônio) projetado entre 15% e 16%.
Dividendos e payout elevado
O payout atual do Bradesco é de 71%, o mais elevado entre os grandes bancos do país. Isso significa que a maior parte dos lucros gerados é repassada diretamente aos acionistas na forma de dividendos ou JCP.
- Dividendos potenciais estimados: até R$ 1,38 por ação
- Dividend yield estimado: entre 8% e 9%
Setor de seguros como motor de lucro
A divisão de seguros do Bradesco é uma das mais relevantes do país, com lucro recorrente anual entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. Esse segmento tem se mostrado resistente mesmo em tempos de volatilidade econômica e contribui de forma consistente para os resultados do grupo.
Análise comparativa: BBAS3 vs BBDC3
A seguir, uma comparação dos principais indicadores das duas instituições:
| Indicador | Banco do Brasil (BBAS3) | Bradesco (BBDC3) |
|---|---|---|
| Preço atual (jun/2025) | R$ 21,00 | R$ 16,30 |
| Dividend yield estimado | 9% a 11% | 8% a 9% |
| Lucro estimado (2025) | R$ 27 bilhões | R$ 25 a 28 bilhões |
| Payout médio | 40% a 45% | 71% (tendência de queda) |
| Potencial de valorização | 25% (R$ 27 alvo) | 23% (R$ 20 alvo) |
Participações relevantes: BB Seguridade (BBSE3)
O Banco do Brasil também possui participação importante na BB Seguridade (BBSE3), que sofreu impacto recente pela queda de 80% na captação de VGBL, após mudança no IOF. Isso comprometeu quase 20% do lucro da seguradora no período.
A ação da BB Seguridade caiu de R$ 42 para R$ 35 nos últimos meses, afetando o desempenho agregado do portfólio de participações do BB. No entanto, analistas apontam que os fundamentos seguem sólidos, e a tendência é de recuperação nos próximos trimestres.
O que dizem os analistas
Banco do Brasil: resiliência e previsibilidade
Analistas veem o BB como uma opção de menor risco, com governança reforçada e forte presença em segmentos estratégicos como o agro. A precificação atual, com P/L abaixo de 5x, torna a ação altamente atrativa para investidores que priorizam dividendos e estabilidade.
Bradesco: aposta em recuperação
A tese de Bradesco envolve valorização por turnaround, com melhoria de margens, redução da inadimplência e maior eficiência operacional. O banco ainda carrega risco de execução, mas o potencial de retorno compensa, especialmente com o papel sendo negociado a múltiplos de 6x lucros projetados de 2026.
Riscos e oportunidades
Riscos:
- Alta inadimplência pode pressionar provisões e lucros
- Mudanças regulatórias ou aumento de impostos sobre dividendos
- Intervenções políticas, especialmente no caso do Banco do Brasil
- Concorrência de fintechs e bancos digitais em segmentos como crédito e investimentos
Oportunidades:
- Dividend yields acima da média histórica
- Valuation descontado em relação ao histórico
- Recomposição de lucros com retomada da economia
- Setores resilientes (agro, seguros e serviços bancários essenciais)
Considerações finais
Tanto o Banco do Brasil (BBAS3) quanto o Bradesco (BBDC3) surgem em 2025 como opções atrativas para investidores que buscam rentabilidade em dividendos e valorização de longo prazo.
O Banco do Brasil se destaca pela solidez operacional, forte presença no agro e dividend yield de até 11%, enquanto o Bradesco aposta em recuperação acelerada, com lucros em expansão e dividendos generosos.
Para perfis que buscam renda passiva consistente e ações com múltiplos baixos, ambos os papéis podem compor uma carteira equilibrada. No entanto, é essencial acompanhar de perto os resultados trimestrais, os índices de inadimplência e o comportamento do mercado frente a cenários de juros e inflação.