O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta atualmente o maior nível de inadimplência da história no setor agro, segundo informou a presidente da instituição, Tarciana Medeiros, em transmissão ao vivo para analistas e investidores na noite desta quinta-feira (14).
Banco do Brasil registra maior inadimplência do setor agro de todos os tempos
Banco do Brasil (BB) confirma nível recorde de inadimplência no setor agro, com provisões já registradas em balanço.
Em sua fala, Medeiros destacou que o banco nunca havia registrado uma inadimplência do agronegócio na proporção atual e que, apesar do cenário desafiador, todas as provisões necessárias já estão contabilizadas no balanço da instituição.
“É importante que vocês tenham conhecimento da proporção dessa inadimplência e que tenham tranquilidade que essa provisão já está presente no nosso balanço”, afirmou a executiva.
A presidente do BB ainda enfatizou mudanças na postura histórica do banco frente ao crédito rural. Tradicionalmente, a instituição era conhecida por não protestar dívidas e por não cobrar garantias de clientes do setor agro, mas agora, segundo Medeiros, está sendo mais rigorosa e judicializando casos de inadimplência.
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Inadimplência histórica no setor agro

O agronegócio sempre foi um dos setores de maior relevância para o Banco do Brasil, respondendo por uma parcela significativa do crédito rural e das operações de financiamento. Contudo, os números divulgados recentemente indicam que os níveis de inadimplência atingiram um patamar sem precedentes, refletindo desafios climáticos, econômicos e de preços das commodities.
“A gente era conhecido como banco que não protesta, o banco que não cobra a garantia, agora estamos judicializando”, destacou Tarciana Medeiros, reforçando a mudança de estratégia da instituição para lidar com o crédito rural.
A situação representa um marco histórico para a instituição, que ao longo de sua trajetória sempre buscou conciliar o crédito rural com políticas de incentivo e sustentabilidade do setor agro, mesmo em períodos de crises econômicas ou climáticas.
Provisões e ajustes regulatórios
Segundo a executiva, o Banco do Brasil já realizou todas as provisões necessárias para cobrir potenciais perdas decorrentes da inadimplência agro. Isso significa que, apesar do cenário preocupante, a instituição se mantém sólida e preparada para absorver os impactos financeiros.
Medeiros também mencionou a necessidade de ajustes na Resolução nº 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN).
“A 4,966 me traz a necessidade de provisão por perda esperada. Eu sempre disse que jamais venderia o modelo de risco do Banco do Brasil e sigo achando isso”, afirmou.
O ajuste regulatório é necessário para refletir de forma mais precisa a realidade do banco, permitindo que as provisões e cálculos de risco estejam alinhados às operações atuais e ao nível histórico de inadimplência.
Pessoa física apresenta sinais de recuperação
Apesar do cenário crítico no setor agro, Medeiros trouxe uma perspectiva positiva para a linha de crédito da pessoa física. Segundo ela, o segundo semestre de 2024 já mostra sinais de arrefecimento da inadimplência, resultado das estratégias implementadas pelo banco para melhorar a adimplência entre clientes individuais.
Esses resultados apontam que as medidas adotadas pelo BB, como acompanhamento mais próximo das operações e negociação com clientes, estão começando a surtir efeito, trazendo mais estabilidade para a carteira de crédito da pessoa física.
Mudanças na abordagem do crédito rural
A mudança de postura do Banco do Brasil frente à inadimplência do setor agro é significativa. Historicamente, a instituição era reconhecida por um modelo mais tolerante, buscando apoiar o produtor rural mesmo em períodos de dificuldades econômicas ou ambientais.
Com o atual cenário, no entanto, a instituição adotou uma abordagem mais firme, incluindo:
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- Judicialização de dívidas antes não cobradas;
- Revisão de garantias e contratos;
- Monitoramento mais rigoroso das operações de crédito rural;
- Ajustes nas provisões contábeis para refletir a realidade do setor.
Segundo Medeiros, essas medidas visam equilibrar a sustentabilidade financeira do banco com o apoio ao agronegócio, evitando que a inadimplência comprometa a saúde da instituição e a capacidade de financiar o setor no futuro.
Impactos no setor financeiro e no agronegócio
O aumento histórico da inadimplência no setor agro pode gerar desdobramentos importantes para o mercado financeiro e para os produtores rurais. Entre os possíveis impactos, destacam-se:
- Maior cautela na concessão de crédito, com critérios mais rígidos para financiamento de safras futuras;
- Aumento das taxas de juros para operações de risco elevado;
- Pressão sobre fornecedores de crédito privado e cooperativas;
- Necessidade de seguro agrícola mais abrangente, para mitigar riscos climáticos e de mercado;
- Revisão de políticas públicas de incentivo ao crédito rural, considerando o aumento das provisões necessárias para cobrir inadimplência.
Perspectivas para 2025 e próximos anos

Apesar do recorde de inadimplência, o Banco do Brasil se mantém confiante na recuperação do setor agro e na solidez de suas operações financeiras. Estratégias de gestão de risco, provisões robustas e acompanhamento próximo das operações devem permitir que o banco atravesse o momento crítico sem comprometer sua atuação futura.
Além disso, a instituição deve continuar ajustando suas práticas à regulamentação vigente, garantindo conformidade com o CMN e mantendo o equilíbrio entre crédito e risco.
Com informações de: InfoMoney
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