No apagar das luzes da última semana, o mercado financeiro foi surpreendido por uma queda expressiva nas ações do Banco do Brasil (BBAS3), que recuaram aproximadamente 7% em um único pregão. A derrocada foi impulsionada pelos dados preliminares de lucros divulgados pelo Banco Central, que revelaram um desempenho muito aquém do esperado por parte da instituição estatal.
Banco do Brasil decepciona, Itaú surpreende: análise dos resultados financeiros de agosto
Banco do Brasil registra lucro abaixo do esperado em maio. Prévia fraca para o 2T25 derruba ações e contrasta com desempenho de outros bancos.
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Segundo os dados publicados pelo Banco Central, o Banco do Brasil obteve um lucro líquido de R$ 516 milhões em maio. Com base nessa performance mensal, estima-se um lucro líquido de aproximadamente R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre de 2025, utilizando o método run rate — uma métrica usada para projetar resultados futuros com base em dados atuais.
Esse valor representa uma queda de 31% em relação às projeções do Bradesco BBI, que esperava um lucro de R$ 4,89 bilhões para o período. A carteira de crédito, por sua vez, permaneceu praticamente estável, o que reforça a percepção de estagnação.
Morgan Stanley e Goldman Sachs projetam números ainda mais pessimistas
A equipe de análise do Morgan Stanley avaliou os dados com ainda mais cautela. Para os analistas do banco norte-americano, a projeção de lucro para o Banco do Brasil no 2T25 é de apenas R$ 3,345 bilhões — o que implicaria uma queda de 50% em relação ao trimestre anterior e de 63% na comparação ano a ano.
Inadimplência no agronegócio preocupa analistas
“A proxy do Banco do Brasil sugere outro resultado trimestral mais fraco, provavelmente devido a mais problemas com a inadimplência do agronegócio”, alertaram os analistas do Morgan Stanley em relatório enviado a clientes.
O Goldman Sachs, por sua vez, estima um lucro de R$ 3,4 bilhões para o segundo trimestre, o que representa uma queda de 33% frente à sua projeção anterior e 35% abaixo do consenso da Bloomberg. O banco também destacou os problemas na qualidade dos ativos da carteira ligada ao setor do agronegócio como principal fator de pressão.
Divulgação oficial está marcada para 14 de agosto
O resultado oficial do segundo trimestre será divulgado pelo Banco do Brasil no dia 14 de agosto, após o fechamento do mercado. No entanto, os dados parciais apresentados pelo Banco Central já criaram forte frustração entre os investidores e analistas, afetando não apenas a cotação da BBAS3, mas também a percepção sobre a performance da instituição para o restante do ano.
Outros bancos apresentam resultados mais sólidos
Itaú: estabilidade e lucro acima das expectativas
Diferente do Banco do Brasil, o Itaú Unibanco (ITUB4) apresentou desempenho considerado sólido. A instituição, que divulgará seus resultados oficiais no dia 5 de agosto, reportou um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões apenas em maio.
Com esse resultado, a projeção de lucro para o segundo trimestre chega a R$ 12 bilhões — 3,6% acima das estimativas do BBI. Apesar do crescimento modesto nos empréstimos (+2% no trimestre) e na taxa de depósitos (+1%), o resultado foi bem recebido pelo mercado.
BTG Pactual: forte crescimento nos depósitos
O BTG Pactual (BPAC11) também teve um trimestre robusto. Com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão em maio, o banco projeta R$ 4 bilhões de lucro no 2T25, superando em 7,8% as estimativas do BBI.
Destaque no avanço dos depósitos
O destaque vai para o crescimento de 5% nos depósitos, o que demonstra maior confiança dos clientes e reforça o posicionamento do BTG no mercado corporativo e de alta renda. A divulgação oficial dos números ocorrerá em 12 de agosto, antes da abertura do mercado.
Nubank: resultados mistos com queda nos lucros
Para o Nubank (BDR: ROXO34), os resultados foram mais ambíguos. Em maio, o banco digital teve lucro líquido de US$ 163 milhões, totalizando US$ 488 milhões no 2T25, valor 15% abaixo da expectativa do BBI.
Crescimento operacional continua
Apesar disso, houve crescimento de 6% tanto nos empréstimos quanto nos depósitos, o que mostra um avanço consistente em volume, ainda que o resultado contábil tenha sido impactado por ajustes operacionais e mudanças regulatórias.
Banco Inter: abaixo do esperado, mas com expansão de crédito
O Banco Inter (BDR: INBR32) também ficou aquém das projeções. Em maio, o banco reportou R$ 79 milhões de lucro líquido, resultando em um acumulado de R$ 242 milhões para o segundo trimestre, ou seja, 22% abaixo da previsão do BBI.
Crédito e depósitos avançam
Entretanto, os números de concessão de crédito (+4%) e depósitos (+5%) indicam algum nível de recuperação operacional, ainda que insuficiente para reverter a percepção negativa quanto à rentabilidade da instituição.
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Reações do mercado e recomendações
BBAS3 em queda: percepção de risco aumenta
A queda de cerca de 7% nas ações do Banco do Brasil logo após a divulgação da prévia do BC mostra como o mercado está sensível a qualquer sinal de deterioração nos lucros e na qualidade da carteira.
Analistas revisam recomendações
O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 23, sinalizando expectativa de estabilidade, sem perspectiva de valorização significativa no curto prazo.
Destaque para Itaú e BTG Pactual
Em contrapartida, o banco norte-americano recomenda compra para o Itaú, com preço-alvo de R$ 40, e também para o BTG Pactual, cujo target é de R$ 46.
O que esperar da temporada de balanços?

Foco nas inadimplências e no agronegócio
A expectativa do mercado para os próximos trimestres inclui forte atenção à inadimplência do setor do agronegócio, que tem afetado significativamente os resultados do Banco do Brasil. A concentração de crédito nesse segmento torna a instituição mais vulnerável a choques setoriais.
Competição no crédito e margens pressionadas
Além disso, a concorrência acirrada no crédito e os ajustes regulatórios recentes também tendem a impactar as margens dos grandes bancos. Instituições mais digitalizadas e ágeis, como o Nubank, podem ganhar espaço, mesmo com margens ainda apertadas.
Considerações finais
A derrocada nas ações do Banco do Brasil acendeu um alerta no mercado sobre os riscos específicos do banco estatal, especialmente diante de um cenário mais difícil para o setor do agronegócio. Enquanto outros bancos apresentaram estabilidade ou até crescimento em seus resultados, o BB enfrenta dificuldades operacionais e reputacionais.
A próxima temporada de balanços, com divulgação oficial em agosto, poderá confirmar ou atenuar esses receios. Até lá, investidores devem manter cautela, acompanhar os movimentos do setor e ficar atentos aos desdobramentos políticos e econômicos que afetam diretamente as estatais financeiras.
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