O Banco do Brasil (BBAS3) vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente no mercado financeiro. A combinação entre o aumento da inadimplência no setor agropecuário, a queda expressiva no lucro do primeiro trimestre de 2025 e a preocupação com a sustentabilidade da política de dividendos acendeu o sinal de alerta entre investidores, analistas e acionistas.
Banco do Brasil sofre queda no mercado e dividendos podem ser menores este ano
Banco do Brasil registra queda de 20% no lucro, enfrenta inadimplência no setor agro e pode reduzir payout de dividendos.
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Resultados do 1º trimestre de 2025: lucro abaixo das expectativas
Queda de 20% no lucro líquido
O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 7,33 bilhões no primeiro trimestre de 2025, resultado que representa uma queda de 20% em relação ao mesmo período de 2024. O número ficou bem abaixo das expectativas de mercado, que projetavam ganhos próximos a R$ 9 bilhões.
Impacto nas ações da BBAS3
A reação no mercado de capitais foi imediata. Desde o início de 2025, as ações do Banco do Brasil acumulam queda de 26%, refletindo a preocupação dos investidores com o desempenho financeiro e com os rumos da política de remuneração ao acionista.
Inadimplência no agronegócio: o principal vilão do momento
Setor agropecuário em crise
Um dos principais fatores por trás da deterioração dos resultados do BB é o aumento da inadimplência na carteira de crédito voltada ao agronegócio. O setor, que historicamente foi um dos pilares da expansão da carteira de crédito do banco, enfrenta dificuldades provocadas por:
- Queda no preço das commodities agrícolas
- Problemas climáticos em importantes regiões produtoras
- Atraso nos pagamentos de produtores rurais
Efeitos no balanço
O resultado dessa conjuntura foi o crescimento das provisões para perdas com crédito de liquidação duvidosa (PCLD). O banco precisou reforçar os provisionamentos para fazer frente ao aumento da inadimplência, o que impactou diretamente o resultado líquido.
O debate sobre a política de dividendos do Banco do Brasil
Payout sob revisão
Atualmente, o Banco do Brasil distribui entre 40% e 45% de seu lucro líquido na forma de dividendos, o que tem garantido aos investidores um dividend yield superior a 9% ao ano.
No entanto, um relatório recente do JP Morgan acendeu o alerta ao indicar que o payout pode se tornar insustentável diante do cenário de lucros em queda e necessidade de capital para sustentar a expansão da carteira de crédito.
Projeções de redução de dividendos
O banco americano estima que o BB deve reduzir o payout para cerca de 30% dos lucros. Caso a previsão se confirme, o dividend yield da BBAS3 pode cair de 9,6% para 7,2%, considerando as cotações atuais.
Impacto para investidores
Se o payout for realmente reduzido para 30%, os investidores que buscam um yield mínimo de 9% veriam o preço teto da ação recuar de R$ 23 para aproximadamente R$ 17, segundo cálculos de analistas de mercado.
O olhar dos grandes investidores: a visão de Luise Barsi

Compra em meio ao pessimismo
A reação de Luise Barsi, filha do lendário investidor Luiz Barsi, chamou atenção nas redes sociais. Em tom provocativo, ela declarou que torce para que o Banco do Brasil “deixe de ser a queridinha do mercado”, justamente para aproveitar a baixa das ações e aumentar sua posição.
Estratégia de longo prazo
A fala de Luise reflete a filosofia de investimento seguida por ela e por seu pai: comprar ações de empresas sólidas em momentos de pessimismo, com foco no longo prazo e na recuperação dos ativos.
Historicamente, investidores da escola de Barsi costumam acumular ações de empresas de dividendos quando os preços estão deprimidos, apostando na recuperação futura da lucratividade e do retorno ao acionista.
BTG Pactual: recuperação só a partir de 2026
Recomendação neutra
O BTG Pactual mantém uma recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 30, o que representa um potencial de alta de 39% em relação às cotações atuais.
Projeção para o retorno sobre patrimônio (ROE)
A instituição projeta uma recuperação gradual do ROE (retorno sobre patrimônio líquido), com expectativa de:
- 15% em 2025
- 16% em 2026
Perspectiva para os dividendos
O BTG também aponta que os dividendos devem voltar a crescer a partir de 2026, à medida que o banco consiga:
- Reduzir a inadimplência na carteira agro
- Recompor o capital
- Restabelecer a margem de lucro
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Volatilidade e mudança de narrativa: o comportamento típico da Bolsa
Oscilações naturais do mercado
O episódio envolvendo o Banco do Brasil reforça um comportamento típico da Bolsa de Valores: enquanto os ativos estão em alta, o entusiasmo domina. Mas ao menor sinal de deterioração nos fundamentos, o humor dos investidores muda de forma abrupta, provocando fortes correções.
Oportunidade ou risco?
Para investidores com perfil de longo prazo e foco em dividendos, o atual cenário pode representar uma oportunidade de compra a preços mais baixos. No entanto, para perfis mais conservadores, o momento exige cautela, especialmente diante da possibilidade de redução na distribuição de dividendos.
Análise técnica das ações BBAS3
Níveis de suporte e resistência
Analistas técnicos destacam que, com a queda acumulada de 26% no ano, a ação BBAS3 apresenta suporte importante na faixa dos R$ 17, justamente o nível estimado como preço teto para quem busca 9% de yield.
Do lado da resistência, os analistas apontam o patamar de R$ 23 como um nível importante de recuperação de preço, caso o mercado reaja positivamente a futuros resultados.
Volume e liquidez
A liquidez da ação continua elevada, com alto volume diário de negociação na B3, o que facilita a entrada e saída de posições mesmo em momentos de maior volatilidade.
Fatores externos que impactam o Banco do Brasil
Cenário macroeconômico
Além das questões internas, o Banco do Brasil também é afetado por fatores como:
- Alta da taxa Selic, que impacta a concessão de crédito.
- Inflação persistente, que afeta a capacidade de pagamento dos clientes.
- Clima político, que influencia diretamente as expectativas de mercado em relação aos bancos públicos.
Perspectiva para o setor bancário em 2025

O setor como um todo vive um período de maior seletividade por parte dos investidores, com bancos privados mostrando crescimento mais consistente e bancos públicos, como o BB, enfrentando maiores incertezas.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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