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Banco do Brasil sofre queda no mercado e dividendos podem ser menores este ano

Banco do Brasil registra queda de 20% no lucro, enfrenta inadimplência no setor agro e pode reduzir payout de dividendos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
BB

O Banco do Brasil (BBAS3) vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente no mercado financeiro. A combinação entre o aumento da inadimplência no setor agropecuário, a queda expressiva no lucro do primeiro trimestre de 2025 e a preocupação com a sustentabilidade da política de dividendos acendeu o sinal de alerta entre investidores, analistas e acionistas.

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Imagem: Freepik e Canva

Resultados do 1º trimestre de 2025: lucro abaixo das expectativas

Queda de 20% no lucro líquido

O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 7,33 bilhões no primeiro trimestre de 2025, resultado que representa uma queda de 20% em relação ao mesmo período de 2024. O número ficou bem abaixo das expectativas de mercado, que projetavam ganhos próximos a R$ 9 bilhões.

Impacto nas ações da BBAS3

A reação no mercado de capitais foi imediata. Desde o início de 2025, as ações do Banco do Brasil acumulam queda de 26%, refletindo a preocupação dos investidores com o desempenho financeiro e com os rumos da política de remuneração ao acionista.

Inadimplência no agronegócio: o principal vilão do momento

Setor agropecuário em crise

Um dos principais fatores por trás da deterioração dos resultados do BB é o aumento da inadimplência na carteira de crédito voltada ao agronegócio. O setor, que historicamente foi um dos pilares da expansão da carteira de crédito do banco, enfrenta dificuldades provocadas por:

  • Queda no preço das commodities agrícolas
  • Problemas climáticos em importantes regiões produtoras
  • Atraso nos pagamentos de produtores rurais

Efeitos no balanço

O resultado dessa conjuntura foi o crescimento das provisões para perdas com crédito de liquidação duvidosa (PCLD). O banco precisou reforçar os provisionamentos para fazer frente ao aumento da inadimplência, o que impactou diretamente o resultado líquido.

O debate sobre a política de dividendos do Banco do Brasil

Payout sob revisão

Atualmente, o Banco do Brasil distribui entre 40% e 45% de seu lucro líquido na forma de dividendos, o que tem garantido aos investidores um dividend yield superior a 9% ao ano.

No entanto, um relatório recente do JP Morgan acendeu o alerta ao indicar que o payout pode se tornar insustentável diante do cenário de lucros em queda e necessidade de capital para sustentar a expansão da carteira de crédito.

Projeções de redução de dividendos

O banco americano estima que o BB deve reduzir o payout para cerca de 30% dos lucros. Caso a previsão se confirme, o dividend yield da BBAS3 pode cair de 9,6% para 7,2%, considerando as cotações atuais.

Impacto para investidores

Se o payout for realmente reduzido para 30%, os investidores que buscam um yield mínimo de 9% veriam o preço teto da ação recuar de R$ 23 para aproximadamente R$ 17, segundo cálculos de analistas de mercado.

O olhar dos grandes investidores: a visão de Luise Barsi

Imagem: EyeEm – Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Compra em meio ao pessimismo

A reação de Luise Barsi, filha do lendário investidor Luiz Barsi, chamou atenção nas redes sociais. Em tom provocativo, ela declarou que torce para que o Banco do Brasil “deixe de ser a queridinha do mercado”, justamente para aproveitar a baixa das ações e aumentar sua posição.

Estratégia de longo prazo

A fala de Luise reflete a filosofia de investimento seguida por ela e por seu pai: comprar ações de empresas sólidas em momentos de pessimismo, com foco no longo prazo e na recuperação dos ativos.

Historicamente, investidores da escola de Barsi costumam acumular ações de empresas de dividendos quando os preços estão deprimidos, apostando na recuperação futura da lucratividade e do retorno ao acionista.

BTG Pactual: recuperação só a partir de 2026

Recomendação neutra

O BTG Pactual mantém uma recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 30, o que representa um potencial de alta de 39% em relação às cotações atuais.

Projeção para o retorno sobre patrimônio (ROE)

A instituição projeta uma recuperação gradual do ROE (retorno sobre patrimônio líquido), com expectativa de:

  • 15% em 2025
  • 16% em 2026

Perspectiva para os dividendos

O BTG também aponta que os dividendos devem voltar a crescer a partir de 2026, à medida que o banco consiga:

  • Reduzir a inadimplência na carteira agro
  • Recompor o capital
  • Restabelecer a margem de lucro

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Volatilidade e mudança de narrativa: o comportamento típico da Bolsa

Oscilações naturais do mercado

O episódio envolvendo o Banco do Brasil reforça um comportamento típico da Bolsa de Valores: enquanto os ativos estão em alta, o entusiasmo domina. Mas ao menor sinal de deterioração nos fundamentos, o humor dos investidores muda de forma abrupta, provocando fortes correções.

Oportunidade ou risco?

Para investidores com perfil de longo prazo e foco em dividendos, o atual cenário pode representar uma oportunidade de compra a preços mais baixos. No entanto, para perfis mais conservadores, o momento exige cautela, especialmente diante da possibilidade de redução na distribuição de dividendos.

Análise técnica das ações BBAS3

Níveis de suporte e resistência

Analistas técnicos destacam que, com a queda acumulada de 26% no ano, a ação BBAS3 apresenta suporte importante na faixa dos R$ 17, justamente o nível estimado como preço teto para quem busca 9% de yield.

Do lado da resistência, os analistas apontam o patamar de R$ 23 como um nível importante de recuperação de preço, caso o mercado reaja positivamente a futuros resultados.

Volume e liquidez

A liquidez da ação continua elevada, com alto volume diário de negociação na B3, o que facilita a entrada e saída de posições mesmo em momentos de maior volatilidade.

Fatores externos que impactam o Banco do Brasil

Cenário macroeconômico

Além das questões internas, o Banco do Brasil também é afetado por fatores como:

  • Alta da taxa Selic, que impacta a concessão de crédito.
  • Inflação persistente, que afeta a capacidade de pagamento dos clientes.
  • Clima político, que influencia diretamente as expectativas de mercado em relação aos bancos públicos.

Perspectiva para o setor bancário em 2025

dividendos
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O setor como um todo vive um período de maior seletividade por parte dos investidores, com bancos privados mostrando crescimento mais consistente e bancos públicos, como o BB, enfrentando maiores incertezas.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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