O Banco do Brasil vem reduzindo o atendimento presencial em unidades de São Paulo, com fechamento de guichês de caixa e mudanças nas Plataformas de Suporte Operacional (PSOs). Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, as alterações estariam ocorrendo sem comunicação adequada aos funcionários e, em alguns casos, sem que as próprias gerências tivessem conhecimento prévio.
A entidade afirma que novos fechamentos ocorreram mesmo depois de uma reunião realizada em 6 de maio, quando representantes sindicais das Regionais Sul e Oeste de São Paulo e da Comissão de Empresa Estadual se reuniram com a Gerência da PSO. Na ocasião, segundo o sindicato, a informação recebida era de que não havia previsão de novos fechamentos de Suporte Operacional (SOP).
O caso preocupa trabalhadores porque, além da redução de postos, há relatos de sobrecarga, transferência de atividades entre setores e bloqueio de vagas que deixam de ser repostas após aposentadorias, promoções ou remoções.
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Banco do Brasil fecha guichês em diferentes pontos da zona oeste

De acordo com as denúncias recebidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, pontos de atendimento em guichês de caixa já foram fechados no Jardim Bonfiglioli, na Rua Clélia, na Lapa, e mais recentemente na Avenida Sumaré, em Perdizes.
Outro caso citado pela entidade envolve a agência Alfonso Bovero, também em Perdizes. A unidade, identificada como agência 3026, continua registrada em bases públicas como uma agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Professor Alfonso Bovero, na Vila Pompeia.
Segundo os trabalhadores, porém, os guichês de caixa da unidade também seriam fechados pouco depois de uma mudança para uma nova SOP.
A reclamação não está relacionada necessariamente ao encerramento completo da agência, mas à redução da estrutura de atendimento presencial disponível aos clientes.
Funcionários teriam descoberto fechamento por empresa terceirizada
A forma como a mudança na agência Alfonso Bovero teria sido comunicada é um dos pontos que mais provocaram reação entre os trabalhadores.
Segundo o relato encaminhado ao sindicato, funcionários teriam descoberto que os guichês seriam fechados por meio de plantas do novo layout apresentadas por uma empresa terceirizada de engenharia contratada pelo Banco do Brasil.
Ao procurarem a base da PSO em Pinheiros, os trabalhadores teriam sido informados de que a própria gerência local não tinha conhecimento da alteração.
Para Priscilla Semencio, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionária do Banco do Brasil, a situação demonstra falta de transparência na condução das mudanças.
“O bancário vai trabalhar na sua SOP e não sabe o que vai encontrar naquele dia. É sempre um estado constante de insegurança e incerteza para quem trabalha nesse setor.”
A entidade afirma que a falta de comunicação dificulta a organização das equipes e aumenta a insegurança entre os funcionários.
Redução de funcionários aumenta preocupação com sobrecarga
As denúncias não se limitam aos fechamentos dos guichês.
Segundo o sindicato, trabalhadores também relatam alterações na distribuição das atividades dentro das PSOs. Entre as reclamações está a realização, por caixas executivos, de tarefas que seriam atribuídas aos Gerentes de Módulo (Gemods).
A entidade sustenta que o acúmulo de funções pode aumentar a pressão sobre os empregados e trazer riscos relacionados ao cumprimento de procedimentos operacionais e de segurança.
Também há relatos de ampliação do chamado “transbordo de cadastro”, com atividades dos Centros de Negócios Operacionais (Cenops) sendo direcionadas para as PSOs.
Na prática, de acordo com os trabalhadores, agentes comerciais e caixas passam a executar tarefas originalmente vinculadas ao Cenops, enquanto permanecem enquadrados em suas funções de origem.
Vagas deixadas por funcionários não estariam sendo repostas
Outro ponto levantado pelo sindicato é a redução do quadro de pessoal.
Segundo a entidade, vagas deixadas por trabalhadores que se aposentam, são promovidos ou removidos estariam sendo bloqueadas, sem reposição.
Com menos funcionários disponíveis, as equipes restantes precisariam absorver um volume maior de atividades.
O sindicato também recebeu denúncias de que agentes comerciais estariam recebendo comissão de caixa diariamente enquanto continuam realizando atividades atribuídas aos Gemods.
A entidade entende que a combinação entre redução do quadro, fechamento de guichês e transferência de tarefas aumenta a pressão sobre os trabalhadores.
“Nos locais de trabalho não existem apenas números. Existem pessoas. Cada vaga bloqueada, cada atividade transferida e cada função acumulada representa mais pressão e sobrecarga para quem permanece”, afirma Priscilla Semencio.
Sindicato cobra explicações do Banco do Brasil
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região cobra informações sobre os critérios utilizados pelo Banco do Brasil para decidir quais unidades terão redução de guichês ou mudanças na estrutura operacional.
Entre as reivindicações estão:
- comunicação prévia aos funcionários sobre mudanças nas unidades;
- participação das entidades sindicais nas discussões;
- esclarecimento sobre os critérios para fechamento dos guichês;
- respeito às atribuições de cada cargo;
- cumprimento dos procedimentos operacionais e de segurança;
- reposição das vagas deixadas por funcionários que saíram das equipes;
- manutenção de estrutura suficiente para garantir o atendimento aos clientes.
Para o sindicato, a redução da estrutura não pode ser analisada apenas como uma decisão administrativa, já que interfere diretamente nas condições de trabalho e na experiência dos clientes.
O que muda para os clientes do Banco do Brasil?
O fechamento de guichês não significa necessariamente que uma agência inteira será encerrada.
Uma unidade pode continuar funcionando para atendimento negocial, gerencial e outros serviços mesmo depois da redução ou retirada dos caixas presenciais.
O próprio Banco do Brasil mantém uma rede de agências, caixas eletrônicos, correspondentes e canais digitais. A instituição também oferece atendimento pelo aplicativo, internet banking e WhatsApp.
Para operações específicas, entretanto, o cliente pode continuar precisando comparecer presencialmente. O banco informa, por exemplo, que algumas situações exigem atendimento na agência de referência.
Por isso, quem costuma utilizar os guichês deve verificar previamente quais serviços continuam disponíveis na unidade antes de se deslocar.
Banco oferece alternativas ao atendimento presencial
A redução da estrutura física ocorre em um momento em que o Banco do Brasil amplia as opções de atendimento remoto.
Pelo WhatsApp oficial, por exemplo, clientes podem consultar saldo e extrato, realizar Pix, pagamentos e transferências, consultar cartões, renegociar dívidas e acessar informações de agências. O canal também permite solicitar senha para atendimento presencial.
O banco também mantém atendimento telefônico pelo número 4004 0001 para capitais e regiões metropolitanas e 0800 729 0001 para as demais localidades. O SAC funciona pelo 0800 729 0722.
Para operações de autoatendimento, os clientes também podem utilizar caixas eletrônicos do próprio BB e, em determinadas situações, terminais Banco24Horas.
Fechamento dos guichês significa fechamento da agência?
Não necessariamente.
O encerramento de guichês de caixa pode fazer parte de uma reorganização interna da unidade sem que o endereço deixe de funcionar como agência.
Por isso, é preciso diferenciar três situações: fechamento de guichês, mudança de estrutura operacional e encerramento completo de uma agência.
No caso citado pelo sindicato, as denúncias apresentadas nesta reportagem estão relacionadas principalmente à redução dos guichês e à reorganização das PSOs.
Banco do Brasil se manifestou sobre os fechamentos?
Até a elaboração desta reportagem, não foi localizada manifestação pública do Banco do Brasil respondendo especificamente às denúncias apresentadas pelo sindicato sobre os fechamentos dos guichês citados, a comunicação aos funcionários e o bloqueio de vagas.
O Banco mantém, contudo, canais oficiais de atendimento e reclamação para clientes, incluindo SAC e Ouvidoria.
A reportagem poderá ser atualizada caso o banco apresente posicionamento específico sobre os casos.
O que o cliente deve fazer antes de ir a uma agência?

Diante das mudanças na estrutura presencial, a recomendação é verificar previamente se a agência oferece o serviço necessário.
O Banco do Brasil disponibiliza uma ferramenta para localizar agências e outros pontos de atendimento. Também é possível consultar alternativas pelo aplicativo, WhatsApp e canais telefônicos da instituição.
Isso pode evitar deslocamentos desnecessários, principalmente quando determinado serviço já está disponível em canais digitais ou em outra unidade.
Conclusão
As mudanças no atendimento do Banco do Brasil em São Paulo envolvem não apenas a redução de guichês, mas também uma reorganização que, segundo o sindicato, tem aumentado a pressão sobre os funcionários. Para os clientes, a principal recomendação é verificar os serviços disponíveis antes de ir à agência, já que parte das operações pode estar sendo direcionada para canais digitais ou outras unidades.
Enquanto os trabalhadores cobram mais transparência e reposição de vagas, ainda há expectativa por esclarecimentos do banco sobre os critérios adotados para as mudanças e seus impactos no atendimento presencial.
