O segundo trimestre de 2025 (2T25) trouxe números significativamente fracos para o Banco do Brasil (BBAS3), frustrando até mesmo as expectativas mais pessimistas do mercado. Apesar de semanas de revisões para baixo nas projeções e sinalizações de dificuldades operacionais, o resultado final revelou um cenário mais desafiador, com queda expressiva no lucro líquido, corte no pagamento de dividendos e aumento das provisões para perdas.
Queda de lucro e dividendo do BBAS3 preocupa, mas mercado já reage?
Banco do Brasil registra queda de 60% no lucro no 2T25, revisa guidance, reduz dividendos e vê aumento na inadimplência. Mercado reage de forma contida.
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Resultados financeiros do 2T25

O Banco do Brasil reportou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, uma retração de 60% na comparação anual, ficando abaixo até mesmo das estimativas revisadas recentemente.
Principais fatores que impactaram o resultado
- Aumento da inadimplência em diferentes segmentos
- Provisões mais elevadas para perdas com crédito
- Revisões no guidance para o restante de 2025
- Redução no payout (percentual de lucro destinado a dividendos)
Queda do ROE
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) caiu para 8,2%, marcando o menor patamar desde 2016 e ficando como o mais baixo entre os grandes bancos brasileiros no período.
Reação do mercado
No pregão desta sexta-feira (15), as ações BBAS3 abriram em queda de 2,22%, cotadas a R$ 19,41, e chegaram a entrar em leilão. Ao longo da manhã, no entanto, houve recuperação parcial, com alta de 1,76% às 11h33, cotadas a R$ 20,20.
Principais fatores que pressionaram os resultados
Piora na qualidade da carteira de crédito
A inadimplência foi um dos maiores desafios enfrentados pelo Banco do Brasil no trimestre. Os destaques negativos foram:
- Agronegócio: taxa de inadimplência atingiu 3,49%, com maior concentração nas cadeias de soja e milho
- Pequenas e médias empresas (PMEs): aumento dos atrasos, especialmente em operações renegociadas e reestruturadas
- Pessoa física: crescimento da inadimplência, com impacto relevante no crédito consignado
Custo de crédito em alta
O custo de crédito subiu 104% em relação ao mesmo período de 2024 e 57% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 15,9 bilhões.
Ajustes estratégicos anunciados
Durante a teleconferência com analistas, o CFO Giovanne Tobias afirmou que 2025 será um ano de ajuste, com recuperação prevista para 2026.
Medidas adotadas
- Maior seletividade na concessão de crédito agrícola
- Redução do guidance de crescimento da carteira agrícola
- Foco no crescimento do segmento de pessoa física, especialmente no consignado
- Migração de garantias de hipoteca para alienação fiduciária
Revisão do guidance

O banco revisou suas projeções para o ano:
Projeções atualizadas
- Lucro líquido: de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões
- Crescimento da carteira de crédito: entre 3% e 6% (antes 5,5% a 9,5%)
- Margem financeira bruta: R$ 25,06 bilhões, queda anual de 1,9%, mas alta trimestral de 4,9%
Corte de dividendos
O payout foi reduzido de 45% para 30%, medida interpretada como conservadora e voltada à preservação de capital diante de um cenário mais desafiador.
Impacto no dividendo
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Isso representa um dividend yield estimado de 6% no ano, abaixo da média histórica.
Avaliação de analistas
XP Investimentos
A XP destacou que os resultados fracos eram esperados, mas a piora da inadimplência superou as previsões iniciais. A recomendação segue neutra.
Genial Investimentos
A casa ressaltou que os problemas no agronegócio e o aumento no custo de crédito foram os principais pontos de pressão, mas acredita em recuperação moderada no segundo semestre.
Bradesco BBI
Enfatizou que a queda no lucro foi puxada pelas provisões, mas que o corte no guidance não foi tão severo quanto se imaginava.
Perspectivas para o segundo semestre

O Banco do Brasil projeta um 3T25 estável ou levemente melhor que o segundo trimestre, e um 4T25 mais próximo do 1T25 em termos de desempenho.
Fatores de recuperação
- Controle da inadimplência
- Ajustes na carteira agrícola
- Evolução do cenário macroeconômico
Conclusão
O segundo trimestre de 2025 marcou um dos resultados mais fracos do Banco do Brasil nos últimos anos, com forte queda no lucro, aumento expressivo das provisões e corte nos dividendos. Apesar de o mercado já esperar números ruins, a deterioração da qualidade de crédito no agronegócio e em PMEs surpreendeu negativamente. Para o investidor, o momento exige cautela, pois a recuperação só deve ganhar força a partir de 2026, segundo a própria gestão.
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