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Banco do Brasil sobe 18% após medida provisória do governo

O Banco do Brasil (BBAS3) tem estado entre os papéis mais comentados da Bolsa de Valores em 2025. Diferente de anos anteriores, quando a instituição era destaqu

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Lucros

O Banco do Brasil (BBAS3) tem estado entre os papéis mais comentados da Bolsa de Valores em 2025. Diferente de anos anteriores, quando a instituição era destaque pela solidez e forte presença no mercado financeiro, agora o banco lida com uma série de fatores que pressionaram seus resultados. A combinação de alta da inadimplência no agronegócio, novas regras do Banco Central e a necessidade de maiores provisões para perdas culminou em uma queda expressiva do lucro.

Enquanto o banco tenta ajustar sua estratégia, investidores e analistas avaliam se a recente ajuda do governo será suficiente para reverter o quadro e devolver confiança ao mercado.

Leia mais:

A inadimplência no agronegócio e o impacto nos números

Do motor da economia ao foco de preocupação

O agronegócio sempre foi considerado um dos pilares do Banco do Brasil. No entanto, o setor registrou uma piora significativa em seus indicadores de crédito. A inadimplência acima de 90 dias, que girava em torno de 1%, disparou para níveis entre 3% e 4%.

Essa deterioração ocorreu em paralelo à aplicação da Resolução CMN 4.966, do Banco Central, que obrigou os bancos a provisionarem perdas esperadas, em vez de apenas as perdas efetivas.

Queda abrupta do lucro

O efeito foi devastador para o balanço. O lucro do Banco do Brasil caiu pela metade, passando de R$ 9 bilhões para cerca de R$ 4 bilhões. O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que já foi de 22%, despencou para 8%.

Com isso, a instituição reduziu a distribuição de dividendos, passando a remunerar os acionistas com 30% dos lucros, gerando um dividend yield de apenas 4%, bem abaixo dos 10% de anos anteriores.

A reação do mercado e da política

Narrativa do governo

No Palácio do Planalto, a leitura foi distinta. O aumento da inadimplência foi parcialmente atribuído à expectativa criada no setor rural de que haveria renegociação de dívidas em condições mais favoráveis.

De fato, o Congresso aprovou uma linha de crédito subsidiado para o agro, o que pode ter incentivado alguns produtores a adiar pagamentos na esperança de melhores condições futuras.

Confiança em Tarciana Medeiros

Apesar dos resultados ruins, a CEO Tarciana Medeiros segue com apoio político. Fontes ligadas ao governo reforçam que ela ainda tem prestígio dentro do Planalto, o que garante estabilidade na condução da instituição em um momento delicado.

A ajuda do governo e a Medida Provisória

R$ 12 bilhões para renegociação

Com o setor em crise, o governo anunciou uma Medida Provisória (MP) para renegociação de dívidas rurais, disponibilizando R$ 12 bilhões em linhas de crédito.

O objetivo é apoiar até 100 mil produtores, especialmente pequenos e médios agricultores. Os programas incluem condições diferenciadas de financiamento:

  • Pronaf (Agricultura Familiar): até R$ 250 mil com juros de 6% ao ano.
  • Pronamp (Médios produtores): até R$ 1,5 milhão com juros de 8% ao ano.
  • Demais produtores: até R$ 3 milhões com juros de 10% ao ano, com prazo de até nove anos, incluindo um ano de carência.

Segundo a CEO do Banco do Brasil, cerca de 48 mil clientes estão inadimplentes, e a MP pode ajudar a reverter parte desse cenário.

Expectativa de recuperação

Para Tarciana Medeiros, a renegociação pode acelerar a retomada dos resultados, mas ainda há incerteza sobre o ritmo de adesão. O mercado vê a MP como positiva, mas analistas alertam que o impacto pode ser apenas temporário.

O papel do Banco Central na flexibilização

Além do governo, o Banco Central revisou a Resolução 4.966/2021, permitindo reclassificação de empréstimos de longo prazo desde que os clientes comprovem capacidade de pagamento.

Essa alteração pode beneficiar uma carteira de até R$ 12,5 bilhões em atrasos, trazendo alívio potencial de R$ 2 bilhões por ano na margem financeira bruta do Banco do Brasil.

O que dizem os analistas

Medida pode ser paliativa

Para especialistas, a MP é um fôlego importante, mas não resolve problemas estruturais. O agronegócio é altamente sensível ao clima e aos preços internacionais, o que torna as soluções temporárias arriscadas.

O analista Bruno Komura, da Potenzia Investimentos, avalia que parte da carteira prorrogada pode apenas adiar inadimplências futuras.

Recomendações de bancos de investimento

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  • XP Investimentos: reduziu o preço-alvo das ações do BB, citando riscos macroeconômicos e altas taxas de juros.
  • Banco Safra: manteve recomendação neutra, destacando fundamentos fracos e endividamento elevado do agronegócio.

Ainda assim, o baixo preço relativo das ações tem atraído investidores que buscam oportunidades de longo prazo.

Ações do Banco do Brasil e a percepção do investidor

Recuperação parcial em 2025

Apesar das más notícias, as ações BBAS3, que chegaram a acumular queda de 23% no ano, agora registram baixa de apenas 8%. Desde a mínima, já houve uma recuperação de 18%.

O papel se tornou o mais negociado por pessoas físicas na B3, ultrapassando até mesmo a Vale (VALE3).

Preços e perspectivas

O analista Flavio Conde, da Levante, defende a compra do papel, mas alerta que não há espaço para grandes saltos no preço. Segundo ele, dificilmente as ações voltarão ao pico de R$ 29,76 no curto prazo, mas devem se manter afastadas do fundo de R$ 18.

Valuation atrativo

Comparado aos pares privados, o Banco do Brasil está descontado. Enquanto Bradesco negocia a 110% do valor patrimonial e Itaú perto de 200%, o BB está em apenas 70%. Isso reforça a visão de que há oportunidade, embora o risco seja elevado.

Riscos adicionais e incertezas políticas

Além da inadimplência e da desaceleração econômica, há riscos políticos que podem afetar o desempenho das ações. A possibilidade de repercussões da chamada Lei Magnitsky, aplicada contra autoridades brasileiras, foi citada como um fator externo que pode trazer volatilidade inesperada.

Conclusão: oportunidade ou armadilha?

O Banco do Brasil enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. A queda de 50% no lucro, o aumento da inadimplência no agronegócio e a necessidade de maiores provisões pressionaram resultados e acionistas.

No entanto, o apoio do governo, a renegociação de dívidas e a flexibilização regulatória podem garantir algum alívio nos próximos trimestres.

Para investidores, o papel representa tanto um risco elevado quanto uma oportunidade de valorização, dependendo da capacidade do banco em atravessar essa crise sem deteriorar ainda mais seus fundamentos.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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