As ações do Banco do Brasil (BBAS3) sofreram forte queda nesta quarta-feira (16), refletindo a reação negativa do mercado a um relatório divulgado pelo banco americano J.P. Morgan. Por volta das 12h20, os papéis registravam baixa de 3,35%, sendo negociados a R$ 20,20 na B3 (Bolsa de Valores brasileira).
Ações do Banco do Brasil caem forte após alerta de banco estrangeiro
Ações do Banco do Brasil caem após relatório do J.P. Morgan, que reduziu o preço-alvo dos papéis e alertou para riscos no crédito agrícola.
O documento do J.P. Morgan manteve a recomendação neutra para os ativos. No entanto, reduziu o preço-alvo das ações de R$ 28 para R$ 26.
Essa revisão sinalizou ao mercado um cenário mais desafiador do que o previsto anteriormente — especialmente no segmento de crédito agrícola, considerado estratégico para o Banco do Brasil.
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O que motivou a queda das ações do Banco do Brasil

Relatório do J.P. Morgan aponta riscos crescentes
Segundo o relatório enviado aos investidores, a perspectiva para o crédito rural piorou nas últimas semanas, com base em dados divulgados pelo Banco Central.
O J.P. Morgan avalia que o segundo trimestre de 2025 deve ser ainda mais difícil do que o primeiro, impactando diretamente o desempenho financeiro do Banco do Brasil.
“Embora investidores já esperem um segundo trimestre desafiador, nossa preocupação é que o cenário possa ser ainda mais difícil”, diz o relatório.
O documento destaca o risco de alta na inadimplência no setor agropecuário. A instituição estima que a formação de novos créditos problemáticos no agronegócio pode dobrar na comparação com o primeiro trimestre, que já havia sido pressionado.
Revisão do preço-alvo
A decisão de reduzir o preço-alvo dos papéis, de R$ 28 para R$ 26, foi interpretada por muitos analistas como um sinal de que o banco enfrenta mais obstáculos do que o mercado vinha precificando. Ainda assim, o J.P. Morgan ressaltou que parte desses desafios já está incorporada ao valor atual das ações.
“Entendemos que o consenso de mercado ainda pode precisar se ajustar”, afirmou o banco americano.
Repercussão no mercado financeiro
Ações reagem com forte recuo
A reação foi imediata. Em um dia de tensão generalizada nos mercados, com o dólar em alta e o Ibovespa em queda, as ações do Banco do Brasil se destacaram entre as maiores perdas da sessão.
O impacto também foi sentido em outras instituições financeiras, mas o BB concentrou a maior atenção pela ligação direta com o crédito agrícola.
Analistas revisam projeções
Após o relatório, casas de análise nacionais e internacionais iniciaram revisões em suas projeções para o BB.
A tendência, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, é de um rebaixamento gradual das expectativas de lucro para o segundo semestre de 2025, além de possível revisão nos dividendos esperados.
O agronegócio como fator de risco para o BB
Exposição significativa ao crédito rural
O Banco do Brasil tem posição dominante no financiamento ao agronegócio no país. Mais de 50% de sua carteira de crédito rural está voltada a pequenos e médios produtores.
Essa concentração, que normalmente é considerada um trunfo, pode se transformar em vulnerabilidade diante de fatores como inadimplência e clima desfavorável.
Inadimplência e revisão do plano safra
Nos bastidores do setor bancário, há preocupação com o ritmo de inadimplência nas linhas de crédito rural, que podem ser impactadas por frustrações de safra e pelo custo elevado de produção.
Além disso, mudanças recentes no Plano Safra 2025/2026, como redução de subsídios e reestruturação de linhas de crédito, afetam diretamente o volume e a qualidade das concessões.
Histórico e perspectiva das ações do Banco do Brasil
Desempenho em 2025
Apesar da queda expressiva nesta quarta, o papel BBAS3 acumulava desempenho positivo de cerca de 8% no ano até o fechamento da última terça-feira. Analistas vinham destacando a solidez do banco, o bom índice de capitalização e a consistência dos resultados nos últimos trimestres.
No entanto, o relatório do J.P. Morgan aponta que o atual preço das ações pode já não refletir adequadamente o cenário de riscos mais intensos à frente.
Expectativa para os próximos trimestres
Especialistas em mercado financeiro acreditam que o BB deverá adotar uma postura mais cautelosa nos próximos meses, reduzindo o ritmo de concessões de crédito e promovendo ajustes em seu plano de distribuição de dividendos.
Segundo o relatório, uma das estratégias do banco pode ser diminuir o payout (percentual do lucro distribuído aos acionistas) como forma de preservar capital, especialmente diante do possível aumento nas perdas com inadimplência.
Impacto no investidor e no setor financeiro
Investidores institucionais reavaliam posição
Com a perspectiva de aumento nos riscos e a queda nos preços, investidores institucionais – como fundos de pensão e grandes gestoras – devem reavaliar suas posições em BBAS3.
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A exposição ao setor agrícola, embora historicamente lucrativa, exige atenção redobrada em ciclos de maior incerteza econômica e climática.
Reação do varejo
No segmento de investidores pessoas físicas, o impacto da notícia foi igualmente sentido.
Nas redes sociais e fóruns de finanças, como o Fórum Investidor Inteligente e o X (antigo Twitter), pequenos acionistas demonstraram preocupação com a desvalorização repentina e questionaram se é hora de vender ou manter os papéis.
Oportunidade ou risco?
Alguns analistas enxergam a correção como oportunidade de entrada para quem acredita na resiliência do BB, sobretudo em um contexto de possíveis cortes na taxa Selic, que podem favorecer o setor bancário como um todo.
Outros, porém, recomendam cautela, argumentando que o mercado ainda pode revisar para baixo os lucros projetados para o segundo semestre.
Como o Banco do Brasil tem reagido

Comunicação institucional
Até o fechamento desta matéria, o Banco do Brasil ainda não havia emitido comunicado oficial sobre o relatório do J.P. Morgan. Internamente, porém, a diretoria da instituição considera que os fundamentos do banco seguem sólidos e que as projeções do banco americano são “excessivamente conservadoras”.
Fontes ligadas à presidência do BB indicam que o banco pode reforçar sua comunicação com o mercado nos próximos dias, detalhando estratégias para mitigar os impactos apontados no relatório.
Histórico de superação
Vale lembrar que o Banco do Brasil já enfrentou outras turbulências semelhantes, como durante a pandemia de Covid-19 e as eleições de 2022. Em ambas as ocasiões, o banco se mostrou resiliente, mantendo a lucratividade e controlando a inadimplência com relativa eficiência.
Conclusão: o que esperar do Banco do Brasil após o alerta
A queda nas ações do Banco do Brasil nesta quarta-feira acendeu um sinal de alerta para investidores e analistas. O relatório do J.P. Morgan jogou luz sobre fragilidades específicas do banco no atual cenário econômico, sobretudo no que diz respeito à exposição ao agronegócio.
Apesar disso, o BB segue sendo uma das instituições financeiras mais sólidas do país, com altos níveis de capital, governança reconhecida e protagonismo no financiamento rural. O momento exige atenção, mas ainda não indica, segundo a maioria dos analistas, uma crise estrutural.
Para o investidor, o momento pede cautela, análise de fundamentos e avaliação do apetite ao risco.
Ações como BBAS3 continuam relevantes para quem busca dividendos e solidez, mas o cenário exige acompanhamento próximo das próximas divulgações trimestrais e eventuais atualizações na política econômica.
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