O Banco do Brasil divulgará os resultados do terceiro trimestre de 2026 em 11 de novembro, em meio a expectativas divergentes sobre o desempenho financeiro da instituição. Enquanto o BTG Pactual projeta lucro próximo de R$ 1,9 bilhão, o Goldman Sachs estima R$ 3,7 bilhões em lucro recorrente.
A diferença entre as previsões reflete a incerteza sobre a capacidade do banco de enfrentar o aumento da inadimplência sem comprometer ainda mais sua rentabilidade. O agronegócio concentra parte importante das preocupações, especialmente diante das dificuldades de pagamento enfrentadas por produtores rurais.
A divulgação também ocorre após uma forte desvalorização das ações BBAS3. Entre 23 de outubro e 5 de novembro, os papéis passaram de R$ 24,72 para R$ 16,49, uma queda de aproximadamente 33,3%.
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O que esperar do balanço do Banco do Brasil no terceiro trimestre?

As projeções das instituições financeiras indicam que o resultado do Banco do Brasil deverá continuar pressionado pelo aumento das despesas com provisões para perdas de crédito.
O BTG Pactual apresenta uma das avaliações mais conservadoras, com estimativa de lucro próxima de R$ 1,9 bilhão e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de aproximadamente 4%. A instituição mantém recomendação neutra para as ações BBAS3, com preço-alvo de R$ 18.
Já o Goldman Sachs trabalha com uma perspectiva mais favorável para o lucro recorrente, estimado em R$ 3,7 bilhões. Apesar disso, o banco prevê despesas de R$ 20,3 bilhões com provisões para perdas de crédito, indicando que a inadimplência continuará sendo um dos principais desafios da instituição.
A XP Investimentos também projeta enfraquecimento do desempenho financeiro, com queda trimestral de 29% no lucro e ROE estimado em 6%.
As estimativas utilizam critérios diferentes e não devem ser comparadas diretamente. Ainda assim, mostram que o custo do crédito será determinante para avaliar a capacidade de recuperação do Banco do Brasil.
Por que as projeções de lucro são tão diferentes?
A divergência está relacionada principalmente às premissas utilizadas por cada instituição para calcular as perdas com crédito, o comportamento da inadimplência e a recuperação dos empréstimos.
O lucro recorrente também considera ajustes específicos para avaliar o desempenho habitual da operação, enquanto o lucro líquido contábil pode incluir efeitos extraordinários.
Por isso, um resultado mais elevado não significa necessariamente que o banco tenha superado seus problemas. Será necessário observar também as provisões, a qualidade da carteira de crédito e a rentabilidade.
Queda das ações BBAS3 aumenta preocupação dos investidores
As ações do Banco do Brasil enfrentaram uma forte desvalorização no fim de outubro e início de novembro.
Em 23 de outubro, os papéis BBAS3 fecharam negociados a R$ 24,72. Já em 5 de novembro, a cotação chegou a R$ 16,49, representando uma perda nominal de aproximadamente 33,3% no período.
A queda aumentou a cautela dos investidores em relação à instituição, que enfrenta dificuldades para recuperar a rentabilidade diante do encarecimento do risco de crédito.
Além das preocupações com os resultados financeiros, o ambiente de mercado também influencia o comportamento das ações. Por isso, a desvalorização não deve ser atribuída exclusivamente a um único acontecimento.
Para os acionistas, o próximo balanço será uma oportunidade de avaliar se o banco está próximo de estabilizar sua situação financeira ou se ainda precisará enfrentar um período prolongado de resultados mais fracos.
Inadimplência no agronegócio pressiona resultados do Banco do Brasil
A carteira rural concentra uma parcela importante das preocupações relacionadas ao desempenho da instituição.
Em junho de 2026, a inadimplência superior a 90 dias nas operações rurais atingiu 6,27%. O indicador mostra o aumento das dificuldades de pagamento entre produtores financiados pelo banco.
Quando um cliente deixa de pagar uma operação de crédito, a instituição precisa avaliar a possibilidade de não recuperar integralmente o dinheiro emprestado. Isso exige a formação de provisões, que são recursos reservados para cobrir eventuais perdas.
Quanto maior o risco de inadimplência, maior tende a ser a necessidade de provisões. Esse movimento reduz o resultado financeiro e pode comprometer a rentabilidade do banco.
Apesar das dificuldades enfrentadas por parte dos produtores, o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, rejeitou a interpretação de que o setor atravessa uma crise generalizada.
“O agro não está quebrado, não está em crise, está pujante”, afirmou o executivo.
A declaração diferencia a capacidade produtiva do agronegócio das dificuldades financeiras enfrentadas por determinados produtores rurais.
Um setor pode continuar apresentando produção relevante e movimentação econômica enquanto parte dos participantes enfrenta problemas para honrar compromissos financeiros.
Renegociação de dívidas pode ajudar na recuperação do crédito?
O Banco do Brasil vem adotando medidas para renegociar dívidas de produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras.
Uma das iniciativas relacionadas ao tema envolve a Medida Provisória 1.376, voltada à reestruturação de dívidas do setor agropecuário.
A renegociação permite reorganizar compromissos financeiros e estabelecer novas condições de pagamento para produtores que atendam aos critérios previstos.
Entretanto, a medida não elimina automaticamente o risco de crédito. O banco continua dependendo do cumprimento dos novos contratos para recuperar os valores emprestados.
Isso significa que os efeitos positivos das renegociações podem aparecer gradualmente nos resultados, conforme os pagamentos forem normalizados.
Além do agronegócio, a deterioração de determinadas modalidades de crédito para pessoas físicas também merece atenção, especialmente nas operações de cartões e empréstimos.
O que observar no balanço do Banco do Brasil em 11 de novembro?
A divulgação dos resultados do terceiro trimestre deverá trazer informações importantes sobre a capacidade da instituição de controlar as perdas e recuperar sua rentabilidade.
Entre os principais indicadores que merecem atenção estão:
- Lucro líquido ajustado: mostra o resultado recorrente das operações e permite acompanhar a evolução do desempenho financeiro.
- Provisões para perdas de crédito: indicam quanto o banco está reservando para cobrir possíveis inadimplências.
- Inadimplência acima de 90 dias: ajuda a identificar a evolução dos atrasos nos pagamentos.
- Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE): demonstra a capacidade de gerar lucro utilizando o capital próprio.
- Projeções para 2026: indicam as expectativas da administração para o desempenho anual.
Outro ponto importante será a evolução das projeções financeiras do banco.
A instituição já revisou suas estimativas para 2026, reduzindo a faixa esperada de lucro líquido ajustado de R$ 20 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.
Uma nova revisão poderá alterar as expectativas do mercado para os próximos trimestres. Por outro lado, sinais de estabilização da inadimplência e redução das provisões poderiam contribuir para melhorar a percepção dos investidores.
O que o balanço pode significar para quem investe em BBAS3?

Para quem possui ações do Banco do Brasil, o resultado será importante para avaliar se a instituição está conseguindo controlar os problemas relacionados à carteira de crédito.
Um lucro acima das estimativas mais pessimistas poderá melhorar a percepção do mercado, mas não necessariamente representará uma recuperação consolidada.
Será necessário verificar se o desempenho veio acompanhado de melhora na qualidade dos ativos, redução das provisões e recuperação do retorno sobre o patrimônio líquido.
Da mesma forma, um resultado abaixo das expectativas poderá aumentar a preocupação com a capacidade de geração de lucro da instituição e provocar novas avaliações sobre o preço das ações.
O Banco do Brasil continua sendo uma instituição de grande relevância no sistema financeiro brasileiro, mas enfrenta um ciclo de crédito desafiador.
A divulgação de 11 de novembro deverá esclarecer a dimensão dessas dificuldades e indicar quais condições serão necessárias para a recuperação da rentabilidade.
Conclusão
O balanço do terceiro trimestre será decisivo para avaliar a situação financeira do Banco do Brasil e suas perspectivas para os próximos meses. Com a inadimplência rural pressionando as provisões e a rentabilidade, a instituição precisará demonstrar que consegue controlar os riscos e recuperar a capacidade de geração de lucro.
Para os investidores, mais importante do que o resultado isolado será identificar sinais de melhora na qualidade da carteira de crédito e de estabilização das despesas. A divulgação de 11 de novembro poderá ajudar a esclarecer se o banco está próximo de superar essa fase de pressão ou se ainda enfrentará novos desafios antes de retomar um desempenho mais consistente.
