Problemas com bancos nem sempre terminam no primeiro contato com o atendimento. Cobranças que o cliente não reconhece, dificuldades com Pix, cartões, empréstimos ou contas podem gerar uma sequência de protocolos sem que uma solução seja apresentada.
Quando isso acontece, uma das alternativas disponíveis ao consumidor é registrar uma reclamação no Banco Central do Brasil. O procedimento pode aumentar a pressão para que a instituição analise formalmente a situação, já que a demanda é encaminhada ao banco, que deve responder ao cidadão em até 10 dias úteis.
Mas é importante entender exatamente o papel do Banco Central nesse processo. O BC não funciona como um Procon e não determina, em uma reclamação individual, que o banco devolva dinheiro ou pague uma indenização. A reclamação, porém, é encaminhada à instituição e também pode servir de subsídio para ações de supervisão do sistema financeiro.
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O que acontece quando o cliente reclama no Banco Central?

O Banco Central mantém um canal para reclamações contra instituições que estão sob sua supervisão, incluindo bancos, instituições financeiras, instituições de pagamento e administradoras de consórcios.
Segundo as orientações oficiais do BC, podem ser apresentadas reclamações relacionadas a assuntos regulados pelo órgão, como conta bancária, cartão de crédito, empréstimos e Pix.
Depois do registro, a demanda é encaminhada à instituição reclamada. A regra estabelece prazo de até 10 dias úteis para que o banco ou instituição apresente uma resposta ao titular da reclamação.
A Resolução BCB nº 222 determina ainda que a resposta deve tratar de forma conclusiva das ocorrências apresentadas pelo consumidor. Ou seja, não basta simplesmente registrar que houve contato: a instituição precisa responder aos pontos que constam na demanda.
Reclamar no Banco Central faz o banco resolver o problema?
Não existe garantia de que a reclamação resultará na solução desejada pelo cliente.
Esse é um ponto importante porque o próprio Banco Central esclarece que não atua diretamente na resolução de casos individuais. O órgão não substitui o Poder Judiciário nem os órgãos de defesa do consumidor.
Na prática, porém, o registro cria uma demanda formal que precisa ser respondida pela instituição dentro das regras estabelecidas pelo BC.
Além disso, as reclamações recebidas têm outra finalidade: fornecer informações para as atividades de fiscalização e supervisão do sistema financeiro.
Uma amostra das reclamações respondidas pelas instituições é analisada pelo Banco Central. Quando há indício de descumprimento de normas, a demanda pode ser classificada como procedente.
Esses registros também são utilizados na elaboração do Ranking de Reclamações do Banco Central.
É obrigatório reclamar primeiro no próprio banco?
Não. Esse é um ponto que merece atenção porque informações desatualizadas na internet podem levar o consumidor a acreditar que existe essa obrigação.
O Banco Central informa atualmente que tentar resolver o problema diretamente com a instituição antes de registrar a reclamação no BC não é uma etapa obrigatória e não impede a abertura da demanda.
Mesmo assim, procurar primeiro o banco continua sendo uma estratégia recomendável.
O consumidor pode começar pelo atendimento convencional ou pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Se não conseguir uma solução, pode procurar a ouvidoria da instituição.
A vantagem é criar um histórico do problema, com números de protocolo, datas dos contatos e respostas recebidas.
Em muitos casos, a própria ouvidoria pode solucionar a questão antes que seja necessário recorrer a outros canais.
Quais problemas podem ser reclamados ao Banco Central?
A reclamação precisa envolver uma instituição supervisionada pelo BC e estar relacionada a assuntos que fazem parte da competência regulatória da autoridade monetária.
Entre as situações que podem gerar reclamações estão problemas relacionados a:
- contas bancárias;
- cartões de crédito;
- empréstimos e financiamentos;
- Pix;
- serviços financeiros;
- cobranças e operações realizadas por instituições supervisionadas;
- determinadas questões envolvendo instituições de pagamento;
- consórcios administrados por empresas supervisionadas pelo BC.
O consumidor deve relatar exatamente o que aconteceu, evitando informações genéricas.
Em uma cobrança não reconhecida, por exemplo, é melhor informar quando ela apareceu, o valor, qual produto financeiro está envolvido, quando o banco foi procurado e qual resposta foi apresentada.
Fraudes e problemas com Pix também podem ser reclamados?
Sim. O Banco Central inclui o Pix entre os assuntos que podem ser objeto de reclamações relacionadas às instituições supervisionadas.
Nesse tipo de situação, entretanto, rapidez é especialmente importante.
Ao perceber uma movimentação suspeita, o consumidor deve procurar imediatamente sua instituição financeira pelos canais oficiais. Dependendo das circunstâncias, existem procedimentos específicos dentro do próprio sistema Pix para tratamento de fraudes.
A reclamação ao BC pode ser utilizada quando houver questionamentos sobre a atuação da instituição, mas ela não substitui as providências imediatas necessárias para tentar conter os prejuízos.
Também é recomendável guardar comprovantes da transferência, protocolos, horários dos contatos realizados e demais documentos relacionados à ocorrência.
Como fazer uma reclamação contra um banco no Banco Central
O registro pela internet pode ser realizado no serviço de reclamações contra bancos e outras instituições disponibilizado pelo Banco Central.
Para utilizar o serviço digital identificado, o BC informa que é necessária uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada.
Depois de acessar o sistema, o consumidor deve identificar a instituição e relatar o problema.
Uma boa descrição deve seguir uma sequência simples:
1. Explique o que aconteceu: informe qual produto ou serviço apresentou problema.
2. Apresente datas e valores: quanto mais precisas forem as informações, mais fácil será compreender a ocorrência.
3. Informe os protocolos: caso já tenha procurado SAC, agência, atendimento digital ou ouvidoria, inclua esses registros.
4. Explique a resposta recebida: informe se o banco negou a solicitação, não respondeu ou apresentou uma solução considerada inadequada.
5. Diga o que está sendo solicitado: deixe claro qual providência espera da instituição.
A objetividade ajuda a evitar dúvidas durante a análise da reclamação.
Quais documentos devem ser guardados?
Organizar as provas antes de registrar a reclamação pode facilitar bastante o processo.
Dependendo do problema, vale separar:
- protocolos de atendimento;
- extratos bancários;
- faturas do cartão;
- contratos;
- comprovantes de pagamento;
- comprovantes de transferências e Pix;
- mensagens trocadas com o atendimento;
- e-mails enviados ou recebidos;
- capturas de tela do aplicativo;
- documentos relacionados à cobrança contestada.
Também é interessante criar uma pequena cronologia dos acontecimentos.
Por exemplo: cobrança identificada no dia 5, primeiro contato com o banco no dia 6, protocolo recebido, nova ligação no dia 9 e resposta da ouvidoria no dia 12.
Essa sequência torna a reclamação mais fácil de compreender.
Banco tem até 10 dias úteis para responder
Uma das principais características da reclamação registrada no Banco Central é a existência de prazo para a resposta da instituição.
Conforme a regulamentação do BC, a instituição reclamada deve encaminhar uma resposta ao titular da demanda em até 10 dias úteis a partir da disponibilização do registro.
A resposta deve abordar de maneira conclusiva as ocorrências relatadas pelo consumidor.
O Banco Central também informa que o andamento da demanda pode ser acompanhado na área logada do Meu BC, na opção destinada às demandas registradas.
É importante não confundir esse prazo com uma garantia de resolução em 10 dias úteis. A obrigação é de resposta à reclamação; o resultado pode ou não atender à pretensão do consumidor.
Banco Central pode mandar o banco devolver dinheiro?
A reclamação ao Banco Central não funciona como uma decisão judicial.
O BC deixa claro que não atua na resolução dos conflitos individuais entre clientes e instituições supervisionadas.
Portanto, registrar a demanda não significa que o Banco Central determinará automaticamente o cancelamento de uma dívida, a devolução de uma tarifa, o estorno de uma transferência ou o pagamento de uma indenização.
A função do sistema é encaminhar a reclamação para resposta da instituição e utilizar as informações recebidas como subsídio para supervisão, regulação e acompanhamento do mercado financeiro.
Isso não torna o procedimento inútil. Pelo contrário: ele acrescenta um registro formal à tentativa de solução e exige uma manifestação da instituição dentro do prazo regulamentar.
E se o banco responder, mas não resolver?
Receber uma resposta não significa necessariamente que o conflito chegou ao fim.
Se a instituição negar a solicitação ou apresentar uma resposta que não resolva a situação, o consumidor pode avaliar outros canais.
O próprio Banco Central orienta que, quando o problema não for solucionado, podem ser procurados órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, além da plataforma Consumidor.gov.br.
Dependendo do caso, também existe a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário.
Nesse momento, toda a documentação acumulada durante as tentativas anteriores pode ser útil: protocolos, respostas da ouvidoria, comprovantes e a própria manifestação apresentada pela instituição após a reclamação no BC ajudam a demonstrar o histórico do conflito.
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Reclamação no BC pode entrar no Ranking de Reclamações

As demandas registradas pelos consumidores também desempenham uma função coletiva.
O Banco Central utiliza uma metodologia estatística para selecionar e analisar uma amostra das reclamações respondidas pelas instituições. Os registros considerados procedentes podem integrar os dados utilizados no Ranking de Reclamações.
O ranking de bancos, financeiras e instituições de pagamento é divulgado periodicamente e permite comparar o desempenho das instituições a partir das reclamações reguladas consideradas procedentes.
Dessa forma, a reclamação de um cliente pode contribuir não apenas para provocar uma resposta da instituição, mas também para fornecer informações utilizadas pelo regulador no acompanhamento do mercado.
Vale a pena procurar a ouvidoria antes do Banco Central?
Na maioria das situações, sim.
Embora o contato prévio não seja obrigatório para registrar uma reclamação no BC, a ouvidoria é justamente o setor criado para tratar demandas que não foram resolvidas adequadamente pelos canais convencionais.
O Banco Central destaca que as instituições supervisionadas devem oferecer atendimento por meio de suas ouvidorias e observa que, em muitos casos, esse contato pode resultar em uma solução mais rápida.
Por isso, uma sequência prática para o consumidor pode ser:
atendimento ou SAC → ouvidoria → reclamação no Banco Central e/ou órgãos de defesa do consumidor.
A ordem pode variar conforme a gravidade e as características do problema.
Cuidado com golpes ao procurar atendimento bancário
Quem está enfrentando dificuldades com um banco também deve tomar cuidado ao pesquisar telefones e canais de atendimento pela internet.
Golpistas podem criar páginas falsas, anúncios patrocinados e números que imitam centrais de atendimento.
Por isso, procure os canais diretamente no aplicativo oficial, no cartão, nos documentos da instituição ou em páginas oficiais.
Nunca informe senha, código de autenticação ou token a uma pessoa que entrou em contato alegando que precisa desses dados para “resolver uma reclamação no Banco Central”.
O registro de uma reclamação no BC também não exige transferência de dinheiro para liberar estorno, cancelar dívida ou recuperar valores.
Perguntas frequentes sobre reclamação no Banco Central
Quanto tempo o banco tem para responder?
A instituição reclamada deve encaminhar uma resposta ao consumidor em até 10 dias úteis após a disponibilização do registro da reclamação, conforme as regras do Banco Central.
Preciso falar com o banco antes?
Não é obrigatório. O próprio Banco Central esclarece que a tentativa prévia de solução não impede nem condiciona o registro. Ainda assim, procurar SAC e ouvidoria pode resolver o problema mais rapidamente e gerar protocolos úteis.
Posso reclamar de problema com Pix?
Sim. O Pix está entre os assuntos regulados pelo Banco Central que podem ser objeto de reclamação quando o problema envolver uma instituição supervisionada.
O Banco Central pode obrigar o banco a me indenizar?
A reclamação administrativa não funciona dessa maneira. O BC não resolve conflitos individuais nem determina indenizações ao consumidor por meio desse canal.
Preciso de conta Gov.br?
Para registrar a reclamação identificada pela internet, o Banco Central informa que é necessário utilizar uma conta Gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas habilitada.
O que fazer se a resposta do banco não resolver?
O consumidor pode procurar o Procon, utilizar o Consumidor.gov.br e, conforme o caso, recorrer ao Poder Judiciário. Guardar os protocolos e as respostas recebidas pode ajudar nas etapas seguintes.
Reclamação é uma ferramenta de pressão, mas não substitui outros direitos
Registrar uma reclamação no Banco Central pode ser uma medida importante quando o relacionamento com uma instituição financeira chega a um impasse.
O principal efeito imediato é fazer com que a demanda seja encaminhada formalmente à instituição, que deverá apresentar uma resposta dentro do prazo regulamentar de até 10 dias úteis.
Ao mesmo tempo, o consumidor precisa ter expectativas corretas: o Banco Central não atua como juiz do conflito individual e não garante que o banco aceitará o pedido apresentado.
Por isso, o melhor caminho é documentar todas as tentativas de solução, utilizar os canais oficiais da instituição e, quando necessário, combinar a reclamação ao BC com os mecanismos de proteção ao consumidor e as medidas judiciais cabíveis.
Referências para apuração: Banco Central do Brasil — serviço “Reclamação contra bancos e outras instituições”, FAQ de atendimento ao cidadão, Ranking de Reclamações e Resolução BCB nº 222. Informações oficiais consultadas e atualizadas em 2026.



