Os resultados divulgados por bancos dos Estados Unidos no terceiro trimestre de 2026 apontam uma combinação de melhora na rentabilidade, expansão da margem financeira e desaceleração no crescimento dos empréstimos. Uma análise da Raymond James, publicada na sexta-feira, avaliou os balanços de 186 instituições entre 429 bancos de capital aberto com mais de US$ 750 milhões em ativos.
Até o momento considerado pelo levantamento, 59% dos bancos que divulgaram seus resultados superaram as estimativas do mercado. O percentual representa uma redução em relação aos 67% registrados no segundo trimestre, indicando que, embora parte das instituições continue apresentando desempenho acima das expectativas, o ritmo de surpresas positivas diminuiu.
A receita mediana cresceu 2,4% em relação ao trimestre anterior. O principal impulso veio da receita líquida de juros, que corresponde à diferença entre o que os bancos recebem em operações de crédito e investimentos e o que pagam para captar recursos. A queda nas receitas provenientes de tarifas, porém, limitou parte desse avanço.
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Margem financeira cresce com aumento dos rendimentos

A margem líquida de juros mediana subiu quatro pontos-base, alcançando 3,75% no terceiro trimestre. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. O indicador ajuda a medir a eficiência com que uma instituição transforma seus ativos financeiros em receita líquida de juros.
Os rendimentos dos ativos geradores de receita aumentaram 11 pontos-base. Dentro desse grupo, a rentabilidade dos empréstimos avançou oito pontos-base, enquanto os rendimentos dos títulos subiram dez pontos-base. Ao mesmo tempo, o custo mediano de captação aumentou cinco pontos-base.
O custo dos depósitos principais, que representam uma fonte relevante de financiamento para os bancos, cresceu sete pontos-base. Mesmo com essa pressão, a elevação dos rendimentos dos ativos contribuiu para ampliar a margem financeira.
A receita líquida de juros avançou 3,2% na mediana em comparação com o segundo trimestre. Esse movimento mostra que a atividade de crédito e os investimentos continuaram sustentando parte importante dos resultados bancários.
Crescimento do crédito perde força e tarifas recuam
Apesar da melhora na margem financeira, o crescimento das carteiras de empréstimos desacelerou. A expansão mediana ficou em 1,2% no terceiro trimestre, abaixo dos 1,8% observados entre abril e junho.
A redução pode refletir uma combinação de demanda por crédito, critérios de concessão mais rigorosos e condições econômicas que influenciam decisões de famílias e empresas. O levantamento, isoladamente, não permite atribuir a desaceleração a uma única causa.
Outro ponto de atenção foi a queda de 1,3% nas receitas de tarifas. Essas receitas podem incluir cobranças por serviços bancários, administração de contas e outras atividades que não dependem diretamente dos juros cobrados em empréstimos.
Em contrapartida, o índice mediano de eficiência melhorou de 56,2% para 55%. Esse indicador compara despesas operacionais e receitas: em geral, um percentual menor significa que o banco gasta menos para gerar cada unidade de receita, embora a interpretação também dependa do modelo de negócio e da composição dos resultados.
Qualidade do crédito permanece relativamente estável
Os dados apontam estabilidade geral na qualidade dos ativos, com alguns sinais que merecem acompanhamento. A relação mediana entre ativos problemáticos e empréstimos caiu três pontos-base, para 0,57%.
Por outro lado, os cancelamentos líquidos de crédito em relação à carteira subiram de 0,09% para 0,12%. O indicador considera operações que os bancos reconhecem como perdas, descontadas as recuperações realizadas.
As provisões para perdas de crédito aumentaram um ponto-base, chegando a 1,18% da carteira. Essas reservas são constituídas para absorver possíveis prejuízos com clientes que deixem de pagar suas dívidas.
O avanço dos cancelamentos líquidos não significa, por si só, que exista uma deterioração generalizada no sistema bancário americano. É necessário observar a evolução dos indicadores nos próximos trimestres, as diferenças entre instituições e a situação dos consumidores e empresas que tomam empréstimos.
Rentabilidade melhora, mas indicadores de capital recuam
A rentabilidade das instituições também avançou. O retorno mediano sobre ativos subiu de 1,27% para 1,30%, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido tangível ordinário aumentou de 14,1% para 14,9%.
Essas métricas ajudam investidores a avaliar a capacidade dos bancos de gerar resultados a partir dos ativos e do capital dos acionistas. A evolução positiva pode contribuir para sustentar expectativas de lucro, mas precisa ser analisada em conjunto com os riscos de crédito e os custos de financiamento.
Os indicadores de capital, por sua vez, apresentaram pequenas reduções. O patrimônio líquido tangível ordinário recuou 17 pontos-base, para 8,90%. O índice Tier 1 caiu um ponto-base, para 12,77%, e o índice de alavancagem diminuiu 11 pontos-base, chegando a 10,04%.
Essas variações não indicam automaticamente insuficiência de capital. A avaliação depende das regras prudenciais aplicáveis, do perfil de risco de cada banco e da evolução dos indicadores ao longo do tempo.
Diferenças regionais aparecem nos resultados

O desempenho não foi uniforme entre as regiões dos Estados Unidos. Os bancos do Oeste registraram aumento de nove pontos-base nas margens líquidas de juros, enquanto as instituições do Sudeste tiveram expansão de seis pontos-base.
No Sudoeste, as margens recuaram seis pontos-base; no Centro-Oeste, a queda foi de quatro pontos-base. Em relação ao crescimento do crédito, o Sudeste liderou, com alta de 1,7%, seguido pelo Atlântico Médio, com 1,5%.
As diferenças regionais podem estar relacionadas à composição das carteiras, à concorrência por depósitos, à atividade econômica local e ao perfil dos clientes. Por isso, os números agregados não representam necessariamente a situação de todos os bancos americanos.
Imagem gerada por IA
