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Bancos iniciam devolução do IOF cobrado indevidamente; saiba como receber

Após a derrubada do decreto que elevava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em transações internacionais e operações de crédito, alguns bancos e fintechs anunciaram, por iniciativa própria, que vão reembolsar seus clientes pelo imposto pago a mais. No entanto, esse movimento não é unânime entre as instituições financeiras, e a devolução dependerá do posicionamento de cada banco ou plataforma.

O decreto original, editado pelo governo federal em maio de 2025, visava aumentar a arrecadação por meio de um reajuste expressivo nas alíquotas do IOF para diversas operações financeiras. A medida, porém, encontrou forte resistência e foi derrubada pelo Congresso Nacional no fim de junho. O novo decreto que revogou formalmente o aumento foi publicado em 27 de junho, estabelecendo o retorno das alíquotas anteriores.

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Quem está reembolsando o IOF

IOF
Imagem: Edição Canva Seu Crédito Digital

Nubank lidera iniciativa entre os grandes players

O Nubank foi uma das primeiras instituições a confirmar que devolverá a diferença do IOF cobrado entre 23 de maio e 26 de junho. O reembolso será creditado diretamente nas contas dos clientes da modalidade Ultravioleta, que inclui a conta global e é voltada para o público de alta renda.

Segundo o banco digital, a devolução cobre operações realizadas durante o período em que o aumento da alíquota esteve em vigor. A restituição será feita em reais, e o valor exato será informado aos clientes.

Wise também confirma reembolso, mas com restrições

A fintech internacional Wise também confirmou que reembolsará a diferença do IOF, mas com um critério mais restritivo: apenas operações realizadas a partir de 0h do dia 27 de junho — data em que o novo decreto foi oficialmente promulgado — serão elegíveis. Os valores serão depositados nas contas Wise dos clientes brasileiros nos próximos dias, segundo nota da empresa.

Nomad nega reembolso e justifica com visão positiva

Por outro lado, a Nomad informou que não irá realizar nenhum reembolso. Em nota, a fintech justificou que vê o retorno das alíquotas antigas como um avanço positivo para os brasileiros, especialmente no que diz respeito à possibilidade de fortalecer o processo de dolarização de seus patrimônios.

Apesar da justificativa, a decisão contrasta com as ações de outras casas que optaram pela devolução, mesmo sem obrigatoriedade legal.

Inter adota postura ambígua

O banco Inter foi questionado sobre o reembolso, mas optou por não confirmar nem negar a restituição. Em nota, a instituição destacou que reduziu o spread (diferença entre o custo de captação e o que é repassado ao cliente) em sua conta global e que seus clientes já foram informados sobre o retorno das alíquotas anteriores.

A ausência de um posicionamento claro deixa os clientes do banco em dúvida sobre a possibilidade de ressarcimento.

Pequenos negócios podem buscar ressarcimento na Justiça

Especialistas recomendam ação judicial para empresas afetadas

Advogados consultados indicam que pequenas e médias empresas que contrataram empréstimos durante o período de vigência do decreto e pagaram IOF elevado podem tentar reaver esses valores por meio de ações judiciais.

A argumentação jurídica está centrada no fato de que a medida foi derrubada pelo Congresso por ser considerada inconstitucional e sem respaldo técnico. Isso abre brecha para que o Judiciário considere os tributos recolhidos como indevidos.

STF será acionado

Um recurso já foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PSOL contra a derrubada do aumento do IOF. A ação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que ainda não se manifestou sobre o tema. O resultado pode influenciar diretamente tanto o cenário de reembolsos quanto os desdobramentos legais para empresas.

Como ficaram as alíquotas do IOF após a revogação

iof
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Transações com cartão

OperaçãoCom o decretoApós revogação
Cartões internacionais (crédito, débito, pré-pagos)3,5%3,38%
Cartão de conta internacional (Wise, Nomad, Avenue)3,5%1,1%

Remessas internacionais

OperaçãoCom o decretoApós revogação
Remessa para conta no exterior (gastos pessoais)3,5%1,1%
Remessa para conta no exterior (investimentos)1,1%0,38%

Câmbio e moeda estrangeira

OperaçãoCom o decretoApós revogação
Compra de moeda estrangeira em espécie3,5%1,1%

Empréstimos e crédito

OperaçãoCom o decretoApós revogação
Empréstimos de curto prazo (até 364 dias)3,5%Zero
Crédito para empresas (PJ)0,38% + 0,0082% ao dia0,38% + 0,0041% ao dia
Crédito para empresas do Simples Nacional0,38% + 0,00274% ao dia (1,38% a.a.)0,38% + 0,00137% ao dia (0,88% a.a.)
Crédito para MEI0,38% + 0,00274% ao dia0,38% + 0,00137% ao dia

Outros

OperaçãoCom o decretoApós revogação
Operações de risco sacado0,0082% ao diaIsento
Transferência de fundos ao exterior (fundos brasileiros)ZeroZero
Aportes em VGBL e similares (2025)5% sobre excedente a R$ 300 milIsento
Aportes em VGBL e similares (2026)5% sobre excedente a R$ 600 milIsento

Por que o IOF é importante para o consumidor

O IOF impacta diretamente o custo de várias operações financeiras, especialmente aquelas relacionadas a crédito e transações internacionais. Um pequeno ajuste percentual pode representar diferença significativa no valor final pago pelos consumidores e empresas.

Alerta para quem faz compras ou investimentos fora do Brasil

Usuários de cartões internacionais, contas globais e serviços de remessa devem estar atentos às alíquotas praticadas, pois elas interferem no custo final das operações. Mesmo com a revogação do decreto, os tributos ainda existem e devem ser monitorados de perto.

Transparência e dever de informação

Independentemente da decisão de reembolsar ou não, as instituições financeiras têm o dever de informar os clientes sobre qualquer alteração nas alíquotas e condições de cobrança do IOF. O Código de Defesa do Consumidor garante esse direito e pode ser acionado em casos de omissão.

O que fazer se você acha que pagou IOF indevido

IOF
Imagem: Freepik e Canva
  1. Verifique o extrato da transação: compare a data e a alíquota aplicada com os períodos indicados
  2. Entre em contato com o banco ou fintech: pergunte se haverá reembolso e como será feito
  3. Considere entrar com ação judicial: no caso de valores altos, especialmente para empresas
  4. Fique atento a decisões do STF: elas podem redefinir o entendimento jurídico sobre a legalidade da cobrança

Expectativas para o futuro

A movimentação voluntária de algumas instituições pode pressionar o mercado a adotar uma postura mais favorável ao consumidor. Com a judicialização crescente e o olhar atento de órgãos reguladores, a tendência é que a transparência na cobrança do IOF ganhe mais relevância.

Conclusão

Embora a devolução do IOF não seja obrigatória por lei, algumas instituições estão reembolsando os valores cobrados a mais como gesto de boa fé com seus clientes. É fundamental acompanhar os comunicados do seu banco, conferir suas operações realizadas no período e, se necessário, buscar orientação jurídica. Em um cenário ainda indefinido, informação e vigilância são as melhores formas de garantir seus direitos.