Nos últimos meses, grandes bancos brasileiros, como Itaú Unibanco, Banco Pan, Mercantil e BMG, anunciaram a suspensão da oferta de crédito consignado do INSS por meio de correspondentes bancários.
Empréstimos consignados do INSS são alvo de novas restrições pelos bancos
Saiba por que bancos estão suspendendo o crédito consignado do INSS via correspondentes bancários, saiba mais aqui!
A decisão foi motivada pelo teto de juros fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), que, segundo as instituições financeiras, não acompanha os custos de captação no mercado. Essa situação acirrou o debate sobre a regulamentação desse tipo de crédito e levantou questões sobre o impacto para aposentados e pensionistas do INSS.
Leia mais:
Novas regras do INSS: pontos para aposentadoria ficam mais rigorosos em 2025

O que é o crédito consignado do INSS
Definição e funcionamento
O crédito consignado do INSS é uma modalidade de empréstimo com desconto direto na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Esse modelo tem taxas de juros mais baixas em comparação a outros tipos de empréstimos, justamente por ter um risco menor para os bancos, já que os pagamentos são descontados diretamente do benefício.
Limites e prazos
A legislação vigente permite que os beneficiários comprometam até 45% da renda mensal, distribuídos da seguinte forma:
- 35% para empréstimos pessoais;
- 5% para cartão de crédito;
- 5% para cartão de benefício.
Os pagamentos podem ser parcelados em até 84 meses, oferecendo uma solução de longo prazo para quem precisa de crédito.
Por que os bancos estão suspendendo o consignado
O teto de juros
O CNPS estabeleceu um teto de 1,66% ao mês para empréstimos pessoais e 2,46% ao mês para operações com cartões. Segundo os bancos, esses valores não cobrem os custos operacionais, especialmente em um cenário onde a taxa de captação no mercado financeiro supera os 14% ao ano.
Custos de captação e inviabilidade
Os bancos argumentam que o aumento dos custos de captação no mercado financeiro torna inviável a operação por meio de correspondentes bancários, que tradicionalmente oferecem esse serviço para novos clientes.
A posição dos bancos
Itaú Unibanco
O Itaú suspendeu temporariamente o crédito consignado por correspondentes bancários devido ao teto de juros. Contudo, a instituição destacou que o produto continua disponível para clientes que recebem benefícios no banco, com contratação diretamente nas agências ou pelo aplicativo.
Banco Pan
O Banco Pan tomou uma decisão semelhante, justificando que os custos de captação são incompatíveis com os juros fixados pelo CNPS.
Banco Mercantil e BMG
Ambos os bancos confirmaram a suspensão do crédito consignado via correspondentes bancários, destacando que o atual modelo de custos inviabiliza a continuidade das operações.
Embate jurídico sobre o teto de juros
Ação no STF
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a competência do CNPS e do INSS em fixar os tetos de juros do consignado. Segundo a ABBC, essa atribuição deve ser do Conselho Monetário Nacional (CMN), conforme a Lei 4.595/64.
Críticas ao uso da taxa Selic
A ABBC critica o uso da taxa Selic como referência para o teto de juros, argumentando que ela não reflete os custos de captação de longo prazo. A associação também aponta a lentidão em ajustar os tetos diante de altas na Selic, agravando a situação atual.
Consequências para os beneficiários do INSS

Redução da oferta de crédito
Com a suspensão do consignado via correspondentes bancários, aposentados e pensionistas do INSS enfrentam maior dificuldade para acessar essa modalidade de crédito, principalmente em regiões onde os correspondentes eram a principal ponte com os bancos.
Alternativas mais caras
A diminuição da oferta pode levar muitos beneficiários a buscarem opções de crédito mais caras, como empréstimos pessoais convencionais ou financiamentos com juros elevados, comprometendo ainda mais o orçamento familiar.
O que esperar no futuro
O cenário atual evidencia a necessidade de ajustes na regulamentação do crédito consignado. Especialistas defendem que um equilíbrio é fundamental para garantir que a modalidade continue acessível para os beneficiários do INSS, sem prejudicar a sustentabilidade do sistema financeiro.
O desfecho da ação no STF será crucial para determinar como o teto de juros será tratado no futuro, impactando não apenas os bancos, mas também milhões de brasileiros que dependem do consignado.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
Pode ser do seu interesse:
