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Bancos Mantêm Suspensão do Consignado do INSS por Correspondentes Apesar da Alta dos Juros

Mesmo com o aumento da taxa de juros, muitos bancos ainda não retomaram o consignado do INSS por correspondentes bancários.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
bancos

Nos últimos meses, os aposentados e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrentaram uma mudança importante nas opções de crédito oferecidas pelos bancos.

Apesar do aumento na taxa de juros do crédito consignado para 1,80% ao mês, que foi implementado como parte do ajuste econômico, a maioria das instituições financeiras ainda não voltou a oferecer essa modalidade de empréstimo por meio de correspondentes bancários.

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Suspensão do Consignado por Correspondentes Bancários

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Imagem: Nattakorn_Maneerat / shutterstock.com

Em um momento em que muitos aposentados e pensionistas do INSS dependem do crédito consignado como uma alternativa de financiamento, a suspensão dessa modalidade nos canais terceirizados tem gerado frustração e incertezas. A principal justificativa para essa decisão está relacionada ao cenário de altas taxas de juros, que afetam diretamente a viabilidade econômica das operações feitas por meio de correspondentes bancários.

A maior parte dos bancos ouvidos revelou que, apesar de ainda concederem empréstimos e liberar cartões de crédito consignados em suas agências e canais digitais, a retomada dessa modalidade por correspondentes não é viável sob as atuais condições de mercado. Embora a taxa de juros tenha subido para 1,80%, essa porcentagem ainda é considerada insuficiente para cobrir os custos de operação dos bancos quando se utiliza a rede de correspondentes.

Bancos que Retomaram e Suspenderam a Modalidade

De acordo com as informações obtidas, as instituições financeiras que ainda estão com a suspensão do crédito consignado por meio de correspondentes bancários incluem gigantes como Itaú, Banco Pan, Nubank e Mercantil. Estes afirmam que a revisão do teto de juros, que ainda está fixado em 1,66%, não foi suficiente para garantir que o modelo por correspondentes fosse economicamente viável.

Por outro lado, bancos como Bradesco e Banrisul decidiram reabrir a oferta do crédito consignado via correspondentes bancários, oferecendo essa modalidade novamente aos seus clientes. Essa diferença nas decisões de retomada está relacionada a diversos fatores, incluindo a estrutura operacional de cada banco, a análise de riscos e a capacidade de absorver os custos de captação no atual cenário de juros elevados.

Justificativas para a Manutenção da Suspensão

Os bancos que ainda não retomaram a oferta de consignado por correspondentes destacaram diferentes pontos para justificar a manutenção da suspensão. O Itaú, por exemplo, informou que “nos patamares atuais, não asseguram a viabilidade econômica das operações por meio desse canal”. Para o Mercantil, a decisão foi tomada tendo em vista a “forte elevação dos custos de captação frente ao teto de juros atualmente válido”.

Essas alegações estão diretamente relacionadas ao conceito de “spread bancário”, que é a diferença entre o custo que o banco paga para captar os recursos e a taxa de juros cobrada dos clientes. Em dezembro do ano passado, o setor bancário alertou o governo para o fato de que o crédito consignado do INSS estava se tornando economicamente inviável sem a revisão do teto de juros, que permanecia em 1,66%.

O Impacto da Suspensão para os Beneficiários

A suspensão do crédito consignado por correspondentes bancários tem um impacto direto sobre os beneficiários do INSS, que muitas vezes dependem dessa linha de crédito para cobrir necessidades financeiras urgentes. Em 6 de fevereiro de 2025, o INSS informou que 15.450.087 contratos de empréstimo consignado estavam ativos.

Além disso, o Banco Central reportou que, em 2024, mais de R$ 103 bilhões foram liberados por meio dessa modalidade, um aumento significativo de 30,8% em comparação com os R$ 78,7 bilhões registrados em 2023.

Ainda assim, a realidade é que muitos beneficiários não têm acesso aos bancos diretamente ou preferem a praticidade de negociar com correspondentes bancários, que oferecem atendimento mais próximo e personalizado. O impacto da suspensão afeta especialmente aqueles que residem em áreas mais distantes ou que têm dificuldades para se deslocar até uma agência bancária.

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O Papel do Crédito Consignado no Orçamento dos Aposentados

Consignado INSS bloquear desbloquear bancos
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O crédito consignado tem sido uma ferramenta essencial para os aposentados e pensionistas, proporcionando acesso a crédito a taxas mais baixas do que outras modalidades. Ele permite que as parcelas sejam descontadas diretamente da aposentadoria ou pensão, o que reduz o risco de inadimplência.

Com o aumento da taxa de juros, muitos beneficiários estão mais atentos aos custos desse tipo de empréstimo, e a oferta restrita por correspondentes pode agravar ainda mais essa situação.

O aumento do volume de empréstimos consignados em 2024, que ultrapassou os R$ 103 bilhões, indica que, mesmo com a alta dos juros, essa modalidade continua sendo uma alternativa popular entre os beneficiários do INSS. No entanto, a falta de alternativas convenientes e acessíveis através de correspondentes bancários pode limitar o acesso a esse recurso, principalmente para aqueles em regiões mais afastadas.

A Necessidade de uma Revisão no Teto de Juros

A situação atual levanta questões sobre a necessidade de revisão do teto de juros para o crédito consignado do INSS. Representantes do setor bancário já sinalizaram que, sem ajustes no teto, o modelo atual se tornará cada vez mais difícil de ser operado, especialmente quando se considera o aumento nos custos de captação de recursos.

O governo, por sua vez, terá de balancear as necessidades dos bancos e os direitos dos aposentados e pensionistas, para garantir que o crédito consignado continue sendo uma opção acessível e vantajosa para aqueles que mais dependem dessa linha de crédito.

Imagem: Freepik e Canva

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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