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Risco de barragem em Brumadinho sobe para nível 2 e moradores precisam sair

A cidade de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, volta a enfrentar o temor de rompimentos de barragens. Cerca de 40 pessoas que vivem nas proximidades da barragem B1-A, pertencente à Emicon Mineração e Terraplanagem, estão sendo evacuadas após determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM). A estrutura, localizada na Serra da Conquista, passou do nível 1 para o nível 2 de emergência, o que exige evacuação imediata da chamada Zona de Autossalvamento (ZAS).

Risco de barragem em Brumadinho sobe para nível 2 e moradores precisam sair
Imagem: Christyam de Lima / Shutterstock

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Falta de estudos atualizados motivou ação preventiva

A decisão da ANM não foi motivada por indícios de ruptura iminente. Segundo nota da agência, a elevação no nível de risco se deve à ausência de dados técnicos atualizados e à existência de “insuficiências nas investigações geotécnicas”. A medida tem caráter preventivo, com o objetivo de proteger vidas enquanto novos estudos são realizados.

A estrutura da barragem está atualmente inativa e embargada. A Emicon não apresentou a Declaração de Conformidade e Operacionalidade (DCO) referente ao ano de 2025, o que contribuiu para a decisão de intensificar o monitoramento.

Defesa Civil inicia evacuação da população em área de risco

Após a notificação da ANM, a Defesa Civil de Brumadinho iniciou o processo de retirada dos moradores da ZAS. A área abriga cerca de oito residências, além de propriedades rurais com atividades agropecuárias. Famílias foram orientadas a sair apenas com o essencial, gerando protestos de parte dos moradores, que afirmam não ter sido previamente informados sobre os riscos.

Entre os moradores está Roberto do Nascimento Hastenreiter, de 74 anos, que vive no local há anos e demonstrou indignação com a falta de apoio e informações. “Estão mandando a gente sair de mãos abanando”, afirmou.

Barragens em situação irregular oferecem risco ambiental e humano

Além da B1-A, outras três estruturas da Emicon em Brumadinho — as barragens Quéias, Dique B3 e Dique B4 — também estão embargadas. Juntas, elas acumulam mais de 118 mil metros cúbicos de rejeitos de mineração. Embora o volume seja significativamente menor que os 9 milhões de metros cúbicos despejados no desastre de 2019, as barragens sem certificação de estabilidade continuam sendo motivo de alerta.

Segundo a ANM, o pior cenário considerado em simulações envolve o rompimento da B1-A, que poderia afetar diretamente a barragem Quéias. A estrutura está a menos de 1 quilômetro da Rodovia Fernão Dias e a 5,5 quilômetros do sistema de abastecimento da Copasa, responsável por atender cerca de 1,5 milhão de pessoas por meio da barragem Rio Manso.

Estrutura apresenta ausência de manutenção e falhas de segurança

O histórico de abandono da estrutura preocupa órgãos públicos. Uma nota técnica da ANM, de outubro de 2024, apontou falhas graves nas instalações da Emicon. As barragens foram encontradas sem videomonitoramento, sem dispositivos de alerta e com o Plano de Ação de Emergência (PAEBM) desatualizado. Além disso, não havia funcionários ou escritórios operando no local.

O Ministério Público de Minas Gerais acompanha o caso e já acionou a Justiça para garantir o cumprimento de um Termo de Compromisso assinado pela Emicon em 2022. Entre as obrigações previstas estão a descaracterização das barragens e a adoção de medidas permanentes de segurança.

Município cria comissão para coordenar ações e manter transparência

Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Brumadinho criou uma Comissão Estratégica Municipal para coordenar as ações emergenciais. O grupo conta com representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Segurança Pública e demais órgãos municipais.

O prefeito Gabriel Parreiras reforçou que a evacuação é uma medida preventiva e que não há risco imediato para a população. “Sabemos o quanto uma notícia dessa pode afetar emocionalmente a população de Brumadinho. Nosso compromisso é com a prevenção e a transparência”, afirmou em redes sociais.

Parte da população já havia deixado o local, mas 40 pessoas ainda residem na ZAS

Relatórios preliminares indicavam que a área havia sido desocupada anteriormente. No entanto, vistorias recentes da Defesa Civil revelaram que cerca de 40 pessoas ainda moram na ZAS. Seis famílias já iniciaram a evacuação voluntária, e 25 trabalhadores rurais também começaram a deixar a região. O planejamento inclui, ainda, a remoção de animais e bens, com o apoio de logística especializada.

Classificações de risco seguem critérios da ANM

A classificação de risco de barragens no Brasil é regulamentada pela Resolução nº 95/2022 da ANM. A escala tem três níveis:

  • Nível 1: indica anomalias na estrutura, mas sem risco de rompimento. Não exige evacuação, apenas intensificação do monitoramento.
  • Nível 2: como no caso da barragem B1-A, exige evacuação imediata da ZAS, uma vez que a chegada de equipes de resgate em caso de colapso seria inviável.
  • Nível 3: representa risco iminente ou rompimento em andamento, com acionamento de alarmes e execução total do plano de emergência.

População de Brumadinho ainda carrega o trauma de 2019

Risco de barragem em Brumadinho sobe para nível 2 e moradores precisam sair
Imagem: Adobe Stock

A evacuação preventiva em Brumadinho reaviva o trauma coletivo do rompimento da barragem da Vale, em janeiro de 2019, que matou 272 pessoas e causou danos ambientais e sociais de grandes proporções. O caso da Emicon, embora em menor escala, traz à tona a fragilidade de parte da estrutura regulatória e de fiscalização de barragens em operação ou desativadas.