“Foi infeliz”: Barroso pede desculpas por fala contra bolsonarismo no Roda Viva

Durante participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, voltou a falar sobre a polêmica frase em que mencionou ter “derrotado o bolsonarismo”. O magistrado classificou a declaração como “infeliz” e reconheceu que a fala soou como um desrespeito aos eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio em questão ocorreu em 2022, logo após o resultado das eleições presidenciais. Barroso explicou que, ao discursar em um congresso da UNE, se viu diante de uma plateia hostil e acabou se exaltando. Para ele, o erro foi usar a palavra “nós” como se representasse o STF, quando, na verdade, se referia à sociedade brasileira.

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Como a fala repercutiu na época

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© Valter Campanato/Agência Brasil

Em meio ao barulho da plateia, Barroso recordou que tentou enfatizar conquistas democráticas, como o fim da ditadura e da censura. No entanto, ao citar o bolsonarismo, acabou gerando repercussão negativa. O ministro ressaltou que o tom não refletia sua posição institucional.

Segundo ele, a frase “foi infeliz” por dois motivos:

  1. Dava a impressão de que o Supremo havia tomado partido;
  2. Transmitiu a ideia de desconsiderar os milhões de brasileiros que apoiaram Bolsonaro.

O reconhecimento público e o pedido de desculpas demonstram uma tentativa de preservar a imagem do STF em um momento de forte polarização política no país.

Outras polêmicas envolvendo o ministro

O episódio não foi isolado. Pouco depois da vitória de Lula em 2022, Barroso também ganhou notoriedade ao responder a uma apoiadora de Bolsonaro com a expressão “perdeu, mané”.

Além disso, em 2023, ele foi chamado de “inimigo da enfermagem” durante outro evento público, onde também enfrentou protestos. Esses episódios evidenciam como o magistrado se tornou um alvo frequente de críticas de setores ligados ao bolsonarismo.

Debate sobre anistia e penas do 8 de janeiro

Durante a entrevista no Roda Viva, Barroso também comentou sobre temas atuais da agenda política e jurídica, como a discussão em torno da anistia e a redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O ministro deixou claro que não participou das articulações no Congresso sobre o tema, mas reconheceu que uma alternativa seria não acumular os crimes de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, algo que poderia reduzir as penas.

“O direito penal não é feito para vingança”, destacou Barroso, ao reforçar que sua posição é pela absorção de crimes correlatos, em vez do acúmulo.

Ele também ponderou que diminuir penas por questões técnicas é diferente de conceder anistia, e afirmou que essa decisão cabe ao Congresso, ainda que sujeita ao controle constitucional do STF.

O que está em jogo para o STF

O pedido de desculpas feito por Barroso se insere em um contexto de busca por equilíbrio entre a Justiça e a política. Com o avanço das discussões sobre anistia e as pressões em torno das condenações, a Corte tem sido alvo de críticas constantes.

Ao reconhecer que a frase sobre o bolsonarismo foi inadequada, Barroso procura reforçar a ideia de que o STF não atua em nome de grupos políticos, mas em defesa da Constituição.

Esse posicionamento é relevante especialmente diante da troca de comando no tribunal. Na próxima semana, Barroso será sucedido por Edson Fachin na presidência da Corte, marcando uma nova etapa no relacionamento entre Judiciário, Congresso e sociedade.

Por que o pedido de desculpas importa

Num cenário político polarizado, cada palavra dita por ministros do STF ganha repercussão nacional. Ao reconhecer o erro, Barroso não apenas protege a imagem da instituição, mas também sinaliza uma abertura ao diálogo.

A atitude também pode ser interpretada como uma tentativa de diminuir a tensão entre o STF e parte da população, que ainda questiona decisões relacionadas ao ex-presidente Bolsonaro e a seus apoiadores.

Barroso pede desculpas por fala contra bolsonarismo não é apenas um gesto individual, mas um movimento estratégico para preservar a legitimidade da Justiça diante de disputas políticas intensas.

Recapitulação

  • Barroso admitiu ter usado uma frase “infeliz” ao falar sobre derrotar o bolsonarismo.
  • O ministro explicou que pretendia se referir à sociedade, e não ao STF.
  • Ele pediu desculpas por entender que sua fala desrespeitou milhões de eleitores.
  • Na entrevista, também abordou o tema da anistia e a possibilidade de redução de penas do 8 de janeiro.
  • A postura reflete a preocupação em manter a credibilidade do STF em meio à polarização política.

Com informações de: O GLOBO

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