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R$ 22 milhões bloqueados? Imóvel da família de Barroso está na mira dos EUA!

Propriedade de R$ 22 mi ligada a Barroso em Miami pode ser congelada sob Lei Magnitsky após sanção dos EUA a Moraes.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
barroso

Um apartamento avaliado em cerca de R$ 22 milhões (US$ 4,1 milhões), localizado em Miami (EUA) e ligado à família do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, está no centro de especulações envolvendo possíveis sanções econômicas por parte do governo dos Estados Unidos.

A propriedade, situada na ilha nobre de Key Biscayne, é registrada em nome da empresa offshore Telube Florida LLC, atualmente controlada pelo filho do ministro, o advogado e investidor Bernardo Van Brussel Barroso.

A discussão sobre o imóvel ocorre após os Estados Unidos anunciarem sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na Lei Magnitsky, que permite ao Executivo norte-americano punir autoridades estrangeiras acusadas de envolvimento em violações de direitos humanos.

Embora Barroso não tenha sido diretamente sancionado, ele está entre os ministros que tiveram os vistos americanos suspensos. A possibilidade de extensão das penalidades para ele e outros membros da Corte levanta dúvidas sobre o futuro de bens e ativos vinculados a suas famílias no exterior.

Leia mais: Lula critica sanções dos EUA e se reúne com ministros do STF

Telube Florida LLC: a empresa por trás do apartamento de luxo

Dólar EUA
Imagem: Freepik

Segundo registros públicos do Condado de Miami-Dade, a Telube Florida LLC foi constituída em 2014 com o auxílio da firma local Barbosa Legal. Inicialmente, a empresa estava no nome de Teresa Cristina Van Brussel, esposa do ministro Barroso, falecida em 2023 em decorrência de um câncer. Atualmente, a titularidade está com seu filho, Bernardo.

O nome “Telube” vem da união das iniciais dos nomes da família:

  • TE de Teresa,
  • LU de Luna Van Brussel Barroso,
  • BE de Bernardo.

O imóvel, com 158 m² de área útil e vista para o mar, foi adquirido por US$ 3,1 milhões em 2014, segundo os documentos locais. À época, pertencia ao empresário argentino Eduardo Constantini, conhecido por ter comprado a icônica obra Abaporu, da artista brasileira Tarsila do Amaral.

A aquisição ocorreu após Barroso assumir o cargo de ministro do STF, em junho de 2013, mas o trâmite legal foi concluído apenas em março de 2014.

Risco de bloqueio: o que diz a Lei Magnitsky

Com a inclusão de Moraes na lista de sancionados pelos EUA, a Lei Magnitsky voltou ao centro das atenções no Brasil. A legislação permite o bloqueio de bens, contas bancárias e até propriedades de indivíduos estrangeiros acusados de abusos de direitos humanos ou corrupção.

Segundo o advogado especialista em Direito Internacional Pablo Sukiennik, as sanções podem atingir também terceiros ligados aos sancionados, inclusive familiares ou empresas de fachada.

“Um imóvel no nome de um ‘laranja’ também pode ser sancionado, eventualmente”, explicou Sukiennik. “A lei prevê a desconsideração de simulações para evitar que o objetivo da sanção seja frustrado.”

Ele também esclarece que, caso o imóvel seja atingido por uma ordem de bloqueio, ele não poderá ser vendido nem transferido. “Fica congelado, digamos assim. A própria decisão determina se haverá restrição de uso ou apenas de alienação.”

Por que Barroso pode ser afetado?

Embora não esteja oficialmente na lista da Lei Magnitsky, Barroso é citado entre os ministros que tiveram seus vistos suspensos pelos EUA junto a outros integrantes do STF, como Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

O motivo principal das sanções seria a condução de processos considerados politicamente sensíveis, como os inquéritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), muitos deles sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.

A ampliação das sanções para outros membros da Corte está sendo avaliada pelo governo americano, mas não foi confirmada oficialmente.

Imóveis de autoridades brasileiras em Miami

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O caso da propriedade da família de Barroso não é isolado. Diversas figuras do Judiciário brasileiro possuem bens no sul da Flórida, especialmente em áreas nobres como Brickell, Key Biscayne e Coral Gables.

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, por exemplo, também é citado como proprietário de um imóvel na mesma região, o que indica um padrão comum entre membros da elite do Judiciário.

As aquisições, muitas vezes feitas via empresas offshore, levantam debates sobre transparência, legalidade e exposição internacional de autoridades públicas.

O que diz Barroso?

ministro barroso
Imagem: Carlos Moura/STF

A reportagem do portal Metrópoles, que revelou os detalhes da propriedade, afirma ter buscado contato com a assessoria do ministro Luís Roberto Barroso, mas ainda não obteve resposta até a publicação da matéria. O espaço, segundo a reportagem, permanece aberto para manifestação.

Não há indícios de ilegalidade na aquisição do imóvel ou na constituição da offshore. Contudo, o cenário internacional pode transformar uma operação regular em alvo de bloqueio, caso a Lei Magnitsky seja aplicada com amplitude maior.

Contexto político e consequências

A aplicação da Lei Magnitsky a Moraes é vista por muitos analistas como uma retaliação do governo americano à atuação do ministro nos inquéritos de desinformação, militância digital e atos antidemocráticos no Brasil.

Se a lista for ampliada, outros ministros e até familiares poderão ter contas bancárias congeladas, imóveis bloqueados e restrições de movimentação financeira nos EUA.

Além disso, o caso reaquece o debate sobre a internacionalização de bens de autoridades brasileiras e o uso de estruturas jurídicas internacionais para preservar patrimônio pessoal, tema que tende a ganhar destaque nos próximos meses.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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