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Banco do Brasil projeta recuperação nos lucros a partir do 4T25

BB sofre com inadimplência no agronegócio, mas prevê melhora no 4º trimestre. CEO e CFO sinalizam retomada e possível alta nos dividendos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário desafiador em 2025, marcado por uma forte alta da inadimplência no setor do agronegócio, que impactou severamente seus lucros no primeiro semestre. No entanto, a presidente do banco, Tarciana Medeiros, sinalizou nesta quarta-feira (24) que a situação começa a dar sinais de melhora, com expectativa de alívio nas provisões a partir do quarto trimestre deste ano.

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Imagem: Freepik e Canva

Inadimplência no agro: um impacto além do previsto

Agronegócio surpreende negativamente o BB

Durante evento com investidores em Nova York, Tarciana Medeiros classificou o aumento da inadimplência no setor rural como um “desvio completamente fora do previsto”. Segundo ela, esse comportamento inesperado forçou o Banco do Brasil a revisar suas estratégias, rever projeções e segurar a distribuição de dividendos em 2025.

“Estamos observando uma inadimplência resiliente ainda no terceiro trimestre, mas agora já com algumas notícias muito boas, com previsão de arrefecimento, de controle da inadimplência”, disse a CEO.

Medidas do governo aliviam pressão

A expectativa de melhora está ligada, em parte, a medidas recentes do governo federal que buscam dar fôlego aos produtores rurais endividados. Entre elas, destacam-se:

  • Programas de renegociação de dívidas rurais;
  • Extensão de prazos de pagamento com subsídios;
  • Liberação de linhas emergenciais com juros reduzidos.

Essas ações ajudam os produtores a evitar o calote e permitem que os bancos ajustem suas provisões para perdas esperadas com maior precisão.

Provisões devem começar a cair no final do ano

Tarciana Medeiros foi clara ao afirmar que a recuperação será gradual, comparando o ciclo das provisões a um movimento que “sobe de elevador e desce de escada”. Ainda assim, o mercado reagiu positivamente à sinalização de que o Banco do Brasil começará a reduzir as provisões já a partir do quarto trimestre.

Mercado reage bem: ações sobem

Às 12h do mesmo dia do evento, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) figuravam entre as mais negociadas da B3, com valorização de 1,76%, cotadas a R$ 22,52. O otimismo do mercado não se restringe apenas ao controle da inadimplência, mas também a outras perspectivas favoráveis para o banco.

Lucros afetados e ano de ajustes

Queda expressiva nos resultados do primeiro semestre

O impacto da inadimplência sobre os resultados do BB foi expressivo:

  • 1º trimestre de 2025: lucro caiu 20,7% em relação ao ano anterior;
  • 2º trimestre de 2025: queda mais acentuada, de 60,2%.

A situação levou o banco a revisar para baixo suas projeções para o ano, reduzir o payout (percentual do lucro destinado a dividendos) e suspender distribuições extras.

Reestruturação de políticas internas

Segundo Tarciana, o BB respondeu à crise com uma “análise bastante profunda” do cenário. Entre as medidas adotadas, estão:

  • Regras mais rígidas na concessão de crédito;
  • Fortalecimento das políticas de cobrança;
  • Intensificação de renegociações com produtores rurais;
  • Monitoramento detalhado da qualidade da nova safra (2025/2026).

O objetivo, segundo a CEO, é preparar o banco para uma retomada mais sustentável do crescimento.

Expectativa de retomada em 2026

Crescimento modesto neste ano

Mesmo com os desafios, o BB projeta um crescimento modesto da carteira de crédito rural entre 3% e 6% em 2025. O número é tímido, especialmente considerando a forte participação do banco no setor agropecuário. Mas os executivos sinalizam confiança na retomada nos próximos ciclos.

“Ainda tem muito trabalho para ser feito, mas temos confiança que os ajustes que estamos fazendo vão alicerçar a retomada dos resultados do banco”, afirmou Tarciana Medeiros.

Dividendos e payout podem voltar a subir

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Perspectiva de retomada dos proventos

Outro ponto que agradou aos investidores foi a fala do CFO do BB, Geovanne Tobias. Segundo ele, caso a estratégia de controle da inadimplência seja bem-sucedida, o banco pode rever o payout e até considerar dividendos extraordinários já em 2026.

Essa sinalização contrasta com a política adotada em 2025, marcada por cautela na distribuição de lucros e foco na recomposição das reservas.

Fatores externos também influenciam o mercado

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Política internacional pode ajudar o BB

Além do cenário interno, a expectativa de uma aproximação diplomática entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana também tem agradado os investidores.

O mercado avalia que um eventual acordo entre Brasil e Estados Unidos pode reduzir o risco de sanções a bancos brasileiros, especialmente no contexto de investigações e pressões geopolíticas.

Essa possível trégua é vista como positiva para a estabilidade institucional e para o desempenho das ações de empresas estatais, como o Banco do Brasil.

O papel do agro na carteira do BB

Participação relevante no portfólio

O agronegócio representa mais de 30% da carteira de crédito do Banco do Brasil, o que explica o impacto direto da inadimplência no desempenho do banco em 2025. Esse segmento sempre foi considerado o principal motor de crescimento da instituição, que lidera a concessão de crédito rural no país.

Nova safra pode ser ponto de virada

Apesar do ano turbulento, os primeiros sinais da safra 2025/2026 são positivos. Com novas regras e um perfil mais conservador de concessão, o BB espera que a nova carteira apresente qualidade de crédito superior, o que ajudaria a reduzir as provisões ao longo de 2026 e abrir espaço para o crescimento dos lucros.

Riscos ainda presentes no horizonte

Banco do Brasil
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Clima e preços internacionais

Mesmo com as melhorias nas políticas de crédito, o banco continua exposto a riscos estruturais do setor agrícola:

  • Oscilações de preço de commodities como soja, milho e café;
  • Eventos climáticos extremos;
  • Dificuldade de acesso a crédito subsidiado em caso de retração fiscal.

A continuidade da recuperação do BB dependerá da estabilização desses fatores externos.

Concorrência acirrada no setor bancário

Outro desafio é a crescente concorrência no setor bancário, inclusive no crédito rural, com cooperativas de crédito, fintechs e até plataformas digitais oferecendo alternativas mais baratas para os produtores.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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