A BB Seguridade Participações S.A. (BBSE3), holding que reúne as operações de seguros, previdência e capitalização ligadas ao Banco do Brasil, reportou lucro líquido de R$ 1,995 bilhão no primeiro trimestre de 2025.
Lucro da BB Seguridade (BBSE3) chega a R$ 1,99 bi no 1T, alta de 8,3% no comparativo anual
BB Seguridade (BBSE3) reporta lucro líquido de R$1,99 bilhão no 1T25, alta de 8,3% em 12 meses, mas resultado trimestral caiu. Veja análise.
O resultado representa uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2024, mas queda de 8,2% na comparação com o quarto trimestre do ano passado.
O desempenho positivo no comparativo anual foi puxado por uma combinação de fatores: avanço no resultado financeiro da Brasilseg, queda da sinistralidade na carteira de seguros, além da contribuição das operações da BB Corretora e da Brasilprev.
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Brasilseg impulsiona desempenho anual com menor sinistralidade
Em 12 meses, o principal motor do crescimento foi a Brasilseg, seguradora do grupo, que obteve resultados mais robustos devido à menor sinistralidade nas apólices ativas e à performance favorável de seus investimentos.
A seguradora foi responsável por R$ 824,6 milhões do lucro atribuível à BB Seguridade, apesar de apresentar queda de 12,9% em relação ao quarto trimestre de 2024.
BB Corretora e Brasilprev também contribuem
A BB Corretora, responsável pela distribuição dos produtos do grupo via os canais do Banco do Brasil, teve desempenho sólido no período, garantindo maior eficiência na comercialização de seguros e planos de previdência.
Já a Brasilprev foi impulsionada pelos ganhos com investimentos, em um cenário de juros elevados.
“Apresentamos mais um resultado positivo, a partir de uma estratégia orientada pela centralidade do cliente e pela oferta de soluções modernas e sustentáveis”, destacou André Haui, presidente da BB Seguridade.
Comparação com o 4T24 mostra retração
Queda no lucro trimestral está ligada à Brasilseg
Na comparação com o quarto trimestre de 2024, a BB Seguridade viu seu lucro encolher 8,2%, refletindo menores resultados das participações. O destaque negativo foi novamente a Brasilseg, que registrou recuo significativo de 12,9% em seu resultado atribuível, motivado por:
- Redução na emissão de prêmios
- Aumento no volume de sinistros retidos
Essa combinação indica um possível desafio para os próximos trimestres, especialmente em segmentos mais sensíveis à sazonalidade e ao crédito, como o seguro agrícola e o prestamista.
Resultado financeiro do grupo cresce 37,9%
Selic alta favorece ganhos com títulos pós-fixados
O resultado financeiro combinado das empresas do grupo foi de R$ 320 milhões no trimestre, um aumento de 37,9% em relação ao primeiro trimestre de 2024. Essa melhora veio principalmente da:
- Redução das perdas com marcação a mercado
- Alta da taxa Selic média, que favoreceu aplicações atreladas ao CDI
Composição da carteira de investimentos
- 41,3% dos investimentos estavam em títulos pós-fixados (CDI) em março de 2025, contra 38,2% no mesmo mês de 2024.
- A maior parcela (43,1%) estava alocada em títulos indexados à inflação, usados especialmente para a gestão da Brasilprev.
Boa parte desses títulos atende a planos antigos da previdência, atrelados ao IGP-M, que já não são mais comercializados, mas ainda exigem gestão ativa de passivos e ativos.
Desempenho da Brasilcap decepciona no trimestre
Hedge negativo e passivos pressionam resultados
A Brasilcap, unidade de capitalização da BB Seguridade, teve contribuição reduzida no primeiro trimestre. Os principais fatores para esse desempenho mais fraco foram:
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- Ajustes negativos em operações de hedge de preço
- Aumento nos custos dos passivos financeiros
Esses elementos pressionaram o resultado operacional e contribuíram para o recuo no lucro consolidado frente ao trimestre anterior.
Expectativas para os próximos trimestres

Desafios à frente incluem sinistralidade e retomada do crédito
Apesar do bom desempenho anual, os desafios no curto prazo para a BB Seguridade incluem:
- Controle da sinistralidade, principalmente em segmentos impactados por eventos climáticos ou inadimplência
- Retomada da emissão de prêmios, em meio à desaceleração econômica e maior seletividade na concessão de crédito
Além disso, a manutenção da Selic em patamares elevados pode continuar impulsionando o resultado financeiro, mas pode inibir a demanda por produtos como seguros prestamistas e planos de previdência.
Estratégias em andamento
A BB Seguridade sinalizou que segue focada em:
- Digitalização de canais
- Aprimoramento da experiência do cliente
- Lançamento de produtos customizados, voltados à proteção familiar, agrícola e empresarial
Essas frentes devem ajudar a reverter os efeitos negativos de curto prazo e sustentar o crescimento em meio a um cenário macroeconômico incerto.
Conclusão
O primeiro trimestre de 2025 reforça a solidez da BB Seguridade como uma das líderes do setor de seguros e previdência no Brasil.
O lucro líquido de R$ 1,995 bilhão veio em linha com o crescimento de 12 meses, mas o recuo trimestral sinaliza pontos de atenção, especialmente nas áreas de seguros e capitalização.
Com forte geração de caixa, estrutura diversificada e suporte do Banco do Brasil na distribuição, a empresa continua sendo uma referência no segmento — ainda que precise contornar obstáculos conjunturais no curto prazo.
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