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Banco central quer obter prazo para bloquear transações sob análise dos bancos

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O Banco Central (BC) estuda novas medidas para reforçar a segurança do sistema financeiro brasileiro. A autarquia pretende ampliar o prazo de bloqueio temporário em transações de grandes quantias, permitindo que bancos e instituições financeiras tenham mais tempo para analisar a origem dos recursos antes de liberar o dinheiro.

Atualmente, as regras determinam que cada transação pode ficar retida por até uma hora em “compasso de espera”. Esse bloqueio temporário é usado para verificação de risco e checagem de perfil do cliente, variando conforme as políticas internas de cada instituição.

Com a possível mudança, o BC busca criar uma barreira adicional contra golpes e ataques hacker, além de ampliar a eficácia na identificação de recursos ilícitos movimentados via Pix, TED e outras modalidades de transferência.

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Por que a medida está sendo discutida?

Brechas exploradas por criminosos

Nos últimos anos, o sistema financeiro brasileiro, especialmente após a popularização do Pix, tornou-se alvo frequente de quadrilhas especializadas em crimes cibernéticos. Os ataques incluem:

  • Sequestros-relâmpago com exigência de transferências imediatas;
  • Uso de contas laranjas para escoamento de recursos;
  • Tentativas de lavagem de dinheiro em grandes volumes;
  • Exploração de vulnerabilidades em fintechs e instituições de pagamento.

Ao ampliar o prazo de bloqueio, o BC acredita que fraudes em larga escala poderão ser mais facilmente identificadas, dando tempo para verificações cruzadas e alertas automáticos no sistema.

Força-tarefa para reforçar segurança

Medidas recentes já anunciadas

A iniciativa faz parte de um pacote regulatório mais amplo anunciado pelo BC no início de setembro. Entre as medidas, destaca-se a criação de um teto de R$ 15 mil para transferências via Pix e TED realizadas em instituições de pagamento não autorizadas e em empresas conectadas ao sistema financeiro por meio de Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs).

Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o objetivo é impedir que criminosos realizem grandes repasses em uma única operação, como ocorreu em ataques recentes que movimentaram centenas de milhões de reais em poucas horas.

“Essa limitação não afeta 99% das transferências feitas hoje por empresas. Apenas 3% das contas do sistema financeiro serão impactadas”, afirmou Galípolo.

Como funciona o bloqueio de transações hoje?

Regra atual

  • O prazo máximo de retenção é de uma hora;
  • Cada banco define critérios internos para aplicar a análise, com base em perfil do cliente, valores e padrões de movimentação;
  • Após o período de checagem, a transação é liberada ou bloqueada em definitivo caso haja suspeita de fraude.

O que pode mudar?

Ainda não há definição oficial sobre:

  • Qual será o novo prazo de bloqueio;
  • A partir de que valor as transações passarão pela regra;
  • Se haverá diferenciação entre pessoas físicas e jurídicas.

Especialistas acreditam que o tempo poderá ser estendido para até 24 horas em alguns casos, especialmente em operações de valores muito altos ou fora do perfil do usuário.

Impactos esperados para usuários e empresas

Para pessoas físicas

  • A maioria das operações do dia a dia (como pagamentos de contas e transferências pessoais) não deverá ser afetada;
  • Apenas movimentações de grande porte poderão passar por análise mais longa;
  • A medida pode reduzir riscos de golpes em casos de sequestro-relâmpago ou acesso indevido às contas.

Para empresas

  • 99% das operações corporativas não serão impactadas, segundo o BC;
  • Empresas que realizam grandes transações terão de se adaptar a um possível prazo maior de compensação;
  • Instituições financeiras terão mais tempo para confirmar a origem dos recursos e se proteger contra movimentações fraudulentas.

Segurança x agilidade: o dilema do Pix

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Imagem: rafapress/shutterstock.com

Pix como alvo de fraudes

Desde sua criação, em 2020, o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais popular do Brasil, ultrapassando TED, DOC e cartões de débito. A agilidade e a gratuidade, porém, também abriram espaço para fraudes rápidas, em que criminosos exploram a instantaneidade do sistema.

A criação de mecanismos como o bloqueio cautelar de até 72 horas em casos suspeitos já foi um avanço. Agora, com a discussão sobre prazos maiores para grandes valores, o BC busca equilibrar a eficiência com a segurança.

O desafio regulatório

O grande desafio é não comprometer a experiência do usuário, que vê no Pix a principal vantagem de rapidez. Por isso, a tendência é que a regra seja aplicada de forma restrita a grandes quantias e situações específicas, sem afetar o fluxo de pagamentos comuns.

O que dizem os especialistas?

Benefícios da ampliação

Especialistas em segurança digital avaliam que a medida pode:

  • Dificultar a lavagem de dinheiro e o uso de contas laranjas;
  • Reduzir os riscos de fraudes de grande porte;
  • Dar mais segurança a empresas e clientes em operações vultosas.

Pontos de atenção

Por outro lado, existem preocupações de que:

  • A falta de clareza no tempo de bloqueio pode gerar insegurança para clientes e empresas;
  • Excesso de burocracia pode reduzir a atratividade do Pix para operações empresariais de alto valor;
  • O sistema financeiro precisará investir em inteligência artificial e monitoramento em tempo real para não sobrecarregar os processos.

Próximos passos do Banco Central

Fintechs
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Ainda não há previsão de quando a nova regra será oficializada. O BC deverá:

  1. Abrir consulta pública para ouvir instituições financeiras, fintechs e sociedade civil;
  2. Definir critérios objetivos sobre valores e prazos de bloqueio;
  3. Implementar a mudança de forma gradual, para não impactar a rotina de usuários comuns.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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