O Banco Central (BC) promoveu mudanças significativas nos limites de transações via Pix, por meio da Instrução Normativa nº 669, publicada em 29 de setembro. A medida substitui regras anteriores, que vinculavam os limites ao valor diário disponível para TEDs, passando a considerar agora o perfil de risco e o comportamento de cada usuário. Especialistas apontam que a alteração amplia a responsabilidade das instituições financeiras e fortalece a prevenção contra práticas ilícitas.
Novas regras do BC permitem que bancos definam limites do Pix por perfil de risco
Banco Central altera limites do Pix com base no perfil de risco e comportamento do usuário, reforçando segurança e prevenção a fraudes no sistema financeiro.
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Mudanças na definição de limites do Pix

A antiga Instrução Normativa nº 512, de agosto de 2024, determinava limites fixos para pagamentos e transferências. Para pessoas físicas, o limite diurno seguia o valor da TED e, durante a noite, ficava restrito a R$ 1 mil, caso o destinatário não fosse o próprio pagador. Para pessoas jurídicas, o teto diário era igual ao da TED, podendo ser alterado mediante solicitação expressa.
Com a nova regulamentação, permanece o limite de R$ 1 mil para transações noturnas entre pessoas físicas, mas agora há possibilidade de exceção mediante autorização expressa do usuário. Nas transações para empresas, o limite diário segue valendo, mas as demais regras foram substituídas por critérios baseados em risco e comportamento do usuário.
Critérios para a definição dos limites
As instituições financeiras deverão avaliar, pelo menos, os seguintes parâmetros para estabelecer limites personalizados:
- Histórico de transações do usuário
- Tempo de relacionamento com a instituição
- Padrões de uso e conduta digital
- Nível de autenticação exigido para autorizar operações
- Existência de cadastro prévio do destinatário ou de sua conta
Além disso, os usuários podem solicitar limites fixados em valor zero. Em casos onde a geolocalização do dispositivo não puder ser identificada, as transações podem ter limites diferenciados, inclusive zerados.
Impactos sobre Pix Agendado e Pix Automático
As regras para Pix Agendado e Pix Automático também foram alteradas. Antes vinculadas ao valor máximo diário das TEDs, essas modalidades passam agora a adotar limites definidos conforme o perfil de risco e comportamento do usuário. A mudança reforça a flexibilidade regulatória e exige maior maturidade das instituições na gestão de risco.
Especialistas comentam a mudança

Segundo Aylton Gonçalves, advogado e professor de regulação financeira, a associação dos limites à mensuração de risco é central:
“É muito relevante porque está na linha da abordagem baseada em risco que está em várias normas do Banco Central, algo muito utilizado pela autarquia a partir da Circular nº 3.978 de 2020.”
A circular citada estabelece políticas, procedimentos e controles internos para prevenir o uso do sistema financeiro na lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
Thiago Amaral Santos, sócio do escritório BTLaw, reforça que a mudança aumenta a responsabilidade das instituições:
“O BC adota uma regulação mais flexível, mas que exige maior maturidade em gestão de risco por parte dos participantes do arranjo Pix.”
A alteração também tende a incentivar soluções tecnológicas baseadas em dados, fortalecendo a prevenção a fraudes.
Contexto de segurança do Sistema Financeiro Nacional
O BC vem implementando medidas para aprimorar a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN), especialmente após ataques cibernéticos recentes contra instituições financeiras. No dia 29 de setembro de 2025, foram publicadas duas resoluções para reforçar a proteção do Pix:
- Resolução 506: altera o regulamento do sistema, focando em medidas de segurança
- Resolução 507: estabelece um novo Manual de Penalidades
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Essas medidas demonstram o compromisso do BC em proteger usuários e instituições, promovendo um ambiente financeiro mais seguro e confiável.
Benefícios da abordagem baseada em risco
A mudança permite uma calibragem mais precisa do risco por parte das instituições, evitando bloqueios desnecessários e limitando oportunidades de fraude. Para usuários com histórico confiável e alto nível de autenticação, os limites podem ser mais flexíveis, enquanto perfis considerados de maior risco terão restrições mais rigorosas.
A abordagem também é consistente com práticas internacionais de prevenção a crimes financeiros e lavagem de dinheiro, alinhando o sistema brasileiro às melhores práticas globais.
Como usuários podem se adaptar às novas regras

Para se beneficiar das novas regras, os usuários devem:
- Manter seus dados cadastrais atualizados
- Autorizar níveis de autenticação mais robustos
- Solicitar limites personalizados quando necessário
- Acompanhar transações e histórico financeiro
As instituições estão obrigadas a informar claramente os critérios utilizados e disponibilizar canais de atendimento para ajustes nos limites.
Conclusão
A alteração dos limites do Pix com base no perfil de risco e comportamento do usuário representa um avanço regulatório importante. O Banco Central demonstra preocupação em fortalecer a segurança do sistema financeiro, reduzir riscos de fraudes e alinhar a legislação nacional às normas internacionais. Para instituições e usuários, o desafio será se adaptar às novas exigências, garantindo um ambiente financeiro seguro e eficiente.
