Em fevereiro de 2025, o Banco Central do Brasil (BC), em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN), lançou a Consulta Pública nº 117/2025, propondo uma mudança com potencial de impactar profundamente a identidade e a operação de diversas fintechs no país. A medida, que provocou ampla repercussão nas redes sociais e no setor financeiro, sugere que somente instituições autorizadas formalmente como bancos possam utilizar os termos “banco” ou “bank” em suas marcas, nomes empresariais ou nomes fantasia.
Nova regra do Banco Central pode forçar Nubank a alterar seu nome
Proposta do Banco Central pode proibir fintechs de usarem os termos “bank” ou “banco” em suas marcas. Veja como isso pode afetar o Nubank.
A proposta coloca em xeque empresas como o Nubank, que mesmo não sendo um banco tradicional, construiu uma das marcas mais reconhecidas do país utilizando “bank” em seu nome. Atualmente, o Nubank possui mais de 114 milhões de clientes, sendo um dos principais players do setor financeiro digital.
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O que diz a proposta do Banco Central?
A Consulta Pública 117/2025 visa tornar mais transparente para os consumidores brasileiros quais instituições financeiras estão de fato autorizadas a operar como bancos e quais atuam com outros tipos de licença, como sociedades de crédito direto, instituições de pagamento ou cooperativas de crédito.
Objetivo da proposta
Segundo o texto apresentado pelo BC, o intuito é:
- Evitar confusão entre consumidores, que podem associar o uso da palavra “banco” à existência de todos os serviços bancários tradicionais;
- Reforçar a clareza sobre a autorização de funcionamento das instituições financeiras;
- Alinhar a identidade visual e corporativa das empresas com seus respectivos registros e tipos de licença regulatória.
Caso a proposta seja aprovada, empresas que não forem autorizadas como bancos precisarão alterar nomes e materiais de comunicação, impactando nomes fantasia, nomes jurídicos, marcas, aplicativos, sites, cartões, entre outros ativos de identidade institucional.
Nubank e o risco à marca

Um dos principais nomes envolvidos no debate é o Nubank, fundado em 2013 e hoje avaliado em dezenas de bilhões de reais no mercado internacional. Mesmo sendo regulado como uma instituição de pagamento e sociedade de crédito direto, o uso do termo “bank” sempre esteve presente na construção da sua marca e identidade.
Especialistas avaliam que, se a proposta for implementada, o Nubank poderá ser obrigado a:
- Solicitar licença bancária completa, passando a ser formalmente um banco;
- Ou alterar o nome da marca, o que teria efeitos colaterais significativos.
O desafio da mudança de nome
Ainda que o Nubank tenha estrutura e recursos para conduzir um rebranding, o processo envolveria risco de perda de familiaridade junto aos consumidores, além de elevados custos de marketing, adequações jurídicas e revisões de contrato. Marcas menores poderiam não sobreviver a um processo semelhante.
Posição das fintechs e da ABFintechs
A proposta recebeu críticas da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que representa centenas de empresas do setor. Para a entidade, a sugestão do Banco Central é “excessivamente enérgica” e ignora o fato de que a marca de uma empresa também é um ativo construído ao longo de anos, com impacto direto na confiança do consumidor.
Diego Perez, presidente da ABFintechs, declarou:
“Não se trata de indução ao erro. As fintechs devem, sim, ser transparentes quanto às licenças que possuem. Mas mudar o nome de empresas consolidadas pode criar uma desvantagem competitiva injusta, especialmente para aquelas que ainda estão em fase de crescimento.”
Impactos para o mercado: quem perde mais?
A medida afeta empresas de todos os portes, mas os impactos são mais severos para as fintechs menores, que ainda lutam por espaço em um mercado dominado por bancos tradicionais e grandes plataformas. Para essas empresas, alterar o nome e reposicionar a marca pode comprometer a operação.
As principais consequências seriam:
- Perda de reconhecimento de marca;
- Custos elevados com rebranding e comunicação;
- Desconfiança do consumidor durante o processo de transição;
- Risco de perda de clientes ou migração para concorrentes tradicionais.
Para o consumidor
Embora a proposta busque evitar confusões sobre a natureza jurídica das empresas, críticos alertam que a medida pode gerar efeito oposto, com confusão sobre empresas que os usuários já conhecem e confiam.
Caminhos possíveis para as fintechs
Diante da proposta, as fintechs afetadas têm duas opções principais:
1. Solicitar uma licença bancária
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Optar por se tornar formalmente um banco, o que permitiria continuar usando o termo “banco” ou “bank”. Contudo, esse caminho exige:
- Capital regulatório elevado;
- Cumprimento de requisitos operacionais e de governança mais complexos;
- Maior fiscalização por parte do BC.
2. Alterar o nome da marca
Para fintechs que optarem por seguir como instituições de pagamento ou sociedades de crédito, será necessário realizar um rebranding completo. Isso inclui:
- Alterar razão social e nome fantasia;
- Atualizar domínios de site, apps, redes sociais;
- Emitir novos cartões, contratos e comunicações oficiais;
- Investir em comunicação educativa com o cliente.
O que pensa o Banco Central?
Embora o Banco Central ainda não tenha se posicionado sobre as contribuições recebidas, o órgão afirma que a Consulta Pública é justamente o momento de ouvir o mercado e ajustar o texto com base em argumentos técnicos.
A expectativa é de que o BC avalie as manifestações até meados do segundo semestre de 2025 e publique uma resolução final até o fim do ano.
Inovação versus regulação: o dilema do setor financeiro
O caso evidencia uma tensão constante entre inovação e regulação. Por um lado, é função do Estado garantir transparência e segurança para o consumidor. Por outro, a regulação excessiva pode inibir o crescimento de soluções inovadoras, como as trazidas pelas fintechs nos últimos anos.
O Brasil se destaca como um dos mercados mais dinâmicos de fintechs no mundo, com centenas de startups atuando em crédito, pagamentos, investimentos e seguros. Limitar o uso de termos estratégicos pode representar um retrocesso competitivo diante de mercados globais.
Reações nas redes sociais e no setor financeiro

Desde o lançamento da consulta pública, o tema gerou grande repercussão nas redes sociais. Usuários do Nubank e de outras fintechs se manifestaram contrários à proposta, afirmando que a mudança “não altera em nada a confiança na marca”.
No setor financeiro, executivos de bancos tradicionais veem com simpatia a medida, alegando que o uso de “banco” por empresas que não são bancos gera assimetria de informação e concorrência desleal.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
