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Nova regra do Banco Central pode forçar Nubank a alterar seu nome

Proposta do Banco Central pode proibir fintechs de usarem os termos “bank” ou “banco” em suas marcas. Veja como isso pode afetar o Nubank.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
banco central

Em fevereiro de 2025, o Banco Central do Brasil (BC), em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN), lançou a Consulta Pública nº 117/2025, propondo uma mudança com potencial de impactar profundamente a identidade e a operação de diversas fintechs no país. A medida, que provocou ampla repercussão nas redes sociais e no setor financeiro, sugere que somente instituições autorizadas formalmente como bancos possam utilizar os termos “banco” ou “bank” em suas marcas, nomes empresariais ou nomes fantasia.

A proposta coloca em xeque empresas como o Nubank, que mesmo não sendo um banco tradicional, construiu uma das marcas mais reconhecidas do país utilizando “bank” em seu nome. Atualmente, o Nubank possui mais de 114 milhões de clientes, sendo um dos principais players do setor financeiro digital.

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom /Shutterstock.com

O que diz a proposta do Banco Central?

A Consulta Pública 117/2025 visa tornar mais transparente para os consumidores brasileiros quais instituições financeiras estão de fato autorizadas a operar como bancos e quais atuam com outros tipos de licença, como sociedades de crédito direto, instituições de pagamento ou cooperativas de crédito.

Objetivo da proposta

Segundo o texto apresentado pelo BC, o intuito é:

  • Evitar confusão entre consumidores, que podem associar o uso da palavra “banco” à existência de todos os serviços bancários tradicionais;
  • Reforçar a clareza sobre a autorização de funcionamento das instituições financeiras;
  • Alinhar a identidade visual e corporativa das empresas com seus respectivos registros e tipos de licença regulatória.

Caso a proposta seja aprovada, empresas que não forem autorizadas como bancos precisarão alterar nomes e materiais de comunicação, impactando nomes fantasia, nomes jurídicos, marcas, aplicativos, sites, cartões, entre outros ativos de identidade institucional.

Nubank e o risco à marca

nubank
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Um dos principais nomes envolvidos no debate é o Nubank, fundado em 2013 e hoje avaliado em dezenas de bilhões de reais no mercado internacional. Mesmo sendo regulado como uma instituição de pagamento e sociedade de crédito direto, o uso do termo “bank” sempre esteve presente na construção da sua marca e identidade.

Especialistas avaliam que, se a proposta for implementada, o Nubank poderá ser obrigado a:

  • Solicitar licença bancária completa, passando a ser formalmente um banco;
  • Ou alterar o nome da marca, o que teria efeitos colaterais significativos.

O desafio da mudança de nome

Ainda que o Nubank tenha estrutura e recursos para conduzir um rebranding, o processo envolveria risco de perda de familiaridade junto aos consumidores, além de elevados custos de marketing, adequações jurídicas e revisões de contrato. Marcas menores poderiam não sobreviver a um processo semelhante.

Posição das fintechs e da ABFintechs

A proposta recebeu críticas da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que representa centenas de empresas do setor. Para a entidade, a sugestão do Banco Central é “excessivamente enérgica” e ignora o fato de que a marca de uma empresa também é um ativo construído ao longo de anos, com impacto direto na confiança do consumidor.

Diego Perez, presidente da ABFintechs, declarou:

“Não se trata de indução ao erro. As fintechs devem, sim, ser transparentes quanto às licenças que possuem. Mas mudar o nome de empresas consolidadas pode criar uma desvantagem competitiva injusta, especialmente para aquelas que ainda estão em fase de crescimento.”

Impactos para o mercado: quem perde mais?

A medida afeta empresas de todos os portes, mas os impactos são mais severos para as fintechs menores, que ainda lutam por espaço em um mercado dominado por bancos tradicionais e grandes plataformas. Para essas empresas, alterar o nome e reposicionar a marca pode comprometer a operação.

As principais consequências seriam:

  • Perda de reconhecimento de marca;
  • Custos elevados com rebranding e comunicação;
  • Desconfiança do consumidor durante o processo de transição;
  • Risco de perda de clientes ou migração para concorrentes tradicionais.

Para o consumidor

Embora a proposta busque evitar confusões sobre a natureza jurídica das empresas, críticos alertam que a medida pode gerar efeito oposto, com confusão sobre empresas que os usuários já conhecem e confiam.

Caminhos possíveis para as fintechs

Diante da proposta, as fintechs afetadas têm duas opções principais:

1. Solicitar uma licença bancária

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Optar por se tornar formalmente um banco, o que permitiria continuar usando o termo “banco” ou “bank”. Contudo, esse caminho exige:

  • Capital regulatório elevado;
  • Cumprimento de requisitos operacionais e de governança mais complexos;
  • Maior fiscalização por parte do BC.

2. Alterar o nome da marca

Para fintechs que optarem por seguir como instituições de pagamento ou sociedades de crédito, será necessário realizar um rebranding completo. Isso inclui:

  • Alterar razão social e nome fantasia;
  • Atualizar domínios de site, apps, redes sociais;
  • Emitir novos cartões, contratos e comunicações oficiais;
  • Investir em comunicação educativa com o cliente.

O que pensa o Banco Central?

Embora o Banco Central ainda não tenha se posicionado sobre as contribuições recebidas, o órgão afirma que a Consulta Pública é justamente o momento de ouvir o mercado e ajustar o texto com base em argumentos técnicos.

A expectativa é de que o BC avalie as manifestações até meados do segundo semestre de 2025 e publique uma resolução final até o fim do ano.

Inovação versus regulação: o dilema do setor financeiro

O caso evidencia uma tensão constante entre inovação e regulação. Por um lado, é função do Estado garantir transparência e segurança para o consumidor. Por outro, a regulação excessiva pode inibir o crescimento de soluções inovadoras, como as trazidas pelas fintechs nos últimos anos.

O Brasil se destaca como um dos mercados mais dinâmicos de fintechs no mundo, com centenas de startups atuando em crédito, pagamentos, investimentos e seguros. Limitar o uso de termos estratégicos pode representar um retrocesso competitivo diante de mercados globais.

Reações nas redes sociais e no setor financeiro

Nubank
Imagem: Freepik e Canva

Desde o lançamento da consulta pública, o tema gerou grande repercussão nas redes sociais. Usuários do Nubank e de outras fintechs se manifestaram contrários à proposta, afirmando que a mudança “não altera em nada a confiança na marca”.

No setor financeiro, executivos de bancos tradicionais veem com simpatia a medida, alegando que o uso de “banco” por empresas que não são bancos gera assimetria de informação e concorrência desleal.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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