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BC corta Selic, mas crédito segue caro no país

BC indica início da redução da Selic em março, mas reforça que juros seguirão restritivos para garantir inflação na meta.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
banco central do brasil bc

O Banco Central confirmou que pretende iniciar o ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para março. A sinalização consta na ata divulgada na terça-feira (3), após a decisão que manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva.

Apesar da indicação de início da flexibilização monetária, o BC deixou claro que os juros continuarão em patamar restritivo e que o ritmo e a magnitude dos cortes dependerão da evolução do cenário econômico, especialmente da inflação, das expectativas futuras e do ambiente fiscal.

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O que diz a ata do Copom

Segundo a ata, o comitê avalia que o cenário atual permite discutir a calibração do nível de juros, diante de uma inflação mais comportada e de sinais mais evidentes da transmissão da política monetária para a economia real.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o documento.

O BC também destacou que o compromisso com a meta de inflação exige cautela. Assim, qualquer redução será feita de forma gradual, evitando riscos de uma reancoragem negativa das expectativas.

Selic segue no maior nível em quase duas décadas

A taxa Selic está atualmente no maior patamar desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano. O nível elevado dos juros tem como principal objetivo conter a demanda e frear a inflação, encarecendo o crédito e estimulando a poupança.

No entanto, o próprio BC reconhece que juros muito altos por períodos prolongados também têm efeitos colaterais, como a desaceleração do crescimento econômico e o encarecimento do financiamento para famílias e empresas.

Inflação dentro da meta, mas ainda sob vigilância

A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional em 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Para este ano, a projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 3,99%, segundo o boletim Focus, portanto dentro do intervalo da meta.

Mesmo assim, o BC avalia que ainda existem pressões inflacionárias relevantes, tanto nos preços correntes quanto nas expectativas futuras, o que justifica a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.

Mercado de trabalho influencia decisão sobre juros

Um dos principais fatores de cautela apontados pelo Copom é o dinamismo do mercado de trabalho. A ata destaca que a taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais médios continuam crescendo acima da produtividade.

Esse descompasso pode gerar pressões inflacionárias persistentes, especialmente no setor de serviços, que é mais sensível à renda do que às condições financeiras.

Segundo o BC, a economia brasileira vem mostrando uma moderação no ritmo de crescimento, mas ainda opera acima do seu potencial, sem gerar, por ora, pressões inflacionárias adicionais relevantes.

Setores sentem os juros de forma diferente

A ata também chama atenção para a heterogeneidade do impacto da política monetária entre setores da economia. Segmentos mais dependentes de crédito, como construção civil e bens duráveis, já apresentam desaceleração mais intensa.

Por outro lado, setores mais ligados à renda e ao mercado de trabalho seguem resilientes, o que reforça a necessidade de cautela antes de um afrouxamento mais acelerado dos juros.

Expectativas do mercado para a Selic

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De acordo com o boletim Focus, a expectativa do mercado financeiro é que a Selic seja reduzida para 14,5% ao ano já na reunião de março. Para o médio prazo, a projeção indica queda gradual até cerca de 12,25% ao ano no fim de 2026.

Essas estimativas refletem a leitura de que o BC deve iniciar um ciclo de cortes moderados, evitando movimentos bruscos que possam comprometer a credibilidade da política monetária.

Cenário externo e riscos globais

O Banco Central também destacou que o ambiente internacional segue desafiador. A conjuntura econômica e a política monetária dos Estados Unidos continuam influenciando as condições financeiras globais, com reflexos diretos sobre países emergentes como o Brasil.

Além disso, tensões geopolíticas aumentam a volatilidade dos mercados e exigem postura mais prudente por parte das autoridades monetárias.

Política fiscal pesa nas decisões do Copom

No cenário doméstico, a situação das contas públicas é apontada como fator central para o controle da inflação. Segundo o BC, a política fiscal influencia não apenas a demanda no curto prazo, mas também a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida pública.

O Copom reforçou que a ausência de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia. Isso tornaria o combate à inflação mais custoso, exigindo juros mais altos por mais tempo.

Para o comitê, políticas previsíveis, críveis e anticíclicas são fundamentais para reduzir o prêmio de risco e permitir uma trajetória sustentável de queda dos juros no futuro.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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