A Via Expressa, uma das principais avenidas de Belo Horizonte, teve seu limite de velocidade reduzido para 60 km/h em toda a extensão. A nova regra, que entrou em vigor nesta terça-feira, 17 de junho, integra um conjunto de medidas da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para promover mais segurança no trânsito urbano.
Velocidade atualizada na Via Expressa de BH entra em vigor
Velocidade máxima na Via Expressa, em BH, agora é de 60 km/h. Medida visa aumentar a segurança no trânsito.
Antes da mudança, alguns trechos da via — especialmente entre o bairro Coração Eucarístico e a divisa com Contagem — permitiam velocidade de até 80 km/h. A PBH justifica a alteração com base em estudos que apontam a redução da velocidade como fator crucial para minimizar a gravidade de acidentes e salvar vidas.
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Sinalização reforçada e radares ajustados

Para garantir que os motoristas estejam informados da nova regulamentação, a via já recebeu 20 novas placas de sinalização e faixas informativas foram instaladas ao longo do trajeto. A BHTrans, responsável pelo trânsito da capital, também iniciou o processo de ajuste dos radares eletrônicos, que passarão a registrar infrações com base no novo limite de 60 km/h.
A ação não foi surpresa: a mudança havia sido anunciada oficialmente pela prefeitura na última quinta-feira (12 de junho), o que deu tempo para a divulgação e preparação do novo sistema de controle.
Via com histórico de acidentes
De acordo com levantamento do jornal O TEMPO, a Via Expressa ocupa a 20ª posição no ranking de vias com mais acidentes registrados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diante desse cenário, a medida surge como resposta a um histórico preocupante e visa reverter as estatísticas negativas.
Ao longo dos anos, a via ganhou fama por sua extensão e facilidade de deslocamento, mas também pelos números significativos de colisões e atropelamentos.
Especialistas apoiam a medida
A mudança foi bem recebida por especialistas da área. O diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (AMMETRA), Alysson Coimbra, avalia que a redução de velocidade é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir mortes no trânsito, independentemente do tipo de via.
“A velocidade é cientificamente comprovada como um fator que potencializa o agravamento das lesões decorrentes de acidentes de trânsito, inclusive com aumento do risco de morte instantânea no local”, explicou Coimbra.
Para o especialista, o controle rigoroso da velocidade — por meio de radares, limites bem definidos e fiscalização constante — deve ser uma prioridade nas políticas públicas de mobilidade urbana.
Trânsito mais seguro não significa trânsito mais lento
Um dos argumentos mais comuns contra a redução de velocidade é a possível perda de fluidez no tráfego. No entanto, Coimbra rebate essa visão. Para ele, a ideia de que “correr garante mais agilidade” é um mito perigoso.
“É uma ilusão achar que, quanto mais se corre, mais rápido se chega. O excesso de velocidade só nos leva mais depressa para onde não queremos estar: um pronto-socorro”, alertou o diretor da AMMETRA.
Ele defende que, com planejamento e respeito às regras, é possível chegar com segurança e pontualidade aos compromissos diários.
Impacto direto na segurança viária
Estudos internacionais e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que a redução da velocidade nas cidades salva vidas. Segundo estimativas da entidade, uma redução de apenas 5% na velocidade média dos veículos pode diminuir em até 30% o número de acidentes fatais.
A experiência de grandes centros urbanos, como Paris e Bogotá, que também reduziram os limites nas principais vias, mostra que menos velocidade significa menos mortes. A iniciativa de Belo Horizonte segue essa mesma linha.
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Comunicação com os motoristas será essencial
Apesar da medida estar em vigor, o sucesso da nova velocidade dependerá, em grande parte, da adesão consciente dos motoristas. Para isso, a PBH e a BHTrans devem continuar investindo em campanhas educativas, alertando sobre os benefícios da redução de velocidade e os riscos de desrespeitá-la.
Além da sinalização física, o uso de meios digitais, redes sociais e rádios locais pode ser uma estratégia eficiente para alcançar um público mais amplo e garantir o cumprimento da norma.
Mais que uma norma, um passo para a cultura de paz no trânsito
A nova regra não deve ser vista apenas como uma imposição, mas como parte de uma mudança cultural necessária. O trânsito urbano precisa deixar de ser um campo de disputa para se tornar um espaço de convivência segura, onde todos — motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres — tenham seu direito à vida respeitado.
Ao optar por medidas que priorizam a segurança em vez da velocidade, a cidade avança em direção a um modelo mais humano e sustentável de mobilidade.
Próximos passos

A PBH ainda não informou se outras vias da capital também passarão por ajustes semelhantes, mas já sinalizou que ações de segurança viária continuarão sendo prioridade em sua gestão.
A expectativa é que resultados positivos na Via Expressa possam inspirar novos projetos e políticas públicas voltadas à preservação de vidas no trânsito.
Com informações de: O TEMPO
