A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte determinou a suspensão imediata do uso dos glicosímetros e das tiras reagentes da marca OK Pro nos 153 centros de saúde da capital. A medida, de caráter preventivo, foi adotada após recomendação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e visa resguardar a saúde de cerca de 50 mil pessoas com diabetes que utilizam os equipamentos fornecidos pela rede pública.
A decisão segue a interdição cautelar aplicada pela Vigilância Sanitária, que ainda está avaliando a eficácia e a segurança dos dispositivos. Enquanto isso, os profissionais da atenção básica devem orientar os pacientes a suspenderem o uso dos aparelhos e a aguardar novas instruções.
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Entenda o que motivou a suspensão
A principal motivação para a medida foi a inconsistência nos resultados apresentados pelos glicosímetros da marca OK Pro. Médicos da rede relataram diferenças significativas entre os valores aferidos com esses dispositivos e os registrados com equipamentos de outras marcas, o que poderia acarretar em condutas clínicas equivocadas e colocar pacientes em risco.
Relato de um profissional da rede pública:
“Atendi um paciente em crise. O glicosímetro OK Pro indicou uma glicemia de cerca de 400 mg/dL, o que indicaria uma urgência e necessidade de internação. Após repetirmos a medição com outro aparelho, o valor caiu para 200 mg/dL, permitindo um tratamento local”, relatou um médico que preferiu não ser identificado.
Esse tipo de divergência compromete a tomada de decisões médicas e pode levar a tratamentos inadequados, sobretudo em casos agudos como hiperglicemias severas.
Ações determinadas pela Secretaria de Estado de Saúde
A SES-MG encaminhou um ofício às unidades de saúde recomendando a suspensão imediata da utilização e distribuição dos produtos da marca OK Pro. Além disso, determinou ações logísticas e administrativas para garantir o bloqueio do acesso aos itens até a conclusão da análise técnica pela Vigilância Sanitária.
Medidas recomendadas pela SES-MG:
- Isolamento físico dos estoques dos insumos em local separado;
- Identificação clara de “produto interditado” nas unidades de armazenamento;
- Bloqueio dos produtos no estoque virtual do sistema estadual;
- Comunicação ativa com os pacientes por parte das equipes de atenção básica;
- Parceria com os municípios para mitigar os impactos da suspensão.
A orientação é que nenhum paciente continue utilizando os aparelhos até que a qualidade seja comprovada.
Qual a função dos glicosímetros no controle do diabetes?
Os glicosímetros são dispositivos portáteis utilizados para medir a glicemia capilar, ou seja, a quantidade de glicose presente no sangue. Eles são fundamentais para que pessoas com diabetes possam monitorar seus níveis glicêmicos diariamente e ajustar suas doses de insulina ou alimentação conforme necessário.
Itens geralmente fornecidos pelo SUS para controle da glicemia:
- Glicosímetros (aparelhos de medição);
- Tiras reagentes;
- Lancetas;
- Agulhas e seringas;
- Insulinas e outros medicamentos orais.
Esses insumos são distribuídos gratuitamente pelo SUS como parte da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e representam uma ferramenta de gestão da saúde individual e coletiva.
Impacto da suspensão em Belo Horizonte

Com cerca de 50 mil pacientes cadastrados na capital utilizando os insumos da marca OK Pro, a medida gera um impacto direto na rotina de controle da diabetes de milhares de pessoas. A Prefeitura informou que a aquisição dos dispositivos foi realizada pelo governo de Minas Gerais por meio de processo licitatório, e que está acompanhando o caso de perto, aguardando um posicionamento técnico da Secretaria de Estado.
Como os pacientes devem proceder?
A orientação é que os usuários:
- Suspendam imediatamente o uso dos aparelhos OK Pro;
- Procurem orientação na Unidade Básica de Saúde mais próxima;
- Não descartem os aparelhos e insumos, pois o destino correto será orientado pela Secretaria de Saúde;
- Fiquem atentos aos canais oficiais da Prefeitura e da SES-MG para atualizações.
A Secretaria Municipal de Saúde também destacou que está trabalhando em orientações técnicas complementares, que serão encaminhadas aos profissionais da rede SUS-BH.
O que diz a empresa responsável pelos equipamentos?
Até o momento, não há pronunciamento oficial da empresa Ok Biotech, fabricante dos glicosímetros OK Pro, sobre a interdição cautelar e as alegações de falhas nos dispositivos. A SES-MG reforçou que a medida é preventiva e está sendo tomada para evitar qualquer risco à saúde da população, e que os produtos permanecerão interditados até que a eficácia e a segurança sejam plenamente avaliadas.
Análise técnica em andamento
A Vigilância Sanitária de Minas Gerais está realizando uma análise laboratorial rigorosa dos equipamentos e insumos. O processo visa identificar:
- Possíveis falhas de calibração dos aparelhos;
- Problemas nas tiras reagentes;
- Diferenças entre lotes;
- Conformidade com os padrões da Anvisa.
Enquanto isso, a SES-MG destacou que está empenhada em encontrar alternativas para substituir os equipamentos, de modo a garantir a continuidade do cuidado às pessoas com diabetes.
Possíveis consequências para a saúde pública
A interrupção do uso de glicosímetros pode representar um desafio para o controle da doença, sobretudo entre pacientes com diabetes tipo 1, que dependem do monitoramento constante da glicemia para evitar hipoglicemias ou hiperglicemias graves.
Riscos associados à ausência de controle glicêmico:
- Descompensação do quadro clínico;
- Internações por crises diabéticas;
- Aumento da procura por serviços de urgência e emergência;
- Maior risco de complicações crônicas, como neuropatias, retinopatias e doenças cardiovasculares.
Por isso, a reposição rápida dos dispositivos é vista como urgente e estratégica para manter a efetividade das políticas públicas de saúde.
Alternativas em discussão

A SES-MG informou que está buscando alternativas logísticas e comerciais para garantir o reabastecimento das unidades de saúde com produtos seguros e aprovados pela Vigilância Sanitária.
Entre as alternativas em análise:
- Requisição emergencial de glicosímetros de outras marcas;
- Redistribuição temporária de estoques regionais;
- Novos processos de compra com fornecedores diferentes;
- Avaliação técnica de outros modelos disponíveis no mercado.
O objetivo é normalizar o fornecimento o mais rápido possível, com prioridade para as unidades que atendem pacientes com maior risco clínico.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital



