Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Anvisa interdita dispositivos para diabéticos em BH após risco à saúde

BH suspende uso dos glicosímetros OK Pro após recomendação da SES-MG. Medida afeta 50 mil pacientes, saiba mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
anvisa

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte determinou a suspensão imediata do uso dos glicosímetros e das tiras reagentes da marca OK Pro nos 153 centros de saúde da capital. A medida, de caráter preventivo, foi adotada após recomendação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e visa resguardar a saúde de cerca de 50 mil pessoas com diabetes que utilizam os equipamentos fornecidos pela rede pública.

A decisão segue a interdição cautelar aplicada pela Vigilância Sanitária, que ainda está avaliando a eficácia e a segurança dos dispositivos. Enquanto isso, os profissionais da atenção básica devem orientar os pacientes a suspenderem o uso dos aparelhos e a aguardar novas instruções.

Leia mais:

Anvisa suspende sabonete de marca renomada: entenda!

anvisa-zeite
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Entenda o que motivou a suspensão

A principal motivação para a medida foi a inconsistência nos resultados apresentados pelos glicosímetros da marca OK Pro. Médicos da rede relataram diferenças significativas entre os valores aferidos com esses dispositivos e os registrados com equipamentos de outras marcas, o que poderia acarretar em condutas clínicas equivocadas e colocar pacientes em risco.

Relato de um profissional da rede pública:

“Atendi um paciente em crise. O glicosímetro OK Pro indicou uma glicemia de cerca de 400 mg/dL, o que indicaria uma urgência e necessidade de internação. Após repetirmos a medição com outro aparelho, o valor caiu para 200 mg/dL, permitindo um tratamento local”, relatou um médico que preferiu não ser identificado.

Esse tipo de divergência compromete a tomada de decisões médicas e pode levar a tratamentos inadequados, sobretudo em casos agudos como hiperglicemias severas.

Ações determinadas pela Secretaria de Estado de Saúde

A SES-MG encaminhou um ofício às unidades de saúde recomendando a suspensão imediata da utilização e distribuição dos produtos da marca OK Pro. Além disso, determinou ações logísticas e administrativas para garantir o bloqueio do acesso aos itens até a conclusão da análise técnica pela Vigilância Sanitária.

Medidas recomendadas pela SES-MG:

  • Isolamento físico dos estoques dos insumos em local separado;
  • Identificação clara de “produto interditado” nas unidades de armazenamento;
  • Bloqueio dos produtos no estoque virtual do sistema estadual;
  • Comunicação ativa com os pacientes por parte das equipes de atenção básica;
  • Parceria com os municípios para mitigar os impactos da suspensão.

A orientação é que nenhum paciente continue utilizando os aparelhos até que a qualidade seja comprovada.

Qual a função dos glicosímetros no controle do diabetes?

Os glicosímetros são dispositivos portáteis utilizados para medir a glicemia capilar, ou seja, a quantidade de glicose presente no sangue. Eles são fundamentais para que pessoas com diabetes possam monitorar seus níveis glicêmicos diariamente e ajustar suas doses de insulina ou alimentação conforme necessário.

Itens geralmente fornecidos pelo SUS para controle da glicemia:

  • Glicosímetros (aparelhos de medição);
  • Tiras reagentes;
  • Lancetas;
  • Agulhas e seringas;
  • Insulinas e outros medicamentos orais.

Esses insumos são distribuídos gratuitamente pelo SUS como parte da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e representam uma ferramenta de gestão da saúde individual e coletiva.

Impacto da suspensão em Belo Horizonte

Diabetes: Brasil recebe primeira insulina de aplicação semanal, aprovada pela Anvisa
Imagem: Freepik

Com cerca de 50 mil pacientes cadastrados na capital utilizando os insumos da marca OK Pro, a medida gera um impacto direto na rotina de controle da diabetes de milhares de pessoas. A Prefeitura informou que a aquisição dos dispositivos foi realizada pelo governo de Minas Gerais por meio de processo licitatório, e que está acompanhando o caso de perto, aguardando um posicionamento técnico da Secretaria de Estado.

Como os pacientes devem proceder?

A orientação é que os usuários:

  • Suspendam imediatamente o uso dos aparelhos OK Pro;
  • Procurem orientação na Unidade Básica de Saúde mais próxima;
  • Não descartem os aparelhos e insumos, pois o destino correto será orientado pela Secretaria de Saúde;
  • Fiquem atentos aos canais oficiais da Prefeitura e da SES-MG para atualizações.

A Secretaria Municipal de Saúde também destacou que está trabalhando em orientações técnicas complementares, que serão encaminhadas aos profissionais da rede SUS-BH.

O que diz a empresa responsável pelos equipamentos?

Até o momento, não há pronunciamento oficial da empresa Ok Biotech, fabricante dos glicosímetros OK Pro, sobre a interdição cautelar e as alegações de falhas nos dispositivos. A SES-MG reforçou que a medida é preventiva e está sendo tomada para evitar qualquer risco à saúde da população, e que os produtos permanecerão interditados até que a eficácia e a segurança sejam plenamente avaliadas.

Análise técnica em andamento

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

A Vigilância Sanitária de Minas Gerais está realizando uma análise laboratorial rigorosa dos equipamentos e insumos. O processo visa identificar:

  • Possíveis falhas de calibração dos aparelhos;
  • Problemas nas tiras reagentes;
  • Diferenças entre lotes;
  • Conformidade com os padrões da Anvisa.

Enquanto isso, a SES-MG destacou que está empenhada em encontrar alternativas para substituir os equipamentos, de modo a garantir a continuidade do cuidado às pessoas com diabetes.

Possíveis consequências para a saúde pública

A interrupção do uso de glicosímetros pode representar um desafio para o controle da doença, sobretudo entre pacientes com diabetes tipo 1, que dependem do monitoramento constante da glicemia para evitar hipoglicemias ou hiperglicemias graves.

Riscos associados à ausência de controle glicêmico:

  • Descompensação do quadro clínico;
  • Internações por crises diabéticas;
  • Aumento da procura por serviços de urgência e emergência;
  • Maior risco de complicações crônicas, como neuropatias, retinopatias e doenças cardiovasculares.

Por isso, a reposição rápida dos dispositivos é vista como urgente e estratégica para manter a efetividade das políticas públicas de saúde.

Alternativas em discussão

anvisa
Imagem: Freepik e Canva

A SES-MG informou que está buscando alternativas logísticas e comerciais para garantir o reabastecimento das unidades de saúde com produtos seguros e aprovados pela Vigilância Sanitária.

Entre as alternativas em análise:

  • Requisição emergencial de glicosímetros de outras marcas;
  • Redistribuição temporária de estoques regionais;
  • Novos processos de compra com fornecedores diferentes;
  • Avaliação técnica de outros modelos disponíveis no mercado.

O objetivo é normalizar o fornecimento o mais rápido possível, com prioridade para as unidades que atendem pacientes com maior risco clínico.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados