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Bioenergia já responde por 30% da matriz energética brasileira

Bioenergia gerada no agronegócio já representa 30% da matriz energética do Brasil, aponta estudo da FGV.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Energia

Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado uma transformação silenciosa, mas profunda, em sua matriz energética. O protagonismo que antes pertencia às grandes hidrelétricas vem sendo compartilhado com uma fonte que nasce no campo: a bioenergia. Hoje, ela responde por 30% de toda a energia produzida no país, de acordo com estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV). A energia que vem da biomassa agropecuária, seja na forma de eletricidade ou de biocombustíveis, está consolidando o agronegócio como um dos pilares da sustentabilidade energética nacional.

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Da exceção à liderança: a ascensão da bioenergia

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Imagem: Freepik

Na década de 1970, a contribuição da bioenergia para a matriz energética brasileira era tímida, não passando de 10%. No entanto, entre 2020 e 2023, esse número saltou para 30%, refletindo o avanço da tecnologia, o crescimento da frota de veículos flex e políticas públicas como a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel convencional.

Sem essa contribuição do setor agropecuário, a fatia de fontes renováveis na matriz energética brasileira em 2023 teria sido de apenas 20% — um índice próximo da média global (15%). No entanto, com o peso da bioenergia, essa participação sobe para impressionantes 49,1%, tornando o Brasil uma referência internacional em energia limpa.

O que é considerado bioenergia?

No estudo conduzido pelo pesquisador Luciano Rodrigues, a bioenergia foi definida como “toda energia solar que é capturada pela biomassa e convertida em alguma forma de energia útil para a sociedade”. Isso inclui eletricidade, combustíveis líquidos e sólidos. Todas as fontes foram convertidas em tonelada equivalente de petróleo (TEP) para permitir comparações precisas.

Entre as fontes analisadas estão:

  • Biomassa da cana-de-açúcar (para etanol e eletricidade)
  • Lenha e carvão vegetal
  • Lixívia (resíduo da indústria de papel e celulose)
  • Óleos vegetais (para produção de biodiesel)
  • Biogás proveniente de resíduos agropecuários
  • Outras biomassas energéticas

Cana-de-açúcar: carro-chefe da bioenergia brasileira

Em 2023, a biomassa da cana-de-açúcar foi responsável por 16,87% da oferta total de energia no país — superando até mesmo a hidreletricidade, que representou 12,01%. O etanol é o principal produto desse destaque, mas a queima do bagaço de cana para geração de eletricidade também ganha espaço, embora ainda esteja atrás da energia hidrelétrica em volume absoluto.

A diversidade de produtos energéticos gerados a partir da cana destaca o potencial dessa matéria-prima na transição energética nacional.

Crescimento do etanol de milho e expansão do biodiesel

A última década também testemunhou a ascensão do etanol de milho, com 25 novas usinas em operação e outras 32 em processo de autorização ou construção. Essa diversificação de matérias-primas fortalece a segurança energética e reduz a dependência do petróleo.

Além disso, os aumentos nas porcentagens de biodiesel misturado ao diesel comum foram essenciais para impulsionar a participação do agro na matriz energética. A cadeia da soja, principal base do biodiesel, movimentou bilhões em investimentos — somente entre 2022 e 2023, o setor anunciou R$ 5,7 bilhões para ampliação de sua capacidade de processamento.

Oscilações e resiliência no setor de bioenergia

Embora a trajetória da bioenergia seja de crescimento estrutural, houve anos de retração, como 2017, 2020 e 2021. No entanto, segundo Rodrigues, essas variações pontuais não indicam fragilidade.

Ele explica que algumas fontes — como lixívia, lenha e carvão — são menos vulneráveis à variação climática por conta de seu ciclo de produção prolongado. Mesmo as culturas de ciclo curto, como soja e milho, permitem armazenamento e planejamento logístico para garantir o abastecimento contínuo.

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A diversidade de matérias-primas e a distribuição geográfica da produção energética do agro atuam como amortecedores diante de adversidades, sejam elas climáticas ou econômicas.

Indústria consome mais bioenergia que o transporte

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Imagem: Dan Meyers / Unsplash.com

Outro dado revelador do estudo da FGV é o perfil de consumo da bioenergia. Em 2023, a indústria brasileira foi a maior consumidora da energia gerada no campo, superando até mesmo o setor de transportes, que tradicionalmente lidera em uso de etanol e biodiesel.

Grande parte desse consumo industrial vem de alimentos e bebidas, florestas plantadas, carvão mineral, cerâmicas e metalurgia, setores que encontram na bioenergia uma fonte mais limpa, previsível e, em alguns casos, mais econômica.

Bioenergia como alicerce da transição energética

A crescente importância da bioenergia não é apenas uma tendência local. No contexto global de transição para fontes limpas, o Brasil se destaca por ter quase metade de sua matriz energética baseada em fontes renováveis, sendo a bioenergia a principal delas.

Com o aumento da eletrificação da frota, o avanço da indústria de biocombustíveis e a integração de resíduos agroindustriais, o potencial de expansão da bioenergia é ainda maior. O setor já provou que não se trata apenas de uma opção sustentável, mas também estrategicamente viável, resiliente e econômica.

Com informações de: Globo Rural

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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