O governo federal oficializou a obrigatoriedade do cadastro biométrico para todos os beneficiários e solicitantes do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida foi publicada por meio de portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nova exigência do BPC altera rotina de cadastramento
Biometria passa a ser obrigatória no BPC. Veja prazos, quem precisa fazer e como evitar bloqueio do benefício.
A partir de agora, a biometria deixa de ser apenas um complemento cadastral e passa a ser requisito formal para concessão, manutenção e revisão do benefício.
Na prática, ninguém poderá receber ou continuar recebendo o BPC sem ter registro biométrico válido em bases oficiais reconhecidas pelo governo.
A seguir, você confere o que muda, quem precisa se regularizar, quais são os prazos e como evitar bloqueios.
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O que é o BPC e quem tem direito
O Benefício de Prestação Continuada é garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Ele assegura um salário mínimo mensal a:
- Idosos com 65 anos ou mais;
- Pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem baixa renda familiar.
Diferentemente das aposentadorias pagas pelo INSS, o BPC não exige contribuição prévia à Previdência Social. Trata-se de um benefício assistencial, destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo dados oficiais do governo federal, milhões de brasileiros recebem o benefício atualmente, o que faz do programa uma das principais políticas de transferência de renda fora do sistema previdenciário.
Por que o governo tornou a biometria obrigatória
De acordo com o governo federal, a medida integra um esforço de modernização e combate a fraudes nos programas sociais.
Com o cruzamento eletrônico de dados cada vez mais sofisticado, a biometria passa a funcionar como ferramenta adicional de validação da identidade do beneficiário, reduzindo riscos como:
- Pagamentos indevidos;
- Duplicidade de registros;
- Uso de dados de terceiros;
- Inconsistências cadastrais.
A integração das bases de dados deve aumentar a eficiência na análise de novos pedidos e nas revisões periódicas obrigatórias.
Biometria vira requisito formal: o que muda na prática
A nova regra estabelece que o registro biométrico válido será exigido para:
- Concessão de novos pedidos;
- Manutenção de benefícios já ativos;
- Revisões periódicas obrigatórias.
Ou seja, mesmo quem já recebe o benefício precisará garantir que tenha biometria cadastrada em uma das bases aceitas pelo governo.
Sem isso, o benefício pode ser bloqueado até a regularização.
Quais bases biométricas serão aceitas
Até 31 de dezembro de 2027, serão aceitos registros biométricos já existentes nas seguintes bases oficiais:
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- Polícia Federal;
- Tribunal Superior Eleitoral, por meio da Identificação Civil Nacional (ICN).
Após esse período — e em algumas situações antes disso — será exigida biometria vinculada à Carteira de Identidade Nacional (CIN), que está substituindo o antigo RG em todo o país.
Exemplo prático
Se o beneficiário já possui CNH com biometria válida, não precisará refazer o cadastro imediatamente. Já quem nunca fez documento com coleta biométrica precisará procurar os órgãos responsáveis.
Quais são os prazos para regularização
A portaria estabelece calendários diferentes conforme a situação:
Novos pedidos
A biometria deve estar realizada até 30 de abril de 2026.
Sem o registro biométrico, o pedido poderá ser indeferido.
Manutenção e revisão de benefícios ativos
O cadastro biométrico precisa estar regularizado até 31 de dezembro de 2026.
Após esse prazo, a ausência de biometria poderá provocar bloqueio do pagamento até que a situação seja regularizada.
Como o beneficiário será notificado
A exigência ocorrerá dentro do processo de revisão periódica do BPC.
O beneficiário poderá ser notificado de duas formas:
Se o Cadastro Único estiver desatualizado
O cidadão será avisado para:
- Atualizar os dados no Cadastro Único;
- Realizar a biometria simultaneamente.
Se o cadastro estiver em dia
A notificação será apenas para cumprir a exigência biométrica.
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Após tomar ciência da notificação, o beneficiário ou responsável legal terá prazo de 90 dias para regularizar a situação.
Quem está dispensado da biometria
A norma prevê exceções. Estão dispensados:
- Beneficiários enquadrados em regras específicas previstas em norma anterior;
- Pessoas que residam em municípios em situação de emergência ou calamidade pública reconhecida pelo governo federal, enquanto durar essa condição.
Essa flexibilização busca evitar prejuízos a populações afetadas por desastres naturais ou situações extremas que dificultem o acesso a órgãos de identificação.
O que fazer agora para evitar bloqueio do BPC
Especialistas recomendam que o beneficiário não espere a notificação oficial.
O ideal é:
- Verificar se já possui biometria cadastrada (CNH, título eleitoral ou nova identidade);
- Conferir se o Cadastro Único está atualizado;
- Procurar o órgão de identificação do estado caso ainda não tenha registro biométrico.
Como o BPC garante renda mínima a famílias em situação de vulnerabilidade, qualquer bloqueio pode gerar impacto imediato no orçamento doméstico.
A orientação é agir com antecedência para evitar suspensão temporária do benefício.
A biometria pode cancelar o benefício?
A biometria, por si só, não cancela o BPC. O que pode ocorrer é:
- Bloqueio temporário por ausência de regularização;
- Suspensão até cumprimento da exigência;
- Revisão cadastral com possível corte se houver irregularidades comprovadas.
Portanto, quem cumpre os requisitos de renda e elegibilidade não perde o direito apenas pela nova exigência, desde que regularize a situação dentro do prazo.
Impactos para milhões de beneficiários
A medida representa uma mudança estrutural na gestão do BPC. O cruzamento de dados entre diferentes bases públicas tende a aumentar a fiscalização e reduzir inconsistências.
Ao mesmo tempo, exige atenção redobrada de idosos e pessoas com deficiência — públicos que muitas vezes enfrentam dificuldade de locomoção ou acesso à informação.
Por isso, a recomendação é buscar orientação no CRAS do município ou nos canais oficiais do INSS caso haja dúvidas.
A biometria se torna, oficialmente, parte indispensável da política de assistência social brasileira.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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