O mercado de criptomoedas vive um momento de pausa. Após semanas de forte valorização, o Bitcoin (BTC) se mantém lateralizado na faixa dos US$ 105 mil, com volatilidade em uma das menores marcas dos últimos dois anos. Investidores demonstram cautela diante de um cenário macroeconômico menos dinâmico e das tensões geopolíticas renovadas entre Estados Unidos e China.
Bitcoin segue estável em US$ 105 mil com volatilidade em mínima histórica e investidores à espera de sinal macroeconômico
Bitcoin permanece estável em torno de US$ 105 mil com volatilidade mínima em dois anos. Investidores esperam definições sobre juros nos EUA e negociações comerciais.
Conforme dados atualizados por volta das 10h18 (horário de Brasília), o BTC apresenta leve queda de 0,3% nas últimas 24 horas, sendo negociado a US$ 105.048. Em reais, a criptomoeda líder cai 1,5%, valendo cerca de R$ 595.373, segundo o Cointrader Monitor.
A estabilidade atual contrasta com o recente movimento de alta, que levou o ativo a valorizar mais de 40% em sete semanas. A lateralização reflete um mercado em compasso de espera — tanto por sinais da economia global quanto por desdobramentos políticos e comerciais entre potências globais.
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Volatilidade histórica em baixa acende sinal de alerta
De acordo com o portal CoinDesk, o Índice de Volatilidade do Bitcoin (DVOL) encontra-se próximo dos 40 pontos, um dos níveis mais baixos desde 2022. A leitura sugere que o mercado entrou em um período de consolidação, em que os preços se movimentam lateralmente sem tendência clara.
Para muitos analistas, a volatilidade baixa pode antecipar um movimento mais forte adiante, seja para cima ou para baixo. Contudo, por ora, o BTC parece preso entre resistências técnicas e a falta de catalisadores relevantes para impulsionar um rompimento.
Agenda macroeconômica fraca adiciona incertezas
No campo macroeconômico, os dados mais recentes não trouxeram alívio aos investidores. O Relatório de Emprego ADP, indicador amplamente acompanhado para prever a saúde do mercado de trabalho nos EUA, mostrou a criação de apenas 37 mil postos de trabalho no setor privado em maio — bem abaixo das expectativas de 110 mil.
A fraqueza no dado reforça a percepção de desaceleração da economia americana, o que gera dúvidas sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.
Trump pressiona o Fed por cortes imediatos

A instabilidade é intensificada por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Em tom incisivo, Trump afirmou que o Fed está “atrasado” e deveria já estar reduzindo os juros para estimular a economia diante da desaceleração.
Tais declarações adicionam pressão política à autoridade monetária, cujo próximo movimento é altamente aguardado pelo mercado, principalmente pelos ativos de risco como as criptomoedas.
Tensão comercial entre EUA e China segue no radar
Outro ponto de atenção para os investidores é a possível reunião entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, prevista para esta semana. Em postagem na rede social “Truth Social”, Trump afirmou que Xi é alguém com quem é “extremamente difícil negociar”, em referência às tarifas impostas por ambos os lados na guerra comercial.
O mercado cripto, assim como os mercados tradicionais, monitora esse possível encontro com atenção, dado o impacto que uma escalada ou resolução da guerra tarifária pode ter nos ativos globais.
Desempenho das principais criptomoedas
A Ether (ETH), segunda maior criptomoeda por valor de mercado, sobe 0,1% e é cotada a US$ 2.617. O valor total de mercado das criptomoedas globalmente está em US$ 3,43 trilhões, de acordo com o CoinGecko.
Entre as altcoins, o destaque é o XRP, token da Ripple, que registra alta de 0,7%, negociado a US$ 2,24. Por outro lado, a Solana (SOL) perde 3,4%, cotada a US$ 155,70, enquanto o BNB, token da Binance Smart Chain, sobe 0,6% para US$ 667,69.
ETFs à vista de Bitcoin retomam fluxo positivo
Em um alento para o mercado, os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin à vista listados nas bolsas americanas voltaram a apresentar fluxo líquido positivo. No último pregão, o saldo foi de US$ 375,1 milhões, interrompendo três sessões consecutivas de saídas de capital.
Entre os principais destaques:
- ARKB, da Ark Invest, captou US$ 139,9 milhões;
- FBTC, da Fidelity, recebeu US$ 136,8 milhões;
- IBIT, da BlackRock, acumulou US$ 58 milhões em entradas líquidas.
O movimento indica que, apesar da estagnação de curto prazo, o interesse institucional permanece ativo, com gestoras tradicionais liderando as movimentações de capital.
ETFs de Ether também recebem aportes consistentes
O interesse pelos ETFs de Ether também permanece elevado. O segmento registrou US$ 109,5 milhões em entradas líquidas no último dia, completando 12 sessões seguidas de aportes líquidos positivos.
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As principais captações foram:
- ETHA, da BlackRock, com US$ 77,1 milhões;
- FETH, da Fidelity, com US$ 21 milhões.
O comportamento dos investidores institucionais sugere aposta na valorização futura do Ethereum, possivelmente influenciado pelo crescente uso da rede em soluções de finanças descentralizadas (DeFi) e tokens não fungíveis (NFTs).
Visão dos analistas: mercado em transição
Para André Franco, CEO da Boost Research, a tendência do Bitcoin no curto prazo permanece neutra. Ele ressalta que a cautela se deve ao ambiente de incerteza fiscal e comercial nos EUA, com os investidores evitando grandes apostas até a definição do cenário político e monetário.
Já Beto Fernandes, analista da Foxbit, lembra que o BTC acumulou sete semanas consecutivas de valorização, superando 42% de alta. “A realização de lucros ainda é pequena diante desse movimento. O desafio agora é encontrar nova demanda de compradores, o que não está evidente com a atual ausência de eventos catalisadores”, analisa.
Perspectivas para o Bitcoin: o que esperar?

Com o BTC em modo de espera, alguns eventos podem reacender a volatilidade e impulsionar o preço da criptomoeda. Entre eles:
- Decisão de juros do Federal Reserve, marcada para as próximas semanas;
- Resultado da reunião entre Trump e Xi Jinping, que pode reduzir ou ampliar tensões comerciais;
- Indicadores de inflação e consumo nos EUA, que podem alterar expectativas para cortes de juros;
- Fluxo contínuo de capital para ETFs, consolidando o papel institucional do Bitcoin.
A depender do desfecho desses elementos, o BTC pode romper a lateralidade e testar novas máximas ou revisitar suportes importantes.
Considerações finais
O atual comportamento lateral do Bitcoin em torno de US$ 105 mil, aliado à baixa volatilidade histórica, reflete um momento de espera e indecisão.
A ausência de fortes catalisadores econômicos e a instabilidade política global seguram os movimentos mais expressivos, enquanto os investidores institucionais continuam posicionados com cautela, mas sem abandonar o mercado.
A entrada de recursos nos ETFs mostra que o apetite de longo prazo ainda existe — e pode ser ativado com a menor faísca de estímulo monetário ou geopolítico. Por ora, o Bitcoin permanece no compasso de espera. Mas o mercado cripto raramente permanece parado por muito tempo.
