A manhã desta terça-feira, 22 de abril de 2025, começou com força nos mercados de ativos alternativos. O Bitcoin (BTC) rompeu novamente barreiras importantes e é cotado a US$ 88.514, acumulando uma valorização de 1,3% nas últimas 24 horas, segundo dados do Portal do Bitcoin. Em reais, o preço alcança R$ 515.761, refletindo o fortalecimento do apetite por ativos de proteção.
Bitcoin se aproxima de US$ 90 mil com alta histórica do ouro e ataques de Trump ao Fed
Bitcoin avança para US$ 88 mil em meio à alta histórica do ouro e tensões políticas nos EUA. Investidores buscam ativos de proteção enquanto Trump ataca o Fed.
Em paralelo, o ouro atingiu um novo recorde, cotado a impressionantes US$ 3.442 por onça, uma valorização próxima de 4% apenas na segunda-feira (21).
O movimento dos investidores, que saem dos ativos de risco como ações e migraram para Bitcoin e metais preciosos, tem como pano de fundo a tensão política entre o presidente Donald Trump e o atual presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
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Na noite de segunda-feira, Trump voltou a atacar Powell nas redes sociais, apelidando o presidente do banco central dos EUA de “Mr. Too Late” (“Sr. Tarde Demais”) e cobrando um corte imediato dos juros para estimular a economia.
A pressão sobre o Fed, que deveria operar com autonomia, cria um ambiente de incerteza que costuma favorecer ativos descentralizados, como o Bitcoin.
“O enfraquecimento contínuo da confiança nas instituições governamentais também impulsiona a busca por reservas alternativas de valor como o Bitcoin e o ouro”, afirmou Juan Leon, analista sênior da Bitwise, ao Decrypt.
Correlacionado com tecnologia, Bitcoin supera Nasdaq
Outro ponto importante para a escalada do BTC é sua correlação com os índices de tecnologia, em especial o Nasdaq 100. Nesta terça, o índice caiu 3%, enquanto o Bitcoin avançava, reforçando uma divergência técnica relevante.
A relação BTC/Nasdaq atingiu 4,96, aproximando-se do recorde de 5,08, registrado em janeiro de 2025, quando o Bitcoin atingiu sua máxima histórica acima dos US$ 109 mil.
Indicadores técnicos apontam para continuidade da alta
Segundo análise técnica publicada pela Coin Bureau, o Bitcoin rompeu sua tendência de baixa de curto prazo e superou a média móvel exponencial de 30 dias, um sinal clássico de reversão positiva.
O Índice de Força Relativa (RSI), um dos principais indicadores de momentum, marca atualmente 57 pontos, indicando espaço para novas altas sem estar sobrecomprado.
“Se o Bitcoin ultrapassar os US$ 90 mil com volume forte, o próximo alvo técnico passa a ser os US$ 95 mil, máxima registrada em março”, comentou Mike Ermolaev, analista-chefe da Outset PR.
Ouro atinge recorde e reforça apetite por ativos alternativos

O ouro, tradicional reserva de valor em tempos de incerteza, rompeu a barreira dos US$ 3.400 por onça, consolidando um novo recorde. Essa alta é impulsionada por temores inflacionários, acentuados pelas tarifas comerciais impostas por Trump e pelas dúvidas sobre a política monetária dos EUA.
Enquanto o ouro brilha, os mercados acionários enfrentam forte correção: o S&P 500 recuou 2,8% e o Nasdaq caiu 3% no fechamento de segunda-feira.
“Esse movimento de aversão ao risco é típico em momentos de transição política ou fragilidade institucional. É o que vemos agora com os EUA”, analisou Guilherme Prado, estrategista da Bitget.
Halving do Bitcoin e seus impactos no mercado
Outro fator técnico fundamental para o otimismo com o BTC é o recente halving, que reduziu a emissão de novos bitcoins pela metade. Historicamente, esses eventos são seguidos por ciclos de valorização, como aconteceu em 2012, 2016 e 2020.
A diminuição da pressão vendedora dos mineradores é um dos reflexos mais imediatos. Desde o halving, observa-se uma queda nas vendas de BTC vindas das principais carteiras ligadas à mineração.
Analistas seguem confiantes de que o Bitcoin ainda possui grande espaço para valorização. Nic Puckrin, do Coin Bureau, acredita que o preço pode alcançar US$ 150 mil até o fim de 2025, caso o cenário macroeconômico siga deteriorando e o Fed demore a agir.
Fundos soberanos, ETFs e compras institucionais
Nos bastidores do mercado cripto, grandes players seguem se posicionando. A Binance revelou que fundos soberanos e governos vêm buscando apoio técnico e regulatório para formar reservas estratégicas em Bitcoin. O interesse institucional é crescente, especialmente por parte de países com moedas frágeis ou reservas instáveis.
“As instituições já reconhecem o Bitcoin como ativo de proteção e reserva estratégica. Isso é um divisor de águas”, afirmou Valentin Fournier, analista da BRN.
ETFs parados, mas baleias seguem acumulando
Mesmo com a pausa nos fluxos líquidos de ETFs na sexta-feira anterior, a MicroStrategy sinalizou novas aquisições, dando continuidade ao seu histórico de compras agressivas.
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Segundo o site Bitcoin Treasuries, a empresa já detém mais de 214 mil BTC, cerca de US$ 18,9 bilhões em reservas, considerando o preço atual.
Cautela ainda é necessária
Apesar do clima otimista, especialistas alertam para os riscos que ainda pairam sobre o mercado. As eleições presidenciais nos EUA, previstas para novembro, aumentam a volatilidade, e a retórica agressiva de Trump tende a escalar.
As tensões comerciais com a China também continuam no radar, especialmente se novos pacotes tarifários forem anunciados. Esses fatores aumentam a incerteza global e, paradoxalmente, sustentam o interesse por ativos descentralizados — embora o caminho não deva ser linear.
A divisão interna no Federal Reserve sobre os próximos passos da política de juros também adiciona complexidade ao cenário. Enquanto parte dos membros do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) defende uma pausa, Powell resiste à pressão política e prefere aguardar os impactos plenos das tarifas e da inflação persistente.
Tendências do Google mostram retomada do interesse popular
De acordo com dados do Google Trends, a procura por termos relacionados ao Bitcoin voltou a subir nas últimas semanas. Paulo Aragão, apresentador do podcast Giro Bitcoin, afirma que essas métricas servem como termômetro para o comportamento de varejo.
“Sempre que as buscas sobem acima de 30 pontos no Trends, temos fortes movimentos de preço logo em seguida”, explicou.
Interesse popular ajuda a sustentar ciclos de alta
Embora o interesse de varejo ainda esteja abaixo do pico registrado no final de 2021, a retomada gradual é vista como positiva. Ciclos anteriores mostram que grandes bull markets só se consolidam quando há participação significativa de investidores não institucionais.
Conclusão: Bitcoin e ouro reafirmam papel como porto seguro

Em um momento de fragilidade institucional nos EUA, tensões comerciais globais e imprevisibilidade política, ativos descentralizados como o Bitcoin e metais preciosos como o ouro voltam ao centro das atenções.
Com o Bitcoin rumo aos US$ 90 mil e o ouro em nova máxima histórica, os investidores parecem estar ajustando seus portfólios para um cenário menos dependente de políticas monetárias tradicionais.
Enquanto Trump e Powell protagonizam um embate de bastidores que pode definir os rumos da economia americana, o mercado já decidiu: diversificar nunca foi tão necessário — e Bitcoin lidera essa estratégia.
