O Bitcoin surpreendeu o mercado nesta quarta-feira (23) ao romper temporariamente a barreira dos US$ 94 mil, intensificando um movimento altista que forçou o fechamento em massa de posições vendidas — conhecidas como “shorts”.
Explosão do Bitcoin: Traders perdem R$ 1,7 bilhão com liquidação de posições vendidas
Bitcoin atinge US$ 94 mil e provoca perdas de R$ 1,7 bilhão entre traders que apostavam na queda. Entenda o short squeeze, impacto nas exchanges e reflexos no mercado.
Em meio à euforia e liquidez reduzida, a maior criptomoeda do mundo atraiu capital de diversas frentes, inclusive com o ouro em alta e tensões globais aumentando o apetite por ativos de reserva.
Com uma alta de 5,7% no dia e cotação de US$ 93.681 no momento da redação, o BTC não apenas marcou um novo pico local, como também desencadeou um efeito dominó de liquidações forçadas, em especial de traders que apostavam na queda do preço.
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O impacto imediato: R$ 1,7 bilhão varrido em um dia
Segundo a plataforma Coinglass, cerca de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) em posições vendidas de Bitcoin foram liquidadas nas últimas 24 horas.
Esse movimento compôs a maior parte de um total de US$ 650 milhões liquidados no mercado cripto em geral, sendo US$ 565 milhões originários exclusivamente de shorts.
Um recorde que remonta a 2022
Rick Maeda, analista da Presto Research, destacou que este foi o maior evento de liquidação diária de posições vendidas desde outubro de 2022. Só na Bybit, mais de US$ 156 milhões em shorts foram desfeitos em uma janela de poucas horas.
“Esse tipo de liquidação em massa ocorre quando os traders são forçados a fechar suas posições vendidas rapidamente, o que acaba alimentando ainda mais a pressão compradora”, explicou Maeda.
O que é um short squeeze — e por que ele assusta os traders
Um “short squeeze” acontece quando o preço de um ativo sobe tão rapidamente que os vendedores em posições de queda precisam comprar o ativo de volta para limitar perdas — o que, por sua vez, empurra ainda mais o preço para cima. É um ciclo de feedback que pode causar volatilidade extrema e prejuízos vultosos.
Dinâmica explicada
- Vendas a descoberto (shorts): O trader toma emprestado o ativo e o vende esperando recomprar mais barato.
- Alta inesperada: O ativo sobe em vez de cair.
- Chamada de margem: O trader precisa recomprar o ativo para limitar as perdas.
- Squeeze: O aumento repentino da demanda eleva ainda mais o preço.
“A baixa liquidez e a concentração de posições vendidas contribuíram para o efeito cascata”, comentou Maeda.
Condições técnicas e institucionais acentuaram o movimento
Apesar da volatilidade, as taxas de financiamento para contratos futuros de BTC na Bybit permaneceram abaixo de 2%, sugerindo que não se trata de uma operação de base comum ou amplamente popular.
“O movimento parece ser resultado de uma grande aposta direcional colapsada, agravada por diferenças de preço entre corretoras que foram exploradas”, apontou Maeda.
Bitcoin acompanha o ouro em busca de refúgio

Pat Zhang, chefe de pesquisa da WOO X, destacou que o Bitcoin vem registrando máximas locais em paralelo com o ouro, refletindo um ambiente de aversão ao risco em meio às incertezas geopolíticas e econômicas.
Influência de eventos políticos
Desde que o ex-presidente Donald Trump anunciou novas tarifas no que chamou de “Dia da Libertação”, o mercado global entrou em um estado de instabilidade. Em cenários como esse, o fluxo de capital tende a migrar para ativos considerados reservas de valor — como ouro e, cada vez mais, o próprio Bitcoin.
“A estrutura de mercado reflete uma simbiose entre fundamentos macroeconômicos e capital cripto-nativo”, afirmou Zhang.
Medo vira ganância: termômetro do sentimento de mercado
O Índice de Medo e Ganância do Bitcoin, que mede o sentimento dos investidores, saltou de 29 para 72 pontos em apenas sete dias — saindo do território de “medo” para “ganância”.
Essa rápida virada demonstra uma mudança radical de humor entre os participantes do mercado, algo típico em ciclos especulativos de alta, mas também sinaliza riscos de correções intensas no curto prazo.
Interesse institucional pressiona o preço para cima
Outro fator que vem ganhando força é o interesse institucional. Relatórios recentes indicam que a gestora Cantor Fitzgerald está desenvolvendo um veículo de investimento de até US$ 3 bilhões focado em Bitcoin.
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Esse movimento pode:
- Aumentar a demanda institucional.
- Elevar o preço do ativo com compras em bloco.
- Transferir a posse de BTC de pequenos investidores para instituições.
“Essa transição de posse pode preparar o terreno para o Bitcoin atingir a faixa de US$ 150 mil nos próximos meses”, especulou Zhang.
Volatilidade, liquidez e o cenário macro
Embora o Bitcoin esteja subindo, a liquidez global dos mercados continua abaixo do observado durante os picos de 2021. Isso significa que movimentos de grande volume, como liquidações de shorts, têm impacto desproporcional nos preços.
“A combinação entre baixa liquidez e alto volume de liquidações cria o cenário perfeito para picos abruptos de volatilidade”, explicou Maeda.
O que pode acontecer agora?
Riscos à frente
- Correção técnica: Após altas aceleradas, é comum o mercado buscar níveis de suporte para “respirar”.
- Realização de lucros: Traders de curto prazo podem começar a vender para garantir ganhos.
- Nova rodada de shorts: Se o preço estabilizar, novos apostadores contra a tendência podem surgir.
Possibilidades otimistas
- Romper US$ 100 mil: Caso o movimento altista continue, essa barreira psicológica pode ser testada.
- Entrada de ETFs institucionais: O fluxo de capital pode se intensificar com a chegada de novos produtos financeiros.
Conclusão: volatilidade como regra no ecossistema cripto
A disparada do Bitcoin até US$ 94 mil e a liquidação de mais de R$ 1,7 bilhão em posições vendidas evidenciam o caráter imprevisível e, por vezes, brutal do mercado de criptomoedas.
Em um ambiente de baixa liquidez, incerteza macroeconômica e crescente interesse institucional, os movimentos extremos se tornam mais frequentes — e perigosos.
Enquanto o BTC se aproxima de marcas históricas e ganha espaço como ativo de reserva junto ao ouro, o investidor comum deve estar preparado: tanto para o voo alto quanto para a queda brusca.
