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Bitcoin assume papel de “ouro digital” e se afasta da Nasdaq em meio a riscos de recessão nos EUA

Avatar de Tainara Ferreira Tainara Ferreira · · 5 min de leitura
Adoção institucional preço do bitcoin

O Bitcoin tem se comportado de maneira cada vez mais distinta dos ativos tradicionais do mercado financeiro.

Enquanto as ações listadas na Nasdaq enfrentam oscilações acentuadas diante de riscos macroeconômicos, a principal criptomoeda do mundo está mostrando um comportamento mais próximo ao dos metais preciosos, como o ouro.

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Menos Nasdaq, mais ouro

De acordo com Alex Svanevik, CEO da Nansen, uma das principais plataformas de inteligência cripto do mercado, o Bitcoin está “menos Nasdaq e mais ouro”. Esse comportamento tem sido observado principalmente nas duas semanas que antecederam o dia 22 de abril, quando a criptomoeda acumulou uma valorização de cerca de 12%.

Esse movimento ocorre mesmo em um ambiente de crescentes tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que voltaram a trocar tarifas de importação em níveis elevados: os EUA aumentaram as tarifas para 125% a partir de 9 de abril, e a China respondeu com tarifas equivalentes três dias depois.

Bitcoin como refúgio seguro

Embora tradicionalmente considerado um ativo de risco, o Bitcoin tem ganhado apelo como um possível refúgio seguro diante de instabilidades geopolíticas e econômicas.

Nesse contexto, Svanevik aponta que o ativo digital demonstrou “resiliência surpreendente” em comparação com outras criptomoedas e com índices tradicionais como o S&P 500.

A nova face do Bitcoin: proteção em tempos de crise

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Desde sua criação em 2009, o Bitcoin passou por várias fases narrativas. Inicialmente, foi visto como uma ferramenta de protesto contra o sistema financeiro tradicional. Posteriormente, ganhou popularidade como ativo especulativo de alto risco. Agora, começa a consolidar uma nova narrativa: a de “ouro digital”.

Comparativo com o ouro

O ouro, historicamente, é o ativo mais associado à ideia de proteção contra crises. Ele tende a valorizar em tempos de incerteza, quando investidores buscam preservar valor. O Bitcoin, ao adotar características semelhantes, como oferta limitada e descentralização, tem atraído um perfil semelhante de investidor.

Svanevik destaca, no entanto, que o ouro ainda pode sofrer liquidações pontuais em momentos de pânico financeiro, quando investidores são forçados a vender para cobrir chamadas de margem. O mesmo pode ocorrer com o Bitcoin, mas a tendência de longo prazo é de resiliência.

Avanços regulatórios e a Reserva de Bitcoin dos EUA

Um fator adicional para a consolidação do Bitcoin como ativo estratégico é a criação de uma Reserva de Bitcoin por parte do governo dos EUA. Inicialmente composta por ativos confiscados em processos criminais, a reserva deve ganhar novos aportes através de mecanismos considerados “neutros para o orçamento”.

Bo Hines, membro do Conselho Presidencial de Assuntos Digitais, revelou que o Tesouro está estudando formas alternativas de financiar a aquisição de Bitcoin, incluindo:

  • Receita tarifária gerada nas disputas comerciais;
  • Reavaliação dos certificados de ouro do Tesouro;
  • Geração de excedente contábil sem a necessidade de vender ouro.

Essas medidas demonstram que o governo dos EUA está tratando o Bitcoin não apenas como um ativo de confisco, mas como parte potencial de sua estratégia financeira nacional.

Ordem executiva de Trump

A iniciativa conta com apoio direto do ex-presidente Donald Trump, que emitiu uma ordem executiva exigindo a criação de mecanismos sustentáveis para expansão da reserva.

A proposta tem como objetivo proteger o país contra riscos inflacionários e geopoliticamente induzidos, como guerras comerciais ou crises bancárias.

Recessão nos EUA: riscos e oportunidades para o Bitcoin

Segundo um relatório divulgado pelo JPMorgan em 15 de abril, a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos em 2025 subiu de 40% para 60%. Entre os principais motivos estão as tarifas elevadas impostas sobre produtos chineses e a incerteza quanto ao futuro da política monetária.

Embora o feriado do “Dia da Libertação” tenha amenizado parcialmente os impactos comerciais, a tarifa universal de 10% e a tarifa de 145% sobre produtos chineses continuam representando um risco significativo ao crescimento.

Política do Federal Reserve

O JPMorgan espera que o Federal Reserve comece a reduzir juros a partir de setembro de 2025, com cortes sucessivos até atingir uma taxa de referência de 3% em junho de 2026.

Essa flexibilização monetária poderia impulsionar ativos alternativos como o Bitcoin, especialmente se acompanhada de pressões inflacionárias.

Bitcoin e a geopolítica global

O Bitcoin tem se mostrado resiliente mesmo diante do agravamento da guerra comercial entre EUA e China. Enquanto outros ativos reagem negativamente a esse tipo de incerteza, o BTC tende a atrair fluxos especulativos e institucionais que buscam proteção contra desvalorização cambial e instabilidade regulatória.

A institucionalização do Bitcoin segue em ritmo acelerado, com ETFs sendo aprovados em diversos países e empresas listadas adotando BTC em seus balanços patrimoniais. Esse movimento contribui para reduzir a volatilidade histórica e reforça sua imagem como reserva de valor.

Conclusão: o futuro do Bitcoin como ativo global

O Bitcoin está claramente atravessando uma nova fase de maturidade. A dissociação de seu comportamento em relação à Nasdaq, sua comparação crescente com o ouro e o avanço de medidas governamentais para incluí-lo em reservas oficiais demonstram que a criptomoeda está deixando de ser apenas uma aposta especulativa para se tornar um componente estratégico no portfólio global de ativos.

Com riscos crescentes de recessão nos EUA, conflitos comerciais e transformações na política monetária internacional, o Bitcoin pode emergir como um dos principais ativos para proteção de valor nos próximos anos. A narrativa do “ouro digital” não é apenas uma figura de linguagem, mas uma realidade cada vez mais concreta.

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