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Bitcoin assume papel de “ouro digital” e se afasta da Nasdaq em meio a riscos de recessão nos EUA

O Bitcoin está se desvinculando da Nasdaq e se aproximando do ouro como ativo de proteção, mesmo com 60% de chance de recessão nos EUA, segundo a Nansen.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Adoção institucional preço do bitcoin

O Bitcoin tem se comportado de maneira cada vez mais distinta dos ativos tradicionais do mercado financeiro.

Enquanto as ações listadas na Nasdaq enfrentam oscilações acentuadas diante de riscos macroeconômicos, a principal criptomoeda do mundo está mostrando um comportamento mais próximo ao dos metais preciosos, como o ouro.

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Menos Nasdaq, mais ouro

De acordo com Alex Svanevik, CEO da Nansen, uma das principais plataformas de inteligência cripto do mercado, o Bitcoin está “menos Nasdaq e mais ouro”. Esse comportamento tem sido observado principalmente nas duas semanas que antecederam o dia 22 de abril, quando a criptomoeda acumulou uma valorização de cerca de 12%.

Esse movimento ocorre mesmo em um ambiente de crescentes tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que voltaram a trocar tarifas de importação em níveis elevados: os EUA aumentaram as tarifas para 125% a partir de 9 de abril, e a China respondeu com tarifas equivalentes três dias depois.

Bitcoin como refúgio seguro

Embora tradicionalmente considerado um ativo de risco, o Bitcoin tem ganhado apelo como um possível refúgio seguro diante de instabilidades geopolíticas e econômicas.

Nesse contexto, Svanevik aponta que o ativo digital demonstrou “resiliência surpreendente” em comparação com outras criptomoedas e com índices tradicionais como o S&P 500.

A nova face do Bitcoin: proteção em tempos de crise

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Desde sua criação em 2009, o Bitcoin passou por várias fases narrativas. Inicialmente, foi visto como uma ferramenta de protesto contra o sistema financeiro tradicional. Posteriormente, ganhou popularidade como ativo especulativo de alto risco. Agora, começa a consolidar uma nova narrativa: a de “ouro digital”.

Comparativo com o ouro

O ouro, historicamente, é o ativo mais associado à ideia de proteção contra crises. Ele tende a valorizar em tempos de incerteza, quando investidores buscam preservar valor. O Bitcoin, ao adotar características semelhantes, como oferta limitada e descentralização, tem atraído um perfil semelhante de investidor.

Svanevik destaca, no entanto, que o ouro ainda pode sofrer liquidações pontuais em momentos de pânico financeiro, quando investidores são forçados a vender para cobrir chamadas de margem. O mesmo pode ocorrer com o Bitcoin, mas a tendência de longo prazo é de resiliência.

Avanços regulatórios e a Reserva de Bitcoin dos EUA

Um fator adicional para a consolidação do Bitcoin como ativo estratégico é a criação de uma Reserva de Bitcoin por parte do governo dos EUA. Inicialmente composta por ativos confiscados em processos criminais, a reserva deve ganhar novos aportes através de mecanismos considerados “neutros para o orçamento”.

Bo Hines, membro do Conselho Presidencial de Assuntos Digitais, revelou que o Tesouro está estudando formas alternativas de financiar a aquisição de Bitcoin, incluindo:

  • Receita tarifária gerada nas disputas comerciais;
  • Reavaliação dos certificados de ouro do Tesouro;
  • Geração de excedente contábil sem a necessidade de vender ouro.

Essas medidas demonstram que o governo dos EUA está tratando o Bitcoin não apenas como um ativo de confisco, mas como parte potencial de sua estratégia financeira nacional.

Ordem executiva de Trump

A iniciativa conta com apoio direto do ex-presidente Donald Trump, que emitiu uma ordem executiva exigindo a criação de mecanismos sustentáveis para expansão da reserva.

A proposta tem como objetivo proteger o país contra riscos inflacionários e geopoliticamente induzidos, como guerras comerciais ou crises bancárias.

Recessão nos EUA: riscos e oportunidades para o Bitcoin

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Segundo um relatório divulgado pelo JPMorgan em 15 de abril, a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos em 2025 subiu de 40% para 60%. Entre os principais motivos estão as tarifas elevadas impostas sobre produtos chineses e a incerteza quanto ao futuro da política monetária.

Embora o feriado do “Dia da Libertação” tenha amenizado parcialmente os impactos comerciais, a tarifa universal de 10% e a tarifa de 145% sobre produtos chineses continuam representando um risco significativo ao crescimento.

Política do Federal Reserve

O JPMorgan espera que o Federal Reserve comece a reduzir juros a partir de setembro de 2025, com cortes sucessivos até atingir uma taxa de referência de 3% em junho de 2026.

Essa flexibilização monetária poderia impulsionar ativos alternativos como o Bitcoin, especialmente se acompanhada de pressões inflacionárias.

Bitcoin e a geopolítica global

O Bitcoin tem se mostrado resiliente mesmo diante do agravamento da guerra comercial entre EUA e China. Enquanto outros ativos reagem negativamente a esse tipo de incerteza, o BTC tende a atrair fluxos especulativos e institucionais que buscam proteção contra desvalorização cambial e instabilidade regulatória.

A institucionalização do Bitcoin segue em ritmo acelerado, com ETFs sendo aprovados em diversos países e empresas listadas adotando BTC em seus balanços patrimoniais. Esse movimento contribui para reduzir a volatilidade histórica e reforça sua imagem como reserva de valor.

Conclusão: o futuro do Bitcoin como ativo global

O Bitcoin está claramente atravessando uma nova fase de maturidade. A dissociação de seu comportamento em relação à Nasdaq, sua comparação crescente com o ouro e o avanço de medidas governamentais para incluí-lo em reservas oficiais demonstram que a criptomoeda está deixando de ser apenas uma aposta especulativa para se tornar um componente estratégico no portfólio global de ativos.

Com riscos crescentes de recessão nos EUA, conflitos comerciais e transformações na política monetária internacional, o Bitcoin pode emergir como um dos principais ativos para proteção de valor nos próximos anos. A narrativa do “ouro digital” não é apenas uma figura de linguagem, mas uma realidade cada vez mais concreta.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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