O mercado financeiro global vive uma manhã de otimismo nesta quinta-feira (8), com os investidores reagindo positivamente ao anúncio de um acordo comercial “completo e abrangente” entre os Estados Unidos e o Reino Unido.
Bitcoin ultrapassa US$ 100 mil com otimismo global após acordo comercial dos EUA
Bitcoin supera os US$ 100 mil impulsionado por novo acordo comercial entre Estados Unidos e Reino Unido. Veja como isso impactou mercados, moedas e mais.
A notícia foi divulgada pelo presidente americano Donald Trump e causou um efeito imediato em diversos ativos de risco, especialmente no mercado de criptomoedas.
O destaque do dia é o Bitcoin (BTC), que superou os US$ 100 mil pela primeira vez desde fevereiro. A criptomoeda, que vinha sendo negociada abaixo desse patamar nas últimas semanas, reagiu com força à nova perspectiva geopolítica, somando-se a outros fatores que influenciam diretamente o apetite dos investidores globais.
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Bitcoin lidera alta no setor cripto

A valorização do Bitcoin nesta manhã superou 5%, levando o ativo a ser negociado a US$ 101.293. Trata-se do maior valor desde o pico registrado em fevereiro, quando a criptomoeda ultrapassou brevemente a marca dos US$ 100 mil antes de sofrer uma correção.
A disparada do BTC reflete não apenas o clima de otimismo após o anúncio do acordo, mas também o fortalecimento da tese do Bitcoin como reserva de valor diante da instabilidade das moedas fiduciárias e das incertezas econômicas.
Em um ambiente de inflação persistente e juros elevados, a narrativa de proteção patrimonial volta a ganhar força.
Outras criptomoedas acompanham o rali
Ethereum, XRP e Solana também sobem
O movimento de alta não ficou restrito ao Bitcoin. Outras criptomoedas importantes também registraram ganhos expressivos:
- Ethereum (ETH) subiu 15%, sendo negociado próximo de US$ 2.250;
- XRP (token da Ripple) valorizou 7,3%, ultrapassando US$ 2,20;
- Solana (SOL) teve alta de 11%, sendo cotada acima dos US$ 150;
- BNB (Binance Coin) avançou 2,8%, acima dos US$ 610.
O valor total de mercado do setor cripto ultrapassou os US$ 3,3 trilhões, puxado principalmente pelas principais moedas digitais, mas também refletindo o aumento da confiança em altcoins emergentes.
Detalhes do acordo comercial entre EUA e Reino Unido
O acordo comercial firmado entre Estados Unidos e Reino Unido prevê a manutenção de tarifas reduzidas para importações mútuas, além da ampliação do acesso a setores estratégicos como agricultura, energia e bens industriais.
O anúncio representa um avanço nas negociações internacionais lideradas pelo governo americano e sinaliza disposição para reduzir barreiras comerciais impostas desde os últimos ciclos de disputas tarifárias com parceiros globais.
A medida também contribui para a estabilidade cambial, ao diminuir o risco percebido pelos investidores em relação à guerra comercial — especialmente no contexto de retomada dos diálogos entre Washington e Pequim.
Mercado financeiro global reage com força
A reação positiva não se limitou ao mercado cripto. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) subiram com a maior procura por ativos seguros, ao passo que o dólar também se fortaleceu frente a moedas emergentes e desenvolvidas.
O índice do dólar (DXY) operava em leve alta, refletindo a percepção de que os Estados Unidos podem ganhar impulso econômico com o novo acordo comercial, o que, por sua vez, reduz a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para cortes de juros imediatos.
Os principais índices futuros das bolsas americanas abriram no verde, enquanto commodities como o petróleo também reagiram positivamente, refletindo a melhora no sentimento global.
Situação do Brasil: Selic em alta e investidores atentos à política monetária
No cenário interno, os mercados repercutem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão já era amplamente esperada, mas o comunicado do Banco Central surpreendeu ao não sinalizar os próximos passos com clareza.
Isso aumentou a expectativa de que a Selic possa ser mantida nas próximas reuniões, caso os dados de inflação se estabilizem. A reação do mercado foi mista: o dólar subiu levemente e os juros futuros recuaram nas pontas mais longas da curva, refletindo reprecificação das apostas.
O Ibovespa futuro operava em alta, seguindo o movimento das bolsas internacionais, com destaque para ações de exportadoras e empresas de commodities, beneficiadas pela alta do dólar.
Agenda econômica do dia: dados nos EUA e Europa no radar
A quinta-feira também é marcada por uma agenda econômica carregada:
Estados Unidos:
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego;
- Custo unitário da mão de obra no primeiro trimestre;
- Estoques no atacado;
- Coletiva do presidente Donald Trump com mais detalhes sobre o acordo comercial.
Europa:
- Decisão de juros do Banco da Inglaterra, com expectativa de manutenção da taxa;
- Indicadores setoriais e projeções de crescimento.
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Brasil:
- IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) subiu 0,30% em abril, após queda de 0,50% em março;
- Anfavea divulga dados de produção e venda de veículos do mês de abril.
Fundos e ETFs reforçam otimismo com Bitcoin
Os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista listados nas bolsas americanas também mostraram forte entrada de capital nesta semana. Na quarta-feira, o saldo líquido foi de US$ 142,3 milhões, com destaque para:
- ARKB (Ark Invest): US$ 54,7 milhões de entradas líquidas;
- FBTC (Fidelity): US$ 39,9 milhões;
- IBIT (BlackRock): US$ 37,2 milhões.
Esse fluxo mostra o fortalecimento da presença institucional no mercado cripto, mesmo diante de juros altos e incertezas econômicas. Para os analistas, os ETFs têm sido uma ponte fundamental entre o varejo e o institucional.
Fundos de Ethereum registram saques

Em contrapartida, os fundos de Ethereum registraram saídas líquidas de US$ 21,8 milhões, concentradas em um único fundo de grande porte. Isso sugere uma possível rotação de capital de altcoins para Bitcoin, que volta a se consolidar como principal porto seguro dentro do universo cripto.
Essa tendência pode continuar no curto prazo, especialmente se o cenário macroeconômico permanecer instável e o Bitcoin continuar atraindo atenção por seu perfil mais defensivo.
Expectativas para o mercado cripto após o rali
Com o Bitcoin rompendo a resistência dos US$ 100 mil, analistas técnicos projetam próximas metas em torno de US$ 108 mil e, eventualmente, US$ 120 mil. O cenário é favorecido por fatores como:
- Halving recente que reduziu a emissão de novos BTCs;
- Entrada consistente de capital institucional via ETFs;
- Valorização do dólar frente a outras moedas;
- Percepção de que o Fed manterá os juros estáveis até julho.
Ainda assim, os investidores são alertados sobre a possibilidade de volatilidade, especialmente diante de novas decisões de política monetária e oscilações nas negociações comerciais globais.
Conclusão: Bitcoin se consolida como termômetro do risco global
O rali do Bitcoin nesta quinta-feira não é um evento isolado. Ele sintetiza uma série de transformações recentes no mercado global: o retorno da diplomacia comercial, a reavaliação do papel das criptomoedas como reserva de valor e o apetite crescente dos investidores por ativos descentralizados.
Enquanto o cenário internacional segue em constante mudança, o Bitcoin mais uma vez se coloca no centro das atenções — não apenas como ativo especulativo, mas como um barômetro sensível do sentimento global.
