O bitcoin voltou a operar em alta nesta quinta-feira (30) após uma reação inicial negativa do mercado à decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sobre a política de juros. A maior criptomoeda do mundo encontrou suporte depois que novos dados de inflação reforçaram a percepção de que o cenário monetário americano pode permanecer sob acompanhamento cuidadoso.
Dado de inflação impulsiona Bitcoin após pressão causada pelo Fomc
Bitcoin avança após decisão do Fed manter juros nos EUA e dados do PCE indicarem alívio na inflação americana.
O movimento mostra como os ativos digitais continuam altamente sensíveis às decisões econômicas dos Estados Unidos, principalmente em relação aos juros. Quando as taxas permanecem elevadas, investimentos considerados de maior risco, como criptomoedas e ações de tecnologia, costumam enfrentar maior pressão, já que aplicações conservadoras passam a oferecer retornos mais atrativos.
No início do pregão, o bitcoin registrava valorização de aproximadamente 0,6% em 24 horas, negociado perto de US$ 64.848 por unidade. Apesar da recuperação, especialistas destacam que o mercado ainda opera em uma fase de incerteza, com investidores avaliando os próximos passos da autoridade monetária americana.
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Decisão do Fed mantém juros, mas revela divisão entre dirigentes
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), órgão responsável pela definição da política monetária dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.
A decisão, porém, chamou atenção pela divisão interna entre os integrantes do comitê. Nove membros defenderam a manutenção dos juros, enquanto três participantes votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Esse número de votos contrários foi o maior registrado em uma reunião do Fomc desde setembro de 2016, indicando que ainda existe debate dentro do banco central americano sobre o ritmo adequado para conduzir a política monetária.
A manutenção dos juros sinaliza cautela por parte do Fed, que busca equilibrar dois objetivos principais: controlar a inflação sem provocar uma desaceleração excessiva da economia.
Declarações do presidente do Fed reduziram pressão sobre o mercado
Mesmo após uma decisão marcada por divergências, declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ajudaram a melhorar parcialmente o sentimento dos investidores.
O dirigente destacou a existência de sinais considerados positivos no comportamento da inflação, reduzindo parte das preocupações que haviam aumentado após a reunião do Fomc.
Para o mercado financeiro, qualquer indicação de que a inflação está desacelerando pode abrir espaço para mudanças futuras nos juros. Entretanto, a autoridade monetária continua dependente da evolução dos indicadores econômicos antes de tomar novas decisões.
As projeções atuais indicam que investidores esperam novos movimentos nos juros americanos ao longo dos próximos anos, com possibilidade de a taxa alcançar uma faixa entre 4% e 4,25% ao ano até setembro de 2027.
Inflação medida pelo PCE traz alívio para investidores
Um dos fatores que ajudaram na recuperação do bitcoin foi a divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo, conhecido pela sigla PCE.
O indicador apresentou queda de 0,1% em junho, resultado que veio dentro das expectativas dos economistas. O dado é acompanhado de perto pelo Federal Reserve porque representa uma das principais referências utilizadas para avaliar a inflação americana.
Além do índice geral, o núcleo do PCE, que exclui componentes mais voláteis como alimentos e energia, apresentou crescimento de 0,1%, abaixo da projeção média de 0,2%.
O resultado foi interpretado como um sinal positivo por parte dos investidores, já que uma inflação mais controlada reduz a necessidade de manter juros elevados por longos períodos.
Para ativos como o bitcoin, uma perspectiva de política monetária menos restritiva tende a melhorar o ambiente, pois aumenta o interesse por investimentos de maior risco.
Bitcoin segue em fase de consolidação, segundo análise técnica
Apesar da alta registrada no dia, analistas avaliam que o bitcoin ainda não confirmou uma nova tendência de valorização.
Segundo especialistas do mercado de criptomoedas, o ativo permanece próximo de uma região considerada importante de suporte, enquanto indicadores técnicos mostram equilíbrio entre compradores e vendedores.
O Índice de Força Relativa (IFR), uma ferramenta utilizada para avaliar o momento dos preços, permanece próximo de 50 pontos. Esse nível geralmente indica ausência de uma tendência forte, mostrando uma disputa equilibrada entre pressão compradora e vendedora.
Para Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget na América Latina, o cenário continua desafiador para ativos de risco.
A avaliação é de que os próximos pregões podem ser importantes para definir se a criptomoeda terá força para buscar novos níveis de preço ou permanecerá movimentando-se dentro de uma faixa limitada.
ETFs de bitcoin voltam a registrar entrada de investimentos
Outro fator observado pelos investidores foi a retomada dos fluxos positivos nos fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista nos Estados Unidos.
Após quatro sessões consecutivas com saída de recursos, esses produtos financeiros registraram saldo líquido positivo de US$ 32,1 milhões.
Os ETFs permitem que investidores tenham exposição ao bitcoin por meio de produtos negociados no mercado tradicional, sem necessariamente comprar diretamente a criptomoeda.
Entre os fundos que receberam maior entrada de capital esteve o IBIT, administrado pela BlackRock, que registrou aproximadamente US$ 89,8 milhões em saldo positivo entre compras e vendas de cotas.
A movimentação indica que parte dos investidores institucionais voltou a demonstrar interesse pelo ativo após o período recente de pressão.
ETFs de ether apresentam resultado negativo
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Enquanto os fundos ligados ao bitcoin tiveram desempenho positivo, os ETFs de ether apresentaram movimento contrário.
Os produtos relacionados à segunda maior criptomoeda em valor de mercado registraram saída líquida de US$ 32,9 milhões.
A diferença entre os fluxos mostra que investidores continuam realizando ajustes de posição dentro do mercado de criptomoedas, escolhendo quais ativos apresentam melhores perspectivas diante do cenário econômico global.
Índice de medo e ganância mostra cautela dos investidores
Outro indicador acompanhado pelo mercado é o Fear & Greed Index, conhecido como índice de medo e ganância.
O indicador avançou de 36 para 37 pontos, aproximando-se da zona considerada neutra. Apesar da melhora, o resultado ainda representa predominância do sentimento de medo entre os participantes do mercado.
O índice varia de zero a 100 pontos e considera fatores como:
- comportamento dos preços;
- volatilidade;
- volume de negociações;
- movimentação no mercado de derivativos;
- percepção dos investidores.
Valores mais próximos de zero indicam maior pessimismo, enquanto níveis elevados representam maior confiança e disposição para assumir riscos.
No cenário atual, a pontuação demonstra que investidores ainda adotam postura mais cautelosa, mesmo com a recuperação recente do bitcoin.
O que pode influenciar o preço do bitcoin nos próximos meses

O desempenho da criptomoeda continuará ligado principalmente às decisões econômicas dos Estados Unidos e ao comportamento dos mercados globais.
Entre os fatores que podem influenciar o bitcoin estão:
- novos dados de inflação americana;
- decisões futuras do Federal Reserve;
- entrada ou saída de recursos dos ETFs;
- comportamento do dólar;
- mudanças no apetite global por risco.
Além disso, fatores próprios do mercado cripto, como volume de negociação, atividade institucional e expectativas dos investidores, também podem alterar a trajetória dos preços.
Para investidores brasileiros, a cotação do dólar também tem papel importante, pois o bitcoin é negociado internacionalmente em moeda americana. Assim, mesmo uma estabilidade no preço externo pode resultar em mudanças no valor em reais devido às oscilações cambiais.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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