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Institucionais lideram nova alta do Bitcoin enquanto varejo recua, aponta Coinbase

Segundo a Coinbase, a recente alta do Bitcoin está sendo puxada por institucionais como fundos soberanos, enquanto investidores de varejo seguem retirando seus recursos. Veja análise completa.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira4 min de leitura
Escalabilidade no Bitcoin

A mais recente alta do Bitcoin, que fez a criptomoeda superar os US$ 94 mil antes de recuar levemente para a faixa dos US$ 92 mil, tem uma origem diferente das grandes valorizações anteriores. Desta vez, não é o varejo que está puxando os preços para cima, mas sim os investidores institucionais.

Essa é a avaliação de John D’Agostino, executivo da Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos. Em entrevista à CNBC, ele destacou que a nova corrida de valorização está sendo guiada por instituições financeiras de grande porte, fundos soberanos e outros agentes com perfis mais conservadores e capital robusto.

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Institucionais voltam a acumular silenciosamente

Segundo D’Agostino, esses agentes estão “discretamente” acumulando Bitcoin. “As instituições, os fundos soberanos, essas redes pacientes de capital estão acumulando. O varejo, por meio dos ETFs, está saindo. Então você precisa se perguntar: o que as instituições sabem?”, provocou.

Essa dinâmica marca uma inversão em relação ao comportamento observado em ciclos anteriores do mercado, nos quais o varejo, muitas vezes impulsionado por fomo (medo de ficar de fora), era o principal motor da alta.

Os três pilares da nova estratégia institucional

1. Desdolarização dos portfólios

O primeiro fator que tem levado institucionais a buscarem o Bitcoin, de acordo com a Coinbase, é a crescente preocupação com a estabilidade do dólar. Com a escalada das tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump, cresce o receio de uma guerra comercial e de uma perda de valor da moeda norte-americana.

Investidores institucionais estão, portanto, realocando parte de seus portfólios para ativos considerados não soberanos, como o Bitcoin, em uma estratégia de desdolarização.

2. Descolamento das techs

Outro fator apontado é o descolamento entre o desempenho do Bitcoin e o das ações de tecnologia. Historicamente, a criptomoeda vinha acompanhando os ciclos de crescimento e queda de empresas como Tesla, Meta e Amazon.

No entanto, nos últimos dias, mesmo com a queda do setor de tecnologia, o BTC manteve sua tendência de alta.

3. Bitcoin como “cesta de proteção”

O terceiro pilar da estratégia é a inclusão do Bitcoin em uma cesta de proteção patrimonial. Essa cesta costuma contar com ativos como ouro, T-bonds e commodities. O Bitcoin, por suas características de escassez, portabilidade e resistência à censura, passou a integrar esse grupo.

D’Agostino destaca que o BTC está entre os cinco ativos mais utilizados por investidores veteranos como hedge contra inflação. “O Bitcoin está sendo negociado com base em suas características principais, semelhantes às do ouro. Há escassez, imutabilidade e portabilidade”, afirmou.

Varejo em retirada, ETFs mostram fluxo negativo

Enquanto os institucionais voltam a comprar, o varejo segue comportamento oposto. Dados dos ETFs de Bitcoin mostram saques consistentes nas últimas semanas, com investidores menores retirando seus recursos diante da volatilidade e incertezas regulatórias.

Desconfiança do varejo com o atual momento

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Para analistas, esse comportamento do varejo é sintomático de um momento de descrença do investidor comum com o mercado de criptoativos. Além da volatilidade, fatores como regulação indefinida, taxonomia de tokens e temores de fiscalização mais dura pelo governo Biden contribuem para essa retirada.

Crescimento do mercado e novos instrumentos financeiros

ETFs facilitaram entrada de institucionais

A presença crescente de produtos regulados como os ETFs de Bitcoin é apontada como um dos principais fatores que facilitaram o retorno dos institucionais ao mercado. Com a infraestrutura mais madura e seguradoras cobrindo operações, as barreiras de entrada foram reduzidas.

Maturidade do ecossistema cripto

Ao contrário de ciclos anteriores, o ecossistema cripto hoje conta com um nível maior de maturidade. Adoção institucional, custódia qualificada, auditorias independentes e integração com sistemas bancários tradicionais ajudam a reduzir riscos percebidos por grandes investidores.

Conclusão: uma nova fase para o Bitcoin?

Grayscale
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

A afirmação da Coinbase de que a atual alta do Bitcoin é liderada por institucionais pode indicar uma mudança estrutural na dinâmica do mercado. Caso se consolide, essa tendência pode tornar o BTC menos suscetível a movimentos especulativos de curto prazo, trazendo maior estabilidade e aumentando seu apelo como reserva de valor.

No entanto, analistas alertam que ainda é cedo para cravar uma mudança definitiva. A próxima movimentação relevante virá da política monetária norte-americana e do posicionamento da SEC em relação à regulação dos ativos digitais.

Em meio a esse contexto, o Bitcoin segue se afirmando como um ativo que desafia classificações tradicionais e continua a atrair o interesse de grandes players globais em busca de proteção e diversificação.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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