O Bitcoin (BTC) renovou sua máxima em sete semanas nesta quarta-feira, 23 de abril de 2025, sendo negociado acima de US$ 93 mil e alcançando US$ 94.500 nas primeiras horas do dia.
Bitcoin atinge US$ 94 mil impulsionado por otimismo em relação à guerra comercial entre EUA e China
O Bitcoin atingiu US$ 94 mil, impulsionado por sinais de alívio nas tensões comerciais entre EUA e China, refletindo o aumento do apetite ao risco nos mercados financeiros.
O movimento foi impulsionado pelo aumento do apetite ao risco nos mercados financeiros, decorrente de sinais de possível alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
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Contexto político e econômico global
As tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, EUA e China, vinham preocupando investidores desde o início do ano.
Com tarifas sendo aplicadas em ambos os lados e incertezas sobre o futuro das relações bilaterais, os mercados financeiros globais reagiram com volatilidade intensa nas últimas semanas.
Declarações de Trump e impacto imediato
O presidente Donald Trump sugeriu que os Estados Unidos podem reduzir as tarifas impostas sobre produtos chineses, em troca de concessões do governo de Pequim em áreas como propriedade intelectual e transferência forçada de tecnologia.
Segundo ele, um “acordo justo” está no horizonte, o que acalmou temporariamente os ânimos nos mercados globais.
“Estamos trabalhando em algo muito importante com a China. E creio que podemos chegar a um entendimento que beneficie ambos os lados”, disse Trump durante uma coletiva de imprensa em Washington.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou a fala presidencial ao afirmar que o governo norte-americano está comprometido com a estabilidade global e considera que a guerra comercial precisa ser revista para não prejudicar a recuperação econômica mundial.
Reação dos mercados
Essas falas resultaram em uma reação positiva imediata: os principais índices acionários dos EUA — S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — abriram em alta. A melhora do sentimento também alcançou os mercados asiáticos e europeus.
No mercado cambial, o dólar perdeu força frente ao yuan e ao euro, enquanto ativos considerados mais arriscados, como ações e criptomoedas, ganharam tração.
Mercado de criptomoedas: efeito dominó do Bitcoin

A valorização do Bitcoin impulsionou o restante do mercado cripto. Ethereum (ETH), a segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado, subiu 6,30% e alcançou US$ 1.806,10. Já moedas como Dogecoin (DOGE), XRP e Solana (SOL) também registraram ganhos expressivos.
O que dizem os analistas
Harrison Miller, analista da Investor’s Business Daily (IBD), afirmou que “a onda otimista nos criptoativos se apoia nas recentes declarações de Donald Trump sobre negociações com a China, o que melhorou o apetite por risco nos mercados”.
Para ele, a correlação entre ativos de risco e criptomoedas tem se estreitado nos últimos anos. “Quando há uma melhora na percepção de risco sistêmico, o Bitcoin tende a ser visto como uma alternativa de investimento frente ao dólar e ao ouro, especialmente por investidores mais jovens e tecnicamente sofisticados.”
Susannah Streeter, analista sênior da Hargreaves Lansdown, acrescenta que, embora o clima seja de otimismo, o histórico de declarações contraditórias do presidente Trump deve manter os mercados em estado de alerta. “Ainda não se sabe o quanto dos danos persistirá, e os mercados devem permanecer voláteis enquanto as negociações comerciais se desenrolam.”
Bitcoin como termômetro do apetite ao risco
Desde o início do ano, o Bitcoin tem oscilado entre US$ 70 mil e US$ 94 mil, acompanhando movimentos do mercado tradicional. A valorização recente representa uma recuperação significativa desde a mínima de US$ 74.000 registrada no início de abril.
A movimentação de hoje sugere que o Bitcoin se consolidou acima de uma resistência importante, e analistas técnicos apontam que, se o otimismo continuar, a criptomoeda poderá buscar os US$ 96 mil nas próximas semanas.
Indicadores técnicos
De acordo com o gráfico diário do BTC, há formação de um padrão de alta conhecido como “triângulo ascendente”, que indica continuidade da tendência bullish. O volume de negociações também aumentou 15% nas últimas 24 horas, o que sustenta a movimentação altista.
O índice de força relativa (RSI) se mantém em 67, abaixo da zona de sobrecompra, indicando que ainda há espaço para valorização sem correções abruptas. No entanto, traders mais cautelosos alertam para possíveis resistências próximas de US$ 95 mil e US$ 98 mil.
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Implicações macroeconômicas
Com a possibilidade de redução das tarifas comerciais e melhora nas relações diplomáticas entre Washington e Pequim, o dólar perdeu força frente a outras moedas, como o euro, o iene japonês e o yuan chinês. Essa desvalorização do dólar favorece ativos escassos, como o Bitcoin, que são vistos como reserva de valor.
Política monetária e inflação
Além disso, o Federal Reserve continua sendo pressionado por setores políticos e empresariais para revisar sua política de juros. A possível flexibilização das taxas pode adicionar ainda mais liquidez ao mercado e aumentar o interesse por ativos alternativos como criptomoedas.
A inflação nos EUA continua acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, o que leva muitos investidores a buscar proteção em ativos digitais. O Bitcoin, por seu suprimento limitado, é frequentemente comparado ao ouro digital e tende a se valorizar em cenários inflacionários.
O que esperar para os próximos dias
Caso as negociações entre EUA e China avancem positivamente, é provável que o otimismo se mantenha e o Bitcoin possa atingir novas máximas. A consolidação acima de US$ 95 mil abriria espaço para uma possível corrida em direção a US$ 100 mil — uma marca psicológica e técnica importante.
Entretanto, qualquer retrocesso nas conversas entre as potências ou declarações contraditórias de autoridades podem desencadear correções significativas, dada a alta volatilidade do ativo.
Recomendações para investidores
Especialistas recomendam cautela aos investidores, especialmente os iniciantes. A diversificação continua sendo a principal estratégia para mitigar riscos em ambientes instáveis. É recomendável alocar apenas uma pequena parte do portfólio em criptoativos e sempre acompanhar o noticiário econômico e político.
Conclusão
A alta do Bitcoin para US$ 94 mil reflete uma melhora significativa no apetite por risco, motivada por declarações de líderes dos EUA sugerindo uma flexibilização da guerra comercial com a China. Com o mercado tradicional reagindo positivamente e os criptoativos acompanhando esse movimento, o BTC se consolida como um dos principais termômetros da confiança do investidor global.
Embora o cenário atual aponte para uma continuidade no rali de alta, a volatilidade do mercado e os riscos geopolíticos ainda exigem atenção redobrada. O investidor que busca se posicionar neste momento deve estar preparado para oscilações e sempre basear suas decisões em análises fundamentadas.
