Nesta quinta-feira, o Bitcoin atingiu uma nova máxima histórica ao ultrapassar a marca de US$ 111 mil, consolidando mais um marco importante em sua trajetória como o principal criptoativo global.
Bitcoin atinge US$ 111 mil e marca novo recorde com apoio de Trump e avalanche institucional
Bitcoin alcança novo recorde ao superar US$ 111 mil em meio ao apoio de Donald Trump, avanço legislativo sobre stablecoins e forte demanda institucional.
A ascensão da criptomoeda ocorre em um ambiente de crescente apoio político e avanço na regulação, além de uma onda de demanda institucional sem precedentes.
A criptomoeda chegou a ser negociada a US$ 111.878, antes de recuar ligeiramente. Às 7h15 (horário de Brasília), ainda era cotada acima de US$ 111 mil, refletindo um avanço de 3,3% nas últimas 24 horas. Enquanto isso, o Ether — a segunda maior criptomoeda — subia cerca de 7,3%, acompanhando o rali do mercado.
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Fatores que impulsionaram a nova máxima histórica
O novo recorde do Bitcoin coincide com um jantar promovido por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, em seu clube de golfe nos arredores de Washington. O evento reuniu os maiores detentores de seu memecoin, num gesto simbólico de alinhamento com o setor cripto.
Embora o jantar tenha levantado preocupações entre especialistas em ética — que apontam possíveis conflitos de interesse e favorecimento —, ele representa um marco simbólico de aproximação entre o governo e o setor de ativos digitais.
Simultaneamente, o Senado americano aprovou um projeto de lei para regulamentar as stablecoins, oferecendo um esboço de clareza regulatória muito aguardado por investidores. A expectativa é de que o governo Trump continue avançando em políticas que favorecem o ecossistema de criptoativos.
“Estamos assistindo a um momento histórico em que política e criptoativos se alinham de forma inédita nos EUA”, afirma Yuan Rong Tan, analista da QCP Capital.
A demanda institucional em ascensão
O novo rali do Bitcoin tem como pano de fundo uma aceleração significativa da adoção institucional. Um dos principais catalisadores é a Strategy, liderada por Michael Saylor, que já acumulou mais de US$ 50 bilhões em Bitcoin.
Além disso, a entrada de novos players no mercado tem elevado o patamar do BTC:
- A Cantor Fitzgerald, em parceria com a Tether e a SoftBank, anunciou a criação da Twenty One Capital, que replicará o modelo de negócios da Strategy.
- A Strive, cofundada por Vivek Ramaswamy, fundiu-se com a Asset Entities, listada na Nasdaq, para formar uma empresa voltada à tesouraria corporativa com foco em Bitcoin.
“Tem sido uma escalada lenta, mas constante, rumo a novos recordes históricos”, observou Joshua Lim, co-chefe global de mercados da FalconX.
ETFs de Bitcoin e desequilíbrios de mercado

Outro componente fundamental para a valorização atual do Bitcoin é o desempenho dos ETFs de Bitcoin à vista. Em maio, os 12 ETFs listados nos EUA acumularam uma entrada líquida de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões).
A crescente atratividade desses fundos reflete uma mudança estrutural na forma como investidores institucionais acessam o mercado de criptomoedas, dispensando a custódia direta dos ativos digitais e abraçando veículos regulados.
Desequilíbrios persistentes entre oferta e demanda
Segundo Julia Zhou, COO da Caladan, essa alta é “quantitativamente sustentada por desequilíbrios mensuráveis e persistentes entre oferta e demanda”. Diferentemente de ciclos anteriores — marcados por euforia especulativa —, o momento atual é ancorado em fundamentos sólidos e liquidez institucional.
“A falta de oferta líquida está puxando o preço para cima. O Bitcoin nas mãos de holders de longo prazo atingiu o maior nível em mais de três anos”, comenta Zhou.
Altcoins perdem fôlego frente ao Bitcoin
O desempenho do Bitcoin em relação a outras criptomoedas, conhecidas como altcoins, tem se ampliado. Enquanto o BTC já registra uma valorização de 18% em 2025, o índice que acompanha o desempenho médio das altcoins apresenta uma queda acumulada de cerca de 40% no ano.
Essa diferença ilustra uma mudança de narrativa no mercado cripto, com os investidores buscando ativos com maior liquidez, estabilidade e respaldo institucional.
Memecoins e preocupações éticas
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O jantar de Donald Trump com grandes detentores de seu memecoin levantou discussões sobre ética e governança. Especialistas apontam que o encontro pode indicar uso de cargos públicos para ganho pessoal, o que reacende o debate sobre regulação de ativos digitais e envolvimento político direto.
“Embora esse evento tenha repercussões simbólicas, ainda não há evidências de impacto direto nas dinâmicas de mercado”, destaca Yuan Rong Tan.
Análise técnica e sentimento do mercado
Em abril, o Bitcoin chegou a ser negociado abaixo de US$ 75 mil, levantando dúvidas sobre a continuidade da alta. No entanto, analistas como Tony Sycamore, da IG, afirmam que essa retração representou apenas uma correção dentro de um bull market.
Com o rompimento dos US$ 111 mil, os analistas agora voltam sua atenção para os próximos níveis de resistência, especulando sobre um possível alvo técnico entre US$ 120 mil e US$ 130 mil nas próximas semanas.
Investidores institucionais dominam os mercados de opções
Nos mercados de derivativos, a movimentação de capital tem sido intensa. Investidores institucionais abriram posições expressivas em opções de compra (calls), sugerindo que o mercado aposta em novas máximas nos próximos meses.
A estrutura de preços nos mercados futuros também indica contango, com os contratos de longo prazo sendo negociados acima do preço à vista, o que reforça a expectativa de valorização contínua.
Perspectivas futuras para o Bitcoin
Com fundamentos sólidos, apoio político, e crescente interesse institucional, o Bitcoin parece ter inaugurado uma nova fase de maturidade como ativo financeiro. Os principais pontos de atenção a partir de agora incluem:
- Evolução da regulação americana e global para stablecoins e criptoativos;
- Adoção corporativa, com mais empresas convertendo parte de suas reservas em BTC;
- Aperfeiçoamento dos ETFs e derivativos, proporcionando liquidez e acesso simplificado ao mercado;
- Tensões geopolíticas e inflação global, que podem reforçar o Bitcoin como ativo de proteção (hedge).
Considerações finais

A marca de US$ 111 mil alcançada pelo Bitcoin não representa apenas um novo pico de preços. Ela simboliza a consolidação de uma série de fatores — políticos, regulatórios, institucionais e culturais — que estão reposicionando o BTC como protagonista nos mercados globais.
Se o embalo continuar, não é improvável que a criptomoeda rompa outras barreiras ainda em 2025. Os próximos capítulos dessa história dependerão tanto de forças macroeconômicas quanto de decisões estratégicas dentro e fora do mercado cripto.
