A cada novo ciclo do mercado de criptomoedas, o Bitcoin (BTC) demonstra que sua dinâmica de oferta e demanda é um dos principais motores de sua valorização. Em junho de 2025, um relatório publicado pelo banco suíço Sygnum reacendeu o otimismo entre os investidores ao destacar que a oferta líquida de Bitcoin caiu significativamente nos últimos 18 meses — uma tendência que pode levar a uma forte alta nos preços.
Oferta em queda do Bitcoin pode impulsionar nova onda de valorização, alerta banco suíço Sygnum
A queda da oferta de Bitcoin e o aumento da demanda institucional criam o cenário ideal para uma nova valorização do BTC, segundo relatório do banco Sygnum.
Segundo os analistas da Sygnum, essa contração de oferta está diretamente ligada ao crescente apetite institucional por Bitcoin, especialmente por meio de veículos como ETFs (fundos negociados em bolsa), empresas de capital aberto e tesourarias corporativas.
“A oferta líquida de Bitcoin está encolhendo rapidamente, criando condições para choques de demanda e volatilidade positiva”, diz o relatório.
Mas o que exatamente significa essa redução na oferta? E por que isso pode resultar em uma escalada do preço do BTC? A seguir, mergulhamos nos fatores que moldam esse novo panorama do mercado.
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Oferta líquida de Bitcoin em queda: o que isso significa?

A oferta líquida de Bitcoin refere-se à quantidade de BTC disponível em circulação que está efetivamente sendo negociada ou mantida em exchanges — ou seja, disponível para compra e venda.
Nos últimos 18 meses, essa oferta caiu cerca de 30%, segundo a Sygnum, como resultado da remoção sistemática de Bitcoins das plataformas de negociação.
A movimentação das exchanges
Desde o fim de 2023, estima-se que cerca de 1 milhão de BTC tenha sido retirado das exchanges centralizadas. A maior parte dessas retiradas tem sido atribuída a:
- ETFs baseados em Bitcoin, que custodiavam BTC físico.
- Empresas que adotaram o Bitcoin como reserva de valor.
- Investidores institucionais que buscam se proteger de riscos macroeconômicos.
Esses Bitcoins retirados do mercado deixam de estar disponíveis para negociação imediata, restringindo a liquidez e elevando o impacto de qualquer aumento de demanda.
Adoção institucional: o novo motor da escassez
Os ETFs de Bitcoin ao contado, aprovados nos Estados Unidos no início de 2024, representam um divisor de águas na história da criptomoeda. Esses fundos compram BTC real (e não contratos futuros), o que significa que a cada nova cota vendida, mais moedas são retiradas do mercado.
Além disso, fundos como BlackRock iShares Bitcoin Trust, Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund e ARK 21Shares Bitcoin ETF movimentaram bilhões de dólares, intensificando a absorção da oferta circulante.
Tesourarias corporativas e empresas de capital aberto
Empresas como MicroStrategy, Tesla, Block e Coinbase ampliaram suas posições em Bitcoin ao longo de 2024 e 2025, fortalecendo o argumento da escassez. A estratégia dessas empresas, muitas vezes, envolve a retenção de longo prazo dos ativos, o que reduz ainda mais o volume circulante no mercado.
Michael Saylor, presidente da MicroStrategy, afirmou recentemente:
“O Bitcoin é o ativo mais seguro que uma empresa pode ter em sua reserva. Nosso objetivo é acumular e nunca vender.”
Fatores macroeconômicos que reforçam a demanda
O aumento da dívida pública dos Estados Unidos, que ultrapassou os US$ 40 trilhões em 2025, somado à contínua desvalorização do dólar, tem alimentado temores de inflação e perda de poder de compra.
Esses elementos estimulam a busca por ativos alternativos — e é aqui que o Bitcoin se destaca como uma reserva de valor descentralizada e deflacionária.
Incertezas geopolíticas
Conflitos comerciais, instabilidade no Oriente Médio, desaceleração econômica na China e a guerra cambial entre blocos econômicos aumentaram o apelo por ativos não soberanos.
Bitcoin, por sua natureza independente de governos e bancos centrais, está cada vez mais sendo tratado como “porto seguro digital” por gestores de patrimônio e fundos de hedge.
Os efeitos da escassez: para onde pode ir o preço?
Com uma oferta cada vez mais restrita e uma base de investidores expandindo globalmente, o Bitcoin se torna um ativo propenso a sofrer choques de demanda.
Historicamente, esses choques ocorrem quando:
- Novos investidores entram no mercado;
- Instituições ampliam posições;
- A mídia tradicional reforça o sentimento positivo;
- Eventos de escassez (como o halving) elevam a expectativa de valorização.
Esses choques resultam em rápidas valorizações, como as observadas em 2017, 2021 e início de 2024.
Modelos de precificação: stock-to-flow e beyond
Analistas como PlanB, criador do modelo stock-to-flow (S2F), destacam que a escassez programada do Bitcoin — agravada pela redução da oferta líquida — tende a conduzir os preços para novas máximas após cada halving.
Com o último halving ocorrido em abril de 2024, o estoque disponível foi novamente cortado pela metade, enquanto a demanda se manteve crescente.
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Opinião de especialistas
O banco suíço Sygnum, o primeiro banco digital regulado a oferecer serviços em cripto, destaca em seu relatório:
“O atual ambiente é propício a valorização explosiva do Bitcoin. Os fundamentos econômicos globais empurram a demanda para cima enquanto a oferta desaparece das prateleiras.”
Riscos e ressalvas
Apesar do cenário otimista, o relatório também alerta que a escassez pode aumentar a volatilidade do ativo. Em mercados com baixa liquidez, movimentos bruscos de preço são mais comuns.
Comparações com ciclos anteriores
2017: ascensão com escassez e hype
Durante a bull run de 2017, a narrativa de escassez e a entrada de pequenos investidores geraram um ciclo que levou o BTC de US$ 1.000 para US$ 20.000 em menos de 12 meses.
2021: ciclo institucional inicial
Em 2020–2021, empresas como Tesla e PayPal começaram a comprar Bitcoin, alimentando uma alta até os US$ 69.000. O ciclo também foi impulsionado pela pandemia e pelas políticas expansionistas dos bancos centrais.
2024–2025: o ciclo dos ETFs
Este novo ciclo, de acordo com o Sygnum, será dominado pela institucionalização completa do Bitcoin, com efeitos que ainda não foram totalmente precificados.
O que investidores devem observar a seguir?
Indicadores para acompanhar:
- Saldo de BTC nas exchanges: quanto menor, maior o potencial altista;
- Movimento de ETFs: novos registros de ETFs indicam mais absorção de oferta;
- Taxa de emissão x absorção: se a emissão for menor que a aquisição por fundos, o preço tende a subir;
- Indicadores on-chain: como o MVRV, dormancy flow e realized cap.
Estratégias de proteção:
- Hold de longo prazo: estratégia predominante entre investidores institucionais;
- Diversificação com stablecoins e ativos sintéticos;
- Uso de derivativos para proteção contra quedas abruptas.
Considerações finais

A análise do banco Sygnum reforça a tese de que o Bitcoin está entrando em uma fase crítica de escassez, com grande potencial de valorização se a demanda seguir em alta. Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico global adiciona combustível à narrativa de que o BTC é uma reserva de valor moderna.
Para investidores — especialmente os institucionais — este pode ser o momento de agir com cautela, mas também com visão estratégica. A escassez nunca foi tão palpável, e o mercado está mais maduro do que nunca.
