O Bitcoin (BTC) iniciou agosto com forte volatilidade, atingindo a marca de US$ 114.322 na Bitstamp nesta sexta-feira (1), o menor patamar em três semanas.
Bitcoin preenche gap da CME sob pressão tarifária dos EUA e testa suporte em US$ 114 mil
Bitcoin cai para US$ 114 mil, preenche lacuna da CME e testa suporte técnico, em meio à pressão de tarifas comerciais dos EUA e liquidações em massa no mercado.
A queda ocorre em um momento crítico para os mercados financeiros, afetados por uma nova rodada de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e por um cenário macroeconômico cada vez mais imprevisível.
Além do impacto geopolítico, analistas destacam o preenchimento da lacuna da CME, um evento técnico amplamente observado por traders institucionais e de varejo.
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Entenda a lacuna nos contratos futuros do Bitcoin
As lacunas (“gaps”) nos contratos futuros da CME Group ocorrem quando há uma diferença entre o preço de fechamento de sexta-feira e o preço de abertura da segunda-feira, devido à paralisação do mercado tradicional nos fins de semana.
Ao longo dos anos, traders notaram que o preço do Bitcoin tende a retornar a essas áreas não preenchidas em algum momento, “fechando o gap”.
Na sessão de sexta-feira, o BTC caiu exatamente até a zona em torno de US$ 114.000, onde havia uma lacuna deixada no gráfico da CME em julho. A correção foi interpretada por muitos analistas como um movimento técnico esperado.
“Devemos ver agora um bom movimento de alta,” disse o analista Ted Pillows no X (antigo Twitter), referindo-se à possibilidade de repique após o preenchimento da lacuna.
O papel das tarifas comerciais na nova queda do Bitcoin

A ordem executiva de Trump como catalisador macroeconômico
O momento do preenchimento da lacuna da CME coincidiu com a promulgação de uma nova ordem executiva de Donald Trump, que impôs tarifas comerciais contra países como Canadá, Suíça, Taiwan e Tailândia. A medida gerou incerteza nos mercados globais e atingiu diretamente os ativos de risco, como ações de tecnologia e criptomoedas.
Apesar de a administração de Trump ter mantido acordos comerciais com a União Europeia, Reino Unido e Japão, o anúncio abalou o apetite por risco, fazendo com que o Bitcoin liderasse as perdas em ativos financeiros globais.
Bitcoin sofre mais que o S&P 500 em reação inicial
Comparativo entre ativos de risco revela fragilidade do BTC no curto prazo
Enquanto o Bitcoin recuava mais de 6% nas primeiras horas da manhã, os futuros do índice S&P 500 registravam queda modesta de apenas 0,4%. A discrepância gerou debates sobre o papel atual do BTC como ativo de risco.
“O mercado diz que a guerra comercial perdeu toda credibilidade”, comentou o canal The Kobeissi Letter, sugerindo que o impacto psicológico das tarifas vem diminuindo desde os primeiros embates em 2018.
Ainda assim, o mercado cripto reagiu de forma mais intensa. Analistas indicam que o Bitcoin ainda é percebido como um ativo altamente especulativo, sendo o primeiro a sofrer durante episódios de pânico macroeconômico.
Traders estão atentos a níveis críticos de suporte e resistência
BTC precisa se manter acima de US$ 115 mil para evitar queda até US$ 104 mil
Apesar de ter atingido o fundo da lacuna da CME, o BTC precisa reconquistar rapidamente o patamar dos US$ 116.000, que se tornou uma resistência-chave no curto prazo. Caso contrário, o ativo pode continuar caindo até US$ 111.800 ou até US$ 104.000, níveis que concentram liquidez e ordens de compra históricas.
“Se não sustentar, podemos vê-lo na região dos US$ 111,8 mil antes da próxima pernada rumo à máxima histórica”, disse o analista Crypto Candy.
Outro trader, conhecido como Cipher X, acrescentou que, caso o BTC perca US$ 114 mil com volume, o próximo alvo técnico poderia ser US$ 104.000 — fundo recente do ciclo.
Lacuna preenchida, mas risco permanece
Alívio técnico pode ser temporário sem fundamentos de alta
Embora o preenchimento da lacuna da CME seja um sinal técnico relevante, o movimento não garante uma reversão imediata. Especialistas alertam que o Bitcoin ainda precisa mostrar força compradora consistente para escapar do risco de novas quedas.
O RSI (Índice de Força Relativa) segue abaixo de 50, sugerindo enfraquecimento da pressão de compra. O MACD mostra cruzamento de baixa, e o histograma segue em território negativo.
Além disso, o delta cumulativo de volume (CVD) permanece em declínio nos mercados futuros, o que indica predominância de ordens vendedoras nas últimas sessões.
Liquidações em massa acentuam a queda
CoinGlass relata US$ 630 milhões liquidados em 24h
De acordo com a CoinGlass, a queda de sexta-feira causou a liquidação de mais de 158 mil traders, resultando em mais de US$ 630 milhões em perdas, principalmente entre posições longas alavancadas.
Esse tipo de movimento amplifica a volatilidade e piora o sentimento do mercado, especialmente em períodos com baixa liquidez institucional, como o início de agosto.
Além disso, o valor total de mercado das criptomoedas perdeu US$ 110 bilhões em apenas 12 horas, com tokens de menor capitalização sendo os mais afetados.
ETFs, mineradores e sentimento institucional

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ETFs voltam a atrair capital, mas mineradores vendem
Apesar da correção, os ETFs de Bitcoin spot nos Estados Unidos continuam registrando entradas líquidas. Desde 23 de julho, segundo a SoSoValue, os produtos acumularam mais de US$ 641 milhões em novos aportes.
Contudo, do outro lado do mercado, mineradores venderam aproximadamente 15 mil BTCs após o pico histórico de US$ 122.800, de acordo com a CryptoQuant. A realização de lucros por parte das mineradoras sinaliza que instituições buscam proteger margens no terceiro trimestre, tradicionalmente mais fraco para o Bitcoin.
Contexto macro: juros e inflação continuam pesando
Fed mantém juros e projeta cenário hawkish até 2026
O Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas na última reunião do FOMC, mas a postura do presidente Jerome Powell foi considerada hawkish. A projeção é de que cortes significativos nas taxas não devem ocorrer antes de meados de 2026, o que fortalece o dólar e pressiona o mercado cripto.
Além disso, o índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal) — indicador favorito do Fed para medir a inflação — veio acima do esperado, o que reforça a necessidade de manter a política monetária apertada.
Três cenários para o Bitcoin após o preenchimento do gap
1. Reversão imediata e retomada da alta
Caso o BTC feche acima de US$ 116.000 nos próximos dias, há chances de um novo rali até US$ 122.800. Esse cenário dependerá de melhora macroeconômica e entrada de fluxo institucional.
2. Consolidação lateral
Se o Bitcoin se estabilizar entre US$ 114 mil e US$ 117 mil, pode iniciar uma fase de acumulação antes de uma nova perna de alta — padrão típico de reagrupamento após preenchimento de gap.
3. Nova perna de baixa
Caso o suporte de US$ 114 mil ceda com volume, os alvos passam a ser US$ 111.800 e depois US$ 104.000. O risco de capitulação aumenta caso os ETFs revertam a tendência de entrada de capital.
Conclusão: Gap fechado, mas incertezas persistem

O preenchimento do gap da CME é um desenvolvimento técnico relevante para o preço do Bitcoin, mas não é garantia de recuperação imediata. O ativo ainda enfrenta um cenário macroeconômico hostil, com tarifas comerciais, inflação resistente e política monetária restritiva.
Os próximos dias serão decisivos para determinar se o suporte em US$ 114 mil será defendido pelos compradores ou se o Bitcoin testará níveis mais baixos em busca de nova liquidez. Para os investidores, o momento exige monitoramento constante do fluxo institucional, da atividade dos mineradores e dos desdobramentos políticos em Washington.
Enquanto isso, o BTC segue entre dois extremos: o risco de uma nova onda corretiva e a promessa de um novo ciclo de alta sustentado por adoção institucional e fundamentos de longo prazo.
