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Bitcoin entra na aposentadoria: fundos de previdência com criptomoedas crescem, mas exigem cautela

Fundos de previdência com exposição a criptomoedas, como o Bitcoin, ganham espaço no Brasil. Saiba como funcionam, os riscos envolvidos e mais detalhes.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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À medida que o mercado financeiro tradicional se rende, aos poucos, ao universo dos ativos digitais, uma nova tendência ganha força no Brasil: a incorporação de criptomoedas, principalmente o Bitcoin, em fundos de previdência privada.

Se há poucos anos isso soaria como heresia para gestores conservadores, hoje se apresenta como uma estratégia legítima — e regulada — de diversificação para o longo prazo.

Embora a inovação seja bem-vinda, especialistas fazem questão de alertar: o entusiasmo com a alta volatilidade e a rentabilidade do Bitcoin deve vir acompanhado de uma estratégia ponderada e criteriosa, especialmente quando o objetivo é garantir uma aposentadoria tranquila.

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Crescimento do setor de previdência estimula diversificação com criptoativos

O mercado de previdência privada complementar — em especial os planos PGBL e VGBL — vive uma fase de crescimento consistente. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o setor encerrou maio com patrimônio líquido de R$ 1,6 trilhão, reforçando a tendência de aplicações líquidas positivas ano após ano. Em 2024, foram R$ 38 bilhões em aportes líquidos, um salto de 90% em relação ao ano anterior.

Esse fluxo crescente de recursos cria um ambiente propício para a diversificação de carteiras, sobretudo em ativos alternativos. Nesse contexto, as criptomoedas emergem como uma “pimenta” na composição dos fundos: têm potencial para turbinar os retornos, mas exigem cautela.

Fundos de previdência com criptoativos: quem está oferecendo e como funcionam?

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Imagem: fizkes / shutterstock.com

A Hashdex, gestora criptoativa referência no Brasil, já opera quatro fundos de previdência com exposição a criptoativos, em parceria com instituições como XP, BTG Pactual, SulAmérica e Icatu. As aplicações mínimas variam de R$ 100 a R$ 5 mil, atendendo desde investidores comuns até qualificados.

Esses fundos são rebalanceados periodicamente, de acordo com o comportamento dos mercados de renda fixa e variável. “Se o Bitcoin sobe, realizamos lucro e aumentamos a parcela em renda fixa. Se cai, compramos mais”, explica Samir Kerbage, diretor de investimentos da Hashdex.

Empiricus Gestão aposta em fundo voltado para investidores profissionais

A Empiricus, em parceria com o BTG, também oferece um fundo previdenciário com exposição a cripto, mas voltado exclusivamente para investidores profissionais, com aporte mínimo de R$ 1 mil. A estratégia é semelhante: rebalanceamento dinâmico para reduzir riscos.

“Cripto e títulos atrelados à inflação formam uma combinação com potencial de retorno no longo prazo”, aponta Marcello Cestari, analista da gestora.

Itaú também entra no jogo com fundo com cripto

O Itaú, maior banco do país, lançou no fim de 2024 um fundo de previdência com exposição a ativos digitais, integrando o novo produto ao seu portfólio. O objetivo é atender à crescente demanda por diversificação, sem perder de vista o perfil conservador típico dos produtos de previdência.

Por que incluir Bitcoin na aposentadoria?

Bitcoin
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

Nos últimos anos, o desempenho do Bitcoin tem sido uma verdadeira montanha-russa. Em 2022, a criptomoeda acumulou uma queda de 65%, enquanto a Selic terminou o ano em 13,75% ao ano. Já em 2024, o Bitcoin subiu impressionantes 120%, contrastando com uma Selic que fechou o ano em 11,25%.

No acumulado desde o início de 2021, o Bitcoin valorizou 285,5% em dólar, enquanto a Selic gerou um retorno de 55,7%. Os números impressionam — mas também revelam a imprevisibilidade que cerca o ativo.

A dose certa: alocação pequena e visão de longo prazo

Apesar do entusiasmo com a possibilidade de ganhos, gestores e analistas são unânimes: a alocação em criptoativos dentro dos fundos de previdência não deve ultrapassar 5% do portfólio. “É preciso ter perfil de risco moderado a agressivo e pensar no longo prazo”, alerta Kerbage.

Diversificação ainda é a chave

“Não é recomendável colocar todos os recursos de aposentadoria em cripto. O ideal é diversificar entre modalidades e estratégias”, reforça Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset. Ele lembra do velho ditado: “não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

Controle emocional é essencial

Outro desafio relevante é o comportamento do investidor. Eid adverte: “É comum cair na armadilha de achar que, se cripto está subindo, é excelente, mas se cai, é lixo. Esse tipo de visão prejudica a estratégia.”

Limites regulatórios ainda impedem expansão acelerada

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Um dos obstáculos à expansão dos fundos de previdência com cripto está na regulação. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), por meio da Resolução 175, permite que fundos comuns sejam compostos 100% por criptoativos. Já a Susep (Superintendência de Seguros Privados), que regula a previdência privada aberta, limita a exposição a 40%.

Essa divergência impede que a estrutura de fundos previdenciários seja tão flexível quanto os fundos de investimento tradicionais. “A oferta reduzida não é uma questão de estrutura de mercado. Envolve o arcabouço regulatório”, afirma Kerbage.

Participação de seguradoras também dificulta lançamentos

Diferentemente dos fundos comuns, os de previdência exigem a participação de seguradoras e aprovação pela Susep. Esse fator burocrático, somado à cautela natural do setor, torna o processo mais demorado e restritivo.

Estratégias: títulos do Tesouro garantem previsibilidade, cripto dá o impulso

Diante do cenário regulatório, a maior parte dos fundos de previdência com criptoativos mantém sua base em renda fixa, especialmente em títulos públicos indexados à inflação ou à Selic. As criptos entram como um adicional de risco controlado — ocupando, em parte, o espaço que antes era reservado às ações.

Essa composição híbrida reflete uma tentativa de oferecer o melhor dos dois mundos: a segurança da renda fixa com o potencial de valorização das criptos.

Previdência fechada continua proibida de investir em cripto

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), responsável por regulamentar as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), proibiu recentemente a exposição desses fundos a criptoativos.

Essa decisão contrasta com o que já ocorre em países como os Estados Unidos e o Canadá, onde fundos de pensão já alocam uma fração de seus ativos em criptomoedas. No Brasil, a proibição reforça a cisão regulatória e limita o avanço da diversificação nesses veículos de investimento.

Considerações finais: inovação com responsabilidade

Previsão
Reprodução: Seu Crédito Digital / Freepik

O avanço dos fundos de previdência com exposição a criptoativos no Brasil é um sinal claro da maturação do mercado financeiro nacional, que começa a incorporar ativos digitais de forma regulada e estruturada. No entanto, a inovação vem acompanhada de alertas importantes.

A volatilidade extrema das criptos, a necessidade de controle emocional e a cautela regulatória são fatores que não podem ser ignorados. Assim, o investidor que deseja aproveitar o potencial do Bitcoin na aposentadoria deve planejar bem, diversificar sua carteira e, principalmente, manter uma visão de longo prazo.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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