A tensão nos mercados globais se intensificou nos últimos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um tarifaço de 50% sobre todas as exportações brasileiras. A decisão, com viés abertamente político, surpreendeu analistas e diplomatas.
Citando diretamente o STF e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump vinculou as tarifas a questões internas do Brasil, em um gesto incomum e polêmico.
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A medida está programada para entrar em vigor em 1º de agosto, mas o impacto psicológico imediato foi significativo: incertezas comerciais, deterioração de expectativas e fuga de capital de mercados emergentes.
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Bitcoin atinge máxima histórica em meio à turbulência
Enquanto isso, o Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mercado, renovou sua máxima histórica, ultrapassando US$ 121 mil.
O movimento foi interpretado como uma resposta direta à busca por ativos alternativos e portos seguros, semelhantes ao que acontece tradicionalmente com o ouro em tempos de instabilidade geopolítica.
Análise Empiricus: Bitcoin como escudo contra o “tarifaço”
Participação no Podca$t destaca o BTC como reserva de valor
Em episódio recente do Podca$t, os analistas Matheus Spiess, João Piccioni e Enzo Pacheco, da Empiricus, fizeram uma avaliação aprofundada sobre os desdobramentos da guerra tarifária e o papel do Bitcoin na estratégia do investidor.
Segundo o trio, a mudança de percepção sobre o BTC é clara: ele deixou de ser um ativo especulativo para se tornar uma opção concreta de proteção patrimonial.
“O Bitcoin está se tornando o ouro digital. É uma forma de proteger seu portfólio contra choques externos. Com 5% da carteira, o investidor pode equilibrar risco e exposição à inovação”, afirmou Enzo Pacheco.
A geopolítica por trás das tarifas: o Brasil na mira de Washington
Tarifa como retaliação política: análise de contexto
O anúncio feito por Trump não se limitou a argumentos econômicos. Em seu discurso, o presidente mencionou explicitamente o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Bolsonaro, e o ambiente político brasileiro, dando à tarifa um forte tom de retaliação ideológica.
“Foi uma carta completamente fora do tom. O Brasil tem déficit com os EUA, não faz sentido aplicar 50% de tarifa nesse caso. É um recado político e eleitoral”, avaliou Matheus Spiess.
O conceito de “TACO trade”: Trump costuma recuar?
O mercado cunhou um termo curioso para descrever a postura de Trump em embates comerciais: o “TACO trade” — sigla para Trump Always Chickens Out (Trump sempre recua). Em episódios anteriores, o presidente já fez anúncios agressivos para, depois, negociar termos mais brandos.
“Ainda há margem para recuo. O prazo de implementação até 1º de agosto deixa espaço para diálogo. Mas o investidor precisa considerar cenários adversos e se proteger”, ponderou João Piccioni.
ETF EBIT11: porta de entrada para o Bitcoin regulado no Brasil

Empiricus lança fundo que dá acesso simplificado ao BTC
A Empiricus Asset, em parceria com o BTG Pactual, lançou o EBIT11, um ETF (fundo de índice) negociado na B3 que espelha o desempenho do Bitcoin. Com aplicação inicial de apenas R$ 100, o EBIT11 promete democratizar o acesso ao BTC de forma segura e regulada.
“A ideia é facilitar o acesso ao Bitcoin sem a complexidade de custodiar criptoativos diretamente. O investidor pode comprar como se fosse uma ação e ficar exposto à maior criptomoeda do mundo”, explicou Piccioni.
Vantagens do ETF em tempos de instabilidade
O lançamento acontece em um momento estratégico, com o mercado buscando alternativas ao dólar e a ativos expostos a políticas governamentais voláteis. ETFs como o EBIT11 oferecem diversificação, praticidade e aderência ao perfil do investidor tradicional.
Bitcoin e ouro lado a lado: os ativos mais valorizados de 2025
BTC supera ouro em valorização no ano
Com a máxima de US$ 121 mil, o Bitcoin já acumula uma alta de mais de 30% em 2025, superando os 27% de valorização do ouro. Essa é a primeira vez que os dois ativos lideram o ranking de performance anual lado a lado, segundo dados do mercado.
Narrativa de reserva de valor se consolida
“O Bitcoin é agora visto como reserva de valor legítima, especialmente diante da inflação, guerras comerciais e instabilidade cambial. O ETF nos EUA e no Brasil são parte disso”, analisou Pacheco.
Estratégias sugeridas: como alocar Bitcoin com responsabilidade
Alocação sugerida: até 5% do portfólio
Apesar do otimismo, os analistas reforçam que a volatilidade do BTC ainda é elevada. A recomendação é limitar a alocação a no máximo 5% do portfólio total, como forma de se proteger sem comprometer a liquidez ou se expor a riscos excessivos.
Exposição via ETF, ações de exchanges e stablecoins
Além do EBIT11, os analistas também destacaram outras formas de exposição ao mercado cripto:
- Coinbase (ações) – maior exchange regulada dos EUA, listada na Nasdaq;
- USDC (stablecoin da Circle) – moeda estável pareada ao dólar, com uso crescente;
- ETFs internacionais de criptoativos, como IBIT (iShares Bitcoin Trust).
Cenário macroeconômico: pressão inflacionária e realocação de capital
Dólar forte, juros pressionados e fuga para cripto
Com o avanço do tarifaço, a expectativa é de novos episódios de aversão ao risco, o que pode pressionar as moedas emergentes (como o real) e causar fuga de capital.
Nesses cenários, ativos como Bitcoin e ouro se valorizam como hedge defensivo, captando fluxos de investidores institucionais.
ETFs e o efeito multiplicador na demanda por BTC
A entrada de capital via ETFs — como o EBIT11 no Brasil e os fundos listados na Nasdaq e NYSE — potencializa a demanda por Bitcoin, criando um efeito multiplicador. Com oferta limitada e emissão controlada, o BTC pode se beneficiar de escassez e valorização contínua.
Considerações finais: o que o investidor deve fazer agora?
Monitorar prazos, posicionar portfólio e diversificar
O investidor atento deve:
- Acompanhar a tramitação da tarifa até 1º de agosto;
- Observar os movimentos de Trump e do governo brasileiro;
- Diversificar o portfólio com uma alocação responsável em BTC;
- Aproveitar estruturas reguladas como o ETF EBIT11 para investir com segurança;
- Estudar formas adicionais de exposição ao ecossistema cripto (ações, stablecoins, plataformas).
Conclusão: Criptoativos como alternativa diante da geopolítica instável

O tarifaço de Trump, ainda que não devastador do ponto de vista econômico direto, serve como lembrete da imprevisibilidade política global. Nesse cenário, o Bitcoin se apresenta não apenas como ativo de crescimento, mas também como defesa contra choques externos.
A narrativa de “ouro digital” se fortalece com dados, estruturas reguladas e entrada institucional. Para o investidor que deseja blindar parte de seu patrimônio, o Bitcoin via ETF, aliado a uma estratégia prudente, pode ser a resposta mais racional em um mundo cada vez mais volátil.

