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Preço do Bitcoin pode cair para US$ 114 mil com vendas massivas de grandes investidores

Após recordes, Bitcoin recua com realização de lucros por baleias e risco de queda para US$ 114 mil. Lacuna nos futuros da CME sugerem mais volatilidade.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Bitcoin

O preço do Bitcoin (BTC) voltou a cair nesta semana, revertendo parte dos ganhos que levaram a criptomoeda a renovar máximas históricas. Após alcançar US$ 122 mil no início da semana e registrar o maior fechamento diário de candle da história — US$ 120 mil —, o ativo apresentou uma queda de cerca de 5%, sendo cotado a US$ 116.850 na terça-feira (15).

A correção ocorre em meio à realização de lucros por baleias, o aumento da volatilidade e a lacuna nos futuros da CME, que pode puxar o BTC ainda mais para baixo.

Apesar do recuo, analistas apontam que o movimento pode representar uma correção saudável, necessária após o rali recente, com possibilidade de retomar o impulso de alta nos próximos dias, especialmente se os níveis técnicos forem respeitados.

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Realização de lucros por baleias pressiona o preço do BTC

Atividade na Binance levanta alerta sobre grandes vendas

Segundo uma análise da CryptoQuant, a recente queda no preço do Bitcoin está diretamente ligada ao aumento da atividade de baleias — investidores com grandes volumes — na Binance, maior exchange do mundo em volume.

O Índice de Atividade de Baleias da Binance disparou logo após o pico de US$ 122 mil, indicando que transações volumosas dominaram o mercado. Dados revelam que, na segunda-feira, cerca de 1.800 BTC foram transferidos para a corretora, com mais de 35% das entradas de Bitcoin acima de US$ 1 milhão.

“Isso indica um movimento concentrado e deliberado por parte de grandes players para posicionar ativos na plataforma mais líquida do mundo”, disse o analista Crazzyblockk, da CryptoQuant.

Essa movimentação sugere realização de lucros após o novo topo histórico, uma prática comum após rallies extensos. Além disso, a presença dessas grandes ordens de venda em exchanges líquidas aumenta a probabilidade de oscilações bruscas no preço.

98% da oferta em lucro indica possível exaustão

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

Outro dado relevante apresentado por André Dragosch, chefe de pesquisa da Bitwise na Europa, mostra que 98% da oferta circulante de Bitcoin está atualmente em lucro. Historicamente, esse tipo de configuração antecipa correções, pois holders aproveitam a valorização para recolher ganhos.

O movimento das baleias, portanto, pode ser visto como uma reação natural à lucratividade extrema dos ativos em circulação, criando uma pressão temporária de venda.

Bitcoin abaixo da média móvel de 20 períodos: sinal técnico de atenção

No gráfico de quatro horas, o BTC está operando abaixo da média móvel simples (SMA) de 20 períodos, um indicador técnico de curto prazo bastante observado por traders.

Se o fechamento se consolidar abaixo dessa média, a tendência pode se intensificar rumo a suportes inferiores, ampliando a correção até zonas como US$ 114 mil ou até US$ 108 mil, de acordo com analistas.

“Fechamentos abaixo da SMA de 20 períodos indicam fraqueza no curto prazo e aumento do risco de quedas adicionais”, pontua Felipe Barros, analista técnico independente.

Lacuna nos futuros da CME pode puxar BTC para US$ 114 mil

O que são lacunas nos futuros?

As lacunas nos contratos futuros da CME (Chicago Mercantile Exchange) ocorrem quando o mercado abre com preços significativamente diferentes do fechamento anterior, criando um “vazio” nos gráficos. Essas lacunas são frequentemente preenchidas pelo preço do ativo em algum momento subsequente.

A última alta do BTC deixou uma lacuna entre US$ 114.380 e US$ 115.630, o que, segundo muitos analistas, precisa ser “preenchido” antes que a tendência de alta possa ser retomada com consistência.

“O Bitcoin provavelmente vai preencher a lacuna da CME durante a divulgação do CPI e continuar a alta”, disse Mikybull Crypto em publicação na rede X.

Histórico reforça tese da correção

Estudos históricos mostram que mais de 80% das lacunas nos futuros do Bitcoin na CME foram preenchidas nos dias ou semanas seguintes. Isso reforça a hipótese de que o preço pode cair até US$ 114 mil em breve, antes de encontrar novo suporte.

Cenários possíveis: onde o BTC pode ir nos próximos dias?

Cenário 1: BTC preenche lacuna e sobe

Nesse cenário, o Bitcoin realiza uma correção controlada, caindo até a região dos US$ 114 mil para preencher a lacuna da CME. Em seguida, encontra suporte técnico e retoma o movimento de alta.

  • Suporte forte: US$ 114.000;
  • Alvo pós-rebote: US$ 120.000 – US$ 123.000;
  • Catalisadores positivos: entrada de capital institucional, estabilidade macroeconômica, ausência de novos lucros realizados em massa.

Cenário 2: BTC testa suporte mais abaixo

Se a pressão de venda continuar, o Bitcoin pode buscar a região dos US$ 108 mil, como sugerido pelo analista Michael van de Pope, fundador da MN Capital.

“Permanecendo acima de US$ 108 mil, a tendência continua de alta. O mercado de alta está aqui”, disse van de Pope.

  • Suporte crítico: US$ 108.000;
  • Tendência intacta se esse nível for mantido;
  • Risco: perda do suporte pode abrir espaço para correção até US$ 100 mil.

Cenário 3: Retomada sem preenchimento da lacuna

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Embora menos comum, o Bitcoin pode surpreender e retomar a alta sem preencher a lacuna da CME, caso notícias positivas (como novas compras institucionais ou dados econômicos favoráveis) impulsionem a demanda.

Volatilidade beneficia traders, mas exige cautela

A atual fase de volatilidade elevada representa oportunidades para traders experientes, que se beneficiam de movimentos de curto prazo. No entanto, para investidores de longo prazo, o momento exige disciplina e foco no cenário macro.

“Volatilidade é o oxigênio do mercado cripto. Para quem está preparado, isso representa lucro. Para quem está mal posicionado, é prejuízo certo”, resume Pedro Baptista, gestor da CriptoAlpha.

Indicadores on-chain e sentimento do mercado

Métricas apontam realização, não pânico

Apesar da queda, métricas on-chain mostram que o movimento atual não é motivado por pânico, mas sim por realização estratégica de lucros. O SOPR (Spent Output Profit Ratio) — indicador que mede se os holders estão vendendo com lucro ou prejuízo — permanece acima de 1, indicando vendas lucrativas e não liquidações forçadas.

Sentimento de mercado ainda otimista

O Índice de Medo e Ganância do Bitcoin permanece em zona de ganância moderada, refletindo que o mercado ainda vê espaço para continuidade do ciclo de alta, mesmo com correções pontuais.

O que observar nos próximos dias?

Divulgação do CPI nos EUA

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA serão divulgados nesta semana. Uma inflação controlada pode reforçar o cenário de política monetária estável, favorecendo ativos de risco como o BTC.

Decisões da “CryptoWeek” no Congresso dos EUA

A chamada CryptoWeek, marcada por votações de projetos de lei sobre ativos digitais no Congresso norte-americano, continua em foco. Decisões favoráveis à indústria cripto podem neutralizar qualquer correção mais intensa.

Conclusão: correção é saudável, mas olhos atentos no suporte de US$ 114 mil

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Imagem: Hi my name is Jacco / shutterstock

O Bitcoin enfrenta uma correção natural após romper máximas históricas. A realização de lucros por baleias, combinada com a lacuna nos futuros da CME, adiciona volatilidade ao mercado, mas não configura ainda uma reversão de tendência.

Com suporte em US$ 114 mil e zona crítica em US$ 108 mil, o BTC pode sim corrigir, mas o mercado de alta permanece tecnicamente intacto. Investidores devem acompanhar atentamente os dados macroeconômicos, a regulação em debate nos EUA e os fluxos institucionais, que continuam sendo os motores do atual ciclo de valorização.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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