O mercado de criptomoedas atravessa mais um momento de forte volatilidade. O Bitcoin (BTC) despencou para mínima de sete semanas, abaixo de US$ 109 mil, apagando todos os ganhos acumulados desde o aguardado discurso do presidente do Federal Reserve (Fed) em Jackson Hole.
Bitcoin despenca após Jackson Hole e liquidações superam US$ 900 milhões
Bitcoin cai abaixo de US$ 109 mil, apagando ganhos após discurso do Fed em Jackson Hole. Mais de US$ 900 milhões em liquidações sacudiram o mercado cripto.
O movimento desencadeou uma verdadeira onda de liquidações: em apenas 24 horas, cerca de 200 mil traders foram liquidados, somando mais de US$ 900 milhões em posições encerradas, segundo dados da CoinGlass.
Esse cenário não afeta apenas o BTC. A capitalização total do mercado cripto recuou para US$ 3,84 trilhões, com perdas significativas em altcoins como Solana (SOL), Dogecoin (DOGE), Cardano (ADA) e Chainlink (LINK).
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O que aconteceu em Jackson Hole?
O discurso de Jerome Powell
O simpósio de Jackson Hole, realizado anualmente nos Estados Unidos, é um dos eventos mais esperados pelos mercados globais. Na edição de 2025, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizou a possibilidade de cortes nas taxas de juros ainda este ano, em resposta à desaceleração de alguns indicadores econômicos.
Embora inicialmente a fala tenha impulsionado o otimismo e feito o Bitcoin renovar ganhos, os investidores passaram a interpretar o cenário de forma diferente nos dias seguintes, resultando em forte correção.
Bitcoin cai para mínima de sete semanas
Pressão de venda intensificada
De acordo com analistas, a pressão vendedora se acentuou quando um grande investidor movimentou 24.000 BTC, provocando efeito cascata no mercado. Essa liquidação em massa forçou posições alavancadas a serem encerradas, ampliando ainda mais a queda.
“A pressão de venda se intensificou quando um grande detentor vendeu 24.000 BTC, desencadeando uma onda de liquidações”, explicou Rachael Lucas, analista da BTC Markets.
Correção em relação à máxima histórica
O Bitcoin agora acumula uma correção de 12% em relação à máxima de US$ 124.000 registrada em 14 de agosto. Desde o discurso de Powell, o ativo já perdeu cerca de 7%, colocando em dúvida a força da tendência de alta observada no primeiro semestre.
O impacto das liquidações em massa
Quem foi mais atingido?
Segundo a CoinGlass, a maior parte das liquidações ocorreu em posições longas, ou seja, de traders que apostavam na continuidade da valorização do Bitcoin. Com a queda repentina, esses investidores foram surpreendidos e forçados a encerrar suas operações.
O tamanho do prejuízo
- 200.000 traders liquidados em 24h;
- US$ 900 milhões em posições perdidas;
- Maior parte das liquidações concentrada em BTC e ETH.
Esse movimento reforça o alerta para os riscos da alavancagem excessiva em um mercado notoriamente volátil como o de criptomoedas.
O ouro versus o Bitcoin

Enquanto o BTC sofria liquidações recordes, o defensor histórico do ouro, Peter Schiff, aproveitou para reforçar sua tese:
“O Bitcoin ainda deve cair para US$ 75.000. Venda agora e recompre mais barato”, disse Schiff.
O comentário reacendeu o debate sobre o papel do ouro como ativo de proteção e do Bitcoin como ativo de risco, especialmente em momentos de incerteza econômica.
O Ethereum resiste melhor
ETH ainda acima das mínimas
Apesar da queda geral do mercado, o Ethereum (ETH) apresentou desempenho relativamente mais sólido. A moeda caiu para US$ 4.340, mas ainda se mantém acima das mínimas da semana passada, mostrando resiliência diante da pressão vendedora.
Ethereum como foco institucional
Segundo Lucas, instituições continuam de olho no Ethereum, que mantém perspectivas positivas no médio prazo, principalmente com o avanço da tokenização de ativos e o crescimento do ecossistema de contratos inteligentes.
Altcoins em situação delicada
Solana (SOL)
A Solana recuou para cerca de US$ 187 (R$ 1.041 no Brasil), acumulando perdas mais acentuadas que o BTC e o ETH.
Dogecoin (DOGE)
O Dogecoin caiu para US$ 0,209 (R$ 1,16), reforçando a tendência de queda observada nos últimos meses.
Cardano (ADA)
O Cardano também não escapou: caiu para US$ 0,833 (R$ 4,66), ampliando as preocupações sobre sua capacidade de competir em um mercado cada vez mais dominado por Ethereum e Solana.
Chainlink (LINK) e Sui (SUI)
- Chainlink (LINK): recuou para US$ 132,44, acompanhando o movimento negativo geral;
- Sui (SUI): perdeu força e caiu para US$ 18,73, registrando uma das maiores quedas entre os tokens emergentes.
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A sazonalidade do mercado cripto
Setembro: mês historicamente negativo
Setembro costuma ser um mês de desempenho fraco para o mercado cripto, mesmo em ciclos de alta. Em 2017 e 2021, anos marcados por bull markets, o nono mês trouxe correções significativas.
Expectativas para 2025
Se a história se repetir, investidores devem se preparar para mais volatilidade nas próximas semanas, especialmente diante da fragilidade atual do BTC e da possibilidade de novas liquidações.
O capital está saindo do risco
Liquidez enfraquecida
Especialistas destacam que a liquidez reduzida do fim de semana ampliou as oscilações, tornando o mercado mais vulnerável a grandes ordens de venda.
“O capital está girando para fora do risco, com a liquidez fraca do fim de semana amplificando as oscilações”, afirmou Rachael Lucas em nota enviada ao Cointelegraph.
Rotação de ativos
Com o enfraquecimento do BTC, investidores institucionais parecem buscar refúgio em ativos considerados mais estáveis, como o Ethereum, ou mesmo migrar temporariamente para instrumentos tradicionais, como ouro e títulos do Tesouro norte-americano.
Perspectivas para investidores
O que esperar a curto prazo
- Volatilidade elevada: novas liquidações podem ocorrer se o BTC não conseguir se sustentar acima de US$ 109 mil;
- Mercados atentos ao Fed: futuros sinais de Powell sobre política monetária terão impacto direto;
- Altcoins sob pressão: podem seguir em queda caso o BTC não recupere suporte.
Visão de longo prazo
Para investidores de longo prazo, a queda pode representar ponto de entrada estratégico, desde que haja gestão de risco. Já traders de curto prazo devem redobrar atenção a suportes e resistências.
Considerações finais

O mercado cripto vive dias de tensão após o Bitcoin despencar para mínima de sete semanas, perdendo força logo após o simpósio de Jackson Hole. A liquidação de mais de US$ 900 milhões em 24 horas mostra a vulnerabilidade de traders excessivamente alavancados.
Embora o Ethereum resista melhor, outras altcoins sofrem perdas expressivas, reforçando o clima de cautela. Com a aproximação de setembro — historicamente um mês negativo para criptomoedas —, o cenário deve permanecer desafiador.
Para investidores, o momento exige cautela, gestão de risco e visão de longo prazo, já que a volatilidade pode trazer tanto riscos quanto oportunidades únicas.
