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Bitcoin dispara e ultrapassa US$ 107 mil: cenário global impulsiona novo ciclo de valorização

Bitcoin supera US$ 107 mil em meio a alívio geopolítico e enfraquecimento do dólar. Investidores retomam otimismo e especialistas projetam novas altas.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin Suisse

O mercado de criptomoedas está mais uma vez no centro das atenções, com o Bitcoin superando a marca dos US$ 107 mil nesta quarta-feira, 25 de junho de 2025. O movimento de alta ocorre após dias de instabilidade provocados por tensões geopolíticas no Oriente Médio, agora aparentemente controladas após o anúncio de cessar-fogo mediado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

O alívio nos mercados globais se refletiu diretamente no desempenho da maior criptomoeda do mundo, que acumula valorização de 3,3% nos últimos sete dias e 2,4% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Especialistas apontam que, além do cenário internacional mais ameno, fatores como o enfraquecimento do dólar, fluxos institucionais contínuos e iniciativas estaduais nos Estados Unidos para manter reservas em Bitcoin estão contribuindo para fortalecer a posição do BTC como ativo estratégico de longo prazo.

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Contexto geopolítico: cessar-fogo no Oriente Médio reacende apetite por risco

A recente trégua entre Israel e Irã, anunciada após semanas de escalada militar e temores de um conflito regional mais amplo, foi recebida com alívio pelos investidores globais. Mercados acionários na Ásia encerraram o pregão em alta, o petróleo recuou de máximas recentes e o dólar perdeu força, dando espaço para o fortalecimento de ativos alternativos — entre eles, as criptomoedas.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o cenário mais favorável tem impulsionado o Bitcoin:

“Os mercados globais operaram com maior estabilidade após o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Irã, o que reduziu as tensões geopolíticas e impulsionou o apetite por risco. […] Esse clima mais favorável também se refletiu no mercado cripto, com o Bitcoin se recuperando para cerca de US$ 107 mil, impulsionado pela melhora do sentimento global e pela continuidade dos fluxos institucionais para ativos digitais.”

Fatores macroeconômicos: dólar em queda e juros sob pressão

bitcoin
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Com os dados mais recentes de confiança do consumidor nos Estados Unidos abaixo do esperado e as expectativas moderadas de inflação, analistas começam a projetar que o Federal Reserve (Fed) pode optar por um corte de juros ainda em 2025. Essa possível inflexão na política monetária norte-americana está enfraquecendo o dólar frente a outras moedas, como o euro, que atingiu seu maior nível desde 2021.

Para o mercado de criptomoedas, essa movimentação cria um ambiente mais positivo. Um dólar fraco tende a beneficiar ativos escassos e não soberanos, como o Bitcoin, que se torna mais atraente como reserva de valor.

Trajetória técnica: BTC mira novamente a máxima histórica

Desde o início do ano, o Bitcoin tem mostrado uma tendência de alta sustentada por múltiplos fundamentos — entre eles, o halving de abril, a adoção institucional crescente e a crise de confiança em moedas fiduciárias.

Com a cotação atual se aproximando de US$ 107.700, os analistas voltam a especular uma nova tentativa de rompimento da máxima histórica de US$ 112 mil, registrada em maio de 2025.

Gráficos técnicos indicam que o próximo nível de resistência relevante está justamente na zona dos US$ 110 mil a US$ 112 mil, e o rompimento desse patamar pode abrir espaço para uma nova fase de valorização.

Adoção institucional: reservas em Bitcoin ganham força nos EUA

A consolidação do Bitcoin como uma alternativa institucional ganhou novo capítulo com a tramitação do projeto de lei HB 2324 no estado do Arizona, que prevê a criação de um fundo estadual de reservas em criptomoedas.

O projeto já foi aprovado tanto na Câmara (com 34 votos favoráveis contra 22) quanto no Senado estadual (16 a 14) e aguarda apenas a sanção da governadora Katie Hobbs.

De acordo com João Galhardo, analista da Mynt, plataforma de ativos digitais do BTG Pactual, a medida pode ter repercussões importantes:

“Se aprovado, o projeto permitirá ao Tesouro estadual criar o Bitcoin and Digital Assets Reserve Fund, um fundo público destinado a armazenar criptomoedas apreendidas durante investigações criminais. […] Na prática, essa reserva deve continuar fortalecendo a imagem institucional do Bitcoin como ativo seguro e confiável.”

Impacto na oferta e na valorização do BTC

Um dos pontos mais relevantes do projeto é a determinação de que as criptomoedas armazenadas pelo fundo não poderão ser vendidas, o que significa uma redução efetiva da oferta em circulação. Esse tipo de política institucional tende a pressionar positivamente o preço do Bitcoin, ao reduzir a liquidez disponível e reforçar sua escassez.

Movimentos de empresas e investidores

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Além do apoio estatal, diversas empresas listadas em bolsa continuam aumentando suas posições em Bitcoin como estratégia de proteção contra a inflação e diversificação de reservas. Dados atualizados da Bitcoin Treasuries indicam que mais de 3% de todo o suprimento de BTC está hoje sob controle de empresas privadas.

Grandes nomes como MicroStrategy, Tesla, Block (ex-Square) e fundos como o Grayscale Bitcoin Trust continuam entre os maiores detentores institucionais, reforçando a narrativa de que o Bitcoin veio para ficar como uma reserva de valor de longo prazo.

Perspectivas de curto e médio prazo para o Bitcoin

Bitcoin hoje: preço alcança US$ 107 mil e alerta para zona técnica importante
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

Com o fim das tensões militares no Oriente Médio, a expectativa de queda nos juros dos EUA, o enfraquecimento do dólar e a crescente institucionalização do Bitcoin, o cenário técnico e fundamental para a criptomoeda segue favorável.

“A tendência de alta ainda não foi invalidada. A zona entre US$ 100 mil e US$ 104 mil serviu como suporte técnico importante. Agora, com o rompimento de US$ 107 mil, o BTC pode buscar novamente a máxima histórica”, explica Thiago Lacerda, analista técnico do CriptoRadar.

Entre os principais fatores que podem influenciar o preço nas próximas semanas estão:

  • Decisões de política monetária do Federal Reserve;
  • Novas declarações de Donald Trump sobre geopolítica internacional;
  • Evolução do projeto de lei no Arizona;
  • Adoção do BTC por mais estados e corporações;
  • Volume de negociações nos ETFs de Bitcoin à vista.

Riscos e alertas para os investidores

Apesar do otimismo generalizado, especialistas lembram que o mercado cripto ainda é altamente volátil e sujeito a movimentos bruscos de correção. A depender do comportamento macroeconômico global, novos episódios de tensão geopolítica ou declarações mais duras de autoridades monetárias podem impactar negativamente os preços.

“O Bitcoin já demonstrou resiliência, mas ainda reage fortemente a eventos macro. O investidor deve estar atento, especialmente em momentos de alta”, alerta Carla Medeiros, economista da Atlas Assets.

Conclusão: Bitcoin retoma protagonismo global com suporte técnico e institucional

O cenário atual reforça a percepção de que o Bitcoin segue ganhando espaço como um ativo de importância global — seja como instrumento de reserva em estados norte-americanos, seja como refúgio contra instabilidades econômicas e políticas.

O rompimento da marca de US$ 107 mil pode representar não apenas uma resposta aos acontecimentos recentes, mas o início de um novo ciclo de valorização sustentado por fundamentos sólidos.

Com múltiplos vetores atuando a favor do BTC — desde a política externa dos EUA até a política fiscal de estados como Arizona —, os investidores acompanham com atenção os próximos movimentos do mercado, em busca de sinais claros sobre o que esperar do Bitcoin no segundo semestre de 2025.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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