A Bitfarms, uma das principais empresas de mineração de Bitcoin listadas em bolsa, anunciou nesta terça-feira (23) um movimento estratégico que pode transformar seu posicionamento no mercado global: a recompra de até 10% de suas ações ordinárias — cerca de 49,9 milhões de papéis — ao longo dos próximos 12 meses.
A decisão sinaliza uma nova fase para a companhia, que se prepara para ampliar sua atuação no setor de inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC).
O anúncio, que teve aprovação da Bolsa de Toronto (TSX), também foi recebido com entusiasmo por investidores, com as ações da empresa subindo 16,8% na Nasdaq no mesmo dia.
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A recompra: confiança, valorização e transição estratégica
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A recompra de ações é uma prática comum entre empresas que desejam aumentar o valor por ação de seus papéis em circulação, reduzindo a quantidade total no mercado. Quando uma companhia considera suas ações subvalorizadas, esse movimento também funciona como um sinal de confiança na própria performance futura.
No caso da Bitfarms, o programa aprovado autoriza a recompra de até 494.918 ações por dia na TSX — cerca de 25% do volume médio diário de negociação dos últimos seis meses. Na Nasdaq, o limite é de até 5% das ações em circulação durante o período de recompra.
Todas as ações adquiridas serão canceladas, o que poderá impactar positivamente os investidores que mantiverem seus papéis.
Declarações da liderança: “Ações estão subvalorizadas”

Ben Gagnon: “Estamos convictos de que o mercado não precifica nosso real valor”
O CEO da Bitfarms, Ben Gagnon, reforçou que a recompra reflete a visão da empresa de que suas ações estão negociadas abaixo de seu valor intrínseco, especialmente diante das recentes transformações estratégicas.
“Nossa decisão de recomprar ações é baseada na confiança em nosso modelo de negócios e na convicção de que estamos subvalorizados. Estamos dando um passo importante em direção à expansão em HPC e IA, com um portfólio energético competitivo, especialmente na Pensilvânia”, afirmou Gagnon em nota.
A Bitfarms tem operado data centers nos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Paraguai, com planos ambiciosos de transformação digital e reposicionamento como fornecedora de infraestrutura para aplicações de inteligência artificial.
Do Bitcoin à IA: a transformação da Bitfarms
Mineradora de BTC migra para a computação de alto desempenho
Nos últimos trimestres, a Bitfarms tem demonstrado que pretende diversificar suas fontes de receita e reduzir a dependência da mineração de Bitcoin, atividade que tem enfrentado margens cada vez mais apertadas desde o halving de 2024, que reduziu pela metade a recompensa por bloco minerado.
Esse reposicionamento é consistente com o movimento de outras empresas do setor, que também vêm convertendo sua infraestrutura — composta por hardware de alta performance, sistemas de resfriamento e energia — para atender à demanda por inteligência artificial e HPC.
Investimentos estratégicos e nova fonte de receita
A transição da Bitfarms está sendo financiada por uma linha de crédito de US$ 300 milhões obtida junto ao Macquarie, utilizada para expandir uma instalação de HPC na Pensilvânia.
Como parte do plano, a empresa também vendeu sua instalação de mineração no Paraguai para a Hive Digital por US$ 85 milhões, liberando capital para focar em operações mais estratégicas e lucrativas.
HPC como motor de crescimento
A computação de alto desempenho (HPC) é fundamental para treinamento de modelos de IA, simulações científicas, análise de dados em larga escala e aplicações empresariais críticas.
Mineradoras como a Bitfarms estão entre as poucas empresas que já possuem infraestrutura física compatível com HPC, o que confere uma vantagem competitiva natural para a transição.
“Durante o trimestre, executamos várias ações importantes em nosso reposicionamento estratégico para os EUA e HPC,” disse Gagnon no relatório trimestral.
Resultados financeiros revelam desafios e oportunidade
Trimestre difícil expõe efeitos do halving
No primeiro trimestre de 2025, a Bitfarms reportou um prejuízo líquido de US$ 36 milhões, em comparação com um prejuízo de US$ 6 milhões no mesmo período de 2024. A queda na margem de lucro bruto — de 63% para 43% — foi atribuída, principalmente, ao halving do Bitcoin, que reduziu as receitas diretas da mineração.
Custo de mineração e eficiência operacional
A empresa informou que minerou 693 BTC no trimestre, com um custo médio de produção por Bitcoin de US$ 47.800. O número reflete o aumento no custo de energia e a redução das recompensas, dois fatores que tornam a dependência exclusiva da mineração de BTC insustentável para empresas listadas em bolsa no cenário atual.
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Reação do mercado: ações sobem 16,8% com o anúncio
A notícia da recompra de ações e do avanço rumo à IA teve imediato impacto positivo nos mercados financeiros. As ações da Bitfarms listadas na Nasdaq (BITF) fecharam em alta de 16,8% no mesmo dia do anúncio, refletindo o otimismo dos investidores com o novo plano estratégico.
TSX e Nasdaq: dupla listagem impulsiona liquidez
A presença da Bitfarms tanto na Bolsa de Toronto (TSX) quanto na Nasdaq, nos EUA, oferece maior liquidez e exposição institucional. A recompra de ações foi aprovada nas duas bolsas, o que reforça o compromisso da empresa com transparência regulatória e boa governança corporativa.
Setor em transformação: mineração e IA convergem
Nova tendência: mineradoras se tornam provedores de infraestrutura de IA
A Coin Metrics, em relatório recente, destacou que mineradoras estão cada vez mais recorrendo à hospedagem de data centers para IA, aproveitando sua infraestrutura já existente. A tendência acelera após o halving e é vista como uma estratégia de sobrevivência e crescimento sustentável.
Exemplos de transição em todo o setor
Outras empresas, como Hive Digital, Hut 8, Core Scientific e Iris Energy, também estão explorando essa transição, ampliando sua atuação para além da mineração tradicional e oferecendo serviços para empresas de tecnologia que desenvolvem soluções baseadas em IA, aprendizado de máquina e análise de dados.
Oportunidades e riscos no novo ciclo da Bitfarms
Potencial de valorização das ações com cancelamento de papéis
A recompra de ações e o cancelamento subsequente reduzem o número total de ações em circulação. Isso pode resultar em aumento do valor por ação para os investidores remanescentes, além de sinalizar confiança da empresa em seu modelo de negócio e valuation.
Riscos regulatórios e volatilidade do setor cripto
Apesar do otimismo, a Bitfarms segue exposta à volatilidade do mercado cripto, à regulação em evolução nos EUA e Canadá, e à necessidade de execução eficaz de seu plano de transição para HPC e IA — setores que demandam alto investimento e sofrem concorrência de gigantes tecnológicos.
Conclusão: Bitfarms mira futuro além do Bitcoin e desafia o mercado a recalcular seu valor

A Bitfarms dá um passo ousado ao anunciar a recompra de 10% de suas ações e iniciar uma transição estratégica em direção à infraestrutura de IA e computação de alto desempenho.
Em um setor cada vez mais pressionado pelo halving e pela competitividade, a empresa se antecipa a um novo ciclo de crescimento — não apenas como mineradora, mas como provedora de tecnologia crítica para o século XXI.
A recompra de ações sinaliza ao mercado que a empresa acredita em seu valor intrínseco e vê em seu novo posicionamento uma oportunidade para sustentabilidade e expansão. Cabe agora aos investidores decidirem se acompanham essa aposta ambiciosa — ou se assistirão à revolução de fora.
