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Banco Inter afirma que blockchain nos bancos é irreversível e transformará o mercado financeiro

A adoção de blockchain no mercado financeiro deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma realidade estratégica. Apesar das mudanças recentes

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
blockchain

A adoção de blockchain no mercado financeiro deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma realidade estratégica. Apesar das mudanças recentes no Drex — projeto do Banco Central para o real digital — que reduziram o peso do blockchain em sua arquitetura, especialistas afirmam que a tecnologia seguirá firme como peça-chave da transformação bancária.

Para Bruno Grossi, head de Digital Assets e Emerging Technologies, e João Aragão, consultor de tecnologia do Banco Inter, a tokenização é um “caminho sem volta” para bancos e investidores. A afirmação foi feita em entrevista à Exame, reforçando que a tecnologia já está revolucionando a forma como instituições financeiras operam.

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O que está em jogo com o blockchain nos bancos

drex
Imagem: Freepik e Canva

Uma revolução em curso

O blockchain funciona como uma rede descentralizada e segura para registrar transações. Essa característica o torna especialmente útil no setor bancário, onde confiança, rastreabilidade e eficiência são requisitos fundamentais.

Para Grossi, o blockchain representa um novo caminho para o mercado financeiro. Segundo ele, já vivemos um processo de transformação que tende a acelerar nos próximos anos, principalmente com a chegada de novos projetos de tokenização.

Blockchain e DeFi

O mundo das finanças descentralizadas (DeFi) tem mostrado o potencial da tecnologia para criar produtos financeiros sofisticados. No entanto, ainda é um ecossistema pouco acessível para a maioria da população. A expectativa é que os bancos tragam essas soluções para o dia a dia dos clientes, democratizando investimentos que hoje estão restritos a nichos.


O papel do Drex na expansão do blockchain

Drex como catalisador

Mesmo com ajustes recentes, o projeto Drex desempenhou um papel essencial ao aproximar bancos da tokenização. Para o Inter, a iniciativa funcionou como um “catalisador”, estimulando a compreensão e a experimentação de ativos digitais em ambiente regulado.

Segundo Grossi, o Drex “trouxe a tokenização para o centro da discussão”, ampliando o entendimento entre instituições e acelerando projetos internos de inovação.

O impacto da mudança de estratégia do BC

A decisão do Banco Central de reduzir o uso de blockchain nos testes do Drex não deve frear o movimento de digitalização. Para Aragão, nada impede que o mercado siga tokenizando ativos e utilizando ferramentas já consolidadas, como Pix e Open Finance, para viabilizar liquidações e fluxos financeiros.


Tokenização: o futuro dos ativos digitais

O que é tokenização?

A tokenização consiste em registrar ativos — como imóveis, títulos, commodities ou créditos de carbono — em uma rede blockchain, transformando-os em representações digitais negociáveis.

Por que interessa aos bancos?

  • Liquidez: ativos antes pouco acessíveis podem ser negociados em frações.
  • Segurança: o registro imutável reduz riscos de fraude.
  • Transparência: facilita auditorias e aumenta a confiança.
  • Eficiência: processos complexos podem ser simplificados.

Áreas em que o Inter já testa tokenização

  1. ESG: créditos de carbono e biocombustíveis;
  2. Recebíveis e duplicatas: antecipação de recebíveis em blockchain;
  3. Commodities: tokenização de soja e uso em trade finance;
  4. Títulos públicos: pools de liquidez com ativos tokenizados.

Aplicações práticas em andamento

Testes no piloto do Drex

O Inter participou de experimentos com três casos de uso:

  • Pools de liquidez em blockchain para títulos públicos tokenizados;
  • Tokenização de recebíveis de cartão de crédito;
  • Trade finance envolvendo a venda de commodities com liquidação digital.

No caso do trade finance, a ideia era tokenizar soja, criar uma stablecoin pareada ao ativo e movimentar pagamentos e câmbio em paralelo. O projeto foi considerado complexo, mas mostrou o potencial da tecnologia para o comércio exterior.


Perspectivas para o setor bancário

Blockchain como estratégia inevitável

Para Grossi, cada banco possui sua própria visão sobre blockchain, mas o Inter enxerga o movimento como um caminho sem volta. Assim como foi pioneiro em digitalização de contas e uso da nuvem, o banco agora aposta em ativos digitais como vetor de transformação.

Resistência natural, mas avanço certo

Aragão observa que há resistência em parte do mercado, muitas vezes motivada pelo desconhecimento ou pela confusão entre projetos como o Drex e criptomoedas como o Bitcoin. Mesmo assim, os maiores bancos brasileiros já se movimentaram e estão explorando a tecnologia.


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Novos desafios: privacidade e segurança

Privacidade de dados

Um dos maiores desafios é garantir que informações sensíveis não fiquem expostas em redes públicas. Mesmo em blockchains privadas, será preciso desenvolver mecanismos que definam quem pode acessar o quê dentro dos registros.

Criptografia pós-quântica

Outro ponto levantado por Aragão é a necessidade de planejar o futuro em um cenário de computação quântica. O poder desses computadores pode comprometer sistemas de segurança atuais. Por isso, bancos já estudam algoritmos híbridos entre criptografia clássica e pós-quântica para proteger seus ecossistemas.


Tokenização além das finanças

Blockchain
Imagem: Freepik

ESG e sustentabilidade

O blockchain abre espaço para rastrear e validar ativos ligados à sustentabilidade, como créditos de carbono. Isso permite mais transparência nas metas de ESG das instituições financeiras.

Biocombustíveis e commodities

Projetos de tokenização também podem transformar cadeias produtivas, facilitando a negociação de commodities agrícolas e energéticas em plataformas digitais seguras.

Crédito e varejo

Recebíveis de cartão de crédito e duplicatas já estão no radar, permitindo maior eficiência na concessão de crédito e liquidação de operações no mercado varejista.


Considerações finais

A adoção de blockchain pelos bancos brasileiros está apenas no começo, mas já se mostra irreversível. Mesmo com as mudanças recentes no projeto Drex, a tokenização de ativos continuará ganhando força, seja em títulos públicos, commodities ou projetos de ESG.

Com o Banco Central servindo como catalisador, e bancos como o Inter investindo pesado em ativos digitais, a tendência é que o blockchain se torne parte essencial da infraestrutura financeira.

O desafio, agora, será equilibrar inovação, privacidade e segurança, ao mesmo tempo em que o sistema se prepara para novas fronteiras, como a criptografia pós-quântica. O certo é que o futuro do mercado financeiro já começou — e ele será cada vez mais tokenizado e digital.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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