As famílias atendidas pelo Bolsa Família podem passar a ter direito a um pagamento adicional no fim do ano caso uma proposta que tramita no Congresso Nacional seja aprovada. O Projeto de Lei (PL) 4.964/2025 pretende criar um abono natalino anual, que seria depositado no mês de dezembro.
A proposta, porém, ainda não virou lei. Portanto, até o momento, não existe 13º salário federal do Bolsa Família confirmado para dezembro de 2026.
O texto está em tramitação na Câmara dos Deputados e precisa percorrer as etapas previstas no Congresso antes de eventualmente entrar em vigor. A proposta está sujeita à apreciação do Plenário e tramita em regime de prioridade.
A ideia é acrescentar o pagamento à Lei nº 14.601/2023, responsável pela estrutura atual do Bolsa Família. Caso seja aprovada nos termos apresentados, a família receberia em dezembro um valor calculado a partir de tudo o que recebeu do programa ao longo daquele ano.
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Bolsa Família terá 13º salário em 2026?

Por enquanto, não há 13º salário do Bolsa Família garantido para 2026.
O que existe é o PL 4.964/2025, apresentado pela Comissão de Legislação Participativa (CLP) da Câmara dos Deputados.
O projeto tem origem na Sugestão nº 23/2022, apresentada pelo Centro de Desenvolvimento Social Macaé/Convida. Depois da análise na CLP, a proposta foi transformada em projeto de lei.
O texto foi encaminhado às comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Também está sujeito à apreciação do Plenário.
Portanto, a existência de um projeto não significa que o dinheiro será depositado.
Até que o processo legislativo seja concluído e uma eventual nova lei entre em vigor, as famílias devem considerar somente os benefícios já previstos oficialmente no programa.
Como funcionaria o 13º do Bolsa Família?
O projeto utiliza o termo abono anual.
Segundo o texto apresentado na Câmara, a Lei nº 14.601/2023 passaria a determinar o pagamento do abono no mês de dezembro às famílias beneficiárias do Bolsa Família.
O cálculo previsto é:
1/12 da soma dos benefícios do Bolsa Família pagos à família durante o respectivo ano.
Isso significa que não necessariamente todos receberiam exatamente R$ 600 ou o mesmo valor pago na parcela de dezembro.
O cálculo dependeria do histórico de pagamentos de cada família.
Família que recebeu R$ 600 por mês ganharia quanto?
Um exemplo simples ajuda a entender a proposta.
Imagine uma família que tenha recebido exatamente R$ 600 mensais durante os 12 meses do ano.
O total seria:
R$ 600 × 12 = R$ 7.200
Aplicando a fórmula prevista no projeto:
R$ 7.200 ÷ 12 = R$ 600
Nesse exemplo, o abono natalino seria de R$ 600.
Assim, considerando apenas essa hipótese, a família poderia receber em dezembro a parcela regular de R$ 600 e mais R$ 600 correspondentes ao abono, desde que todas as condições previstas na futura legislação fossem atendidas.
O total naquele mês poderia chegar a R$ 1.200.
Esse exemplo é apenas uma simulação baseada no texto atual do projeto e não representa promessa de pagamento para dezembro de 2026.
Quem recebe mais de R$ 600 poderia ter 13º maior?
Pelo texto atualmente proposto, sim.
O Bolsa Família não possui um pagamento único de R$ 600 para todos. Esse valor funciona como piso garantido às famílias contempladas pelas regras do programa.
Além do Benefício de Renda de Cidadania, existem adicionais relacionados à composição familiar.
Atualmente, o Benefício de Renda de Cidadania corresponde a R$ 142 por integrante, enquanto o Benefício Complementar garante que a família alcance pelo menos R$ 600 quando a soma ficar abaixo desse patamar.
Há ainda o Benefício Primeira Infância, de R$ 150 por criança de zero a sete anos incompletos, e o Benefício Variável Familiar, de R$ 50, destinado às situações previstas nas regras do programa, incluindo gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes.
Consequentemente, algumas famílias recebem regularmente mais de R$ 600.
Veja um exemplo de família que recebe R$ 750
Considere, apenas para facilitar a compreensão, uma família que tenha recebido R$ 750 durante todos os meses considerados no cálculo.
Em 12 meses, seriam:
R$ 750 × 12 = R$ 9.000
O cálculo do abono seria:
R$ 9.000 ÷ 12 = R$ 750
Nesse cenário hipotético, o pagamento adicional seria de R$ 750.
A lógica é semelhante à de uma média mensal dos benefícios recebidos ao longo do ano.
Por isso, falar simplesmente que “o Bolsa Família terá um 13º de R$ 600” não descreve corretamente a proposta.
Quem entrou no Bolsa Família durante o ano receberia menos?
Pela fórmula prevista no texto, isso pode acontecer.
Imagine uma família que começou a receber o programa em julho e recebeu R$ 600 durante seis meses.
A soma seria de:
6 × R$ 600 = R$ 3.600
Aplicando a fórmula:
R$ 3.600 ÷ 12 = R$ 300
Nesse exemplo, o abono seria de R$ 300.
O cálculo proposto, portanto, leva em consideração os pagamentos efetivamente realizados durante o ano, e não simplesmente o valor da última parcela recebida.
As regras definitivas, contudo, dependeriam do texto aprovado pelo Congresso e de eventual regulamentação posterior.
Qual é o valor do Bolsa Família atualmente?
A estrutura do Bolsa Família combina diferentes benefícios.
O Benefício de Renda de Cidadania corresponde a R$ 142 por integrante.
Quando a soma desse benefício não alcança R$ 600, o Benefício Complementar cobre a diferença necessária para atingir o piso familiar. Essas regras estão previstas na Lei nº 14.601/2023 e continuam apresentadas pelos canais oficiais do governo federal.
Uma família de quatro integrantes, por exemplo, teria inicialmente:
4 × R$ 142 = R$ 568
Como o resultado fica abaixo de R$ 600, entram mais R$ 32 pelo Benefício Complementar.
O valor pode crescer caso existam integrantes que deem direito aos benefícios adicionais.
Quantas famílias recebem o Bolsa Família?
A dimensão do programa ajuda a entender por que uma proposta de 13º salário precisa passar também por uma análise orçamentária cuidadosa.
Dados oficiais disponíveis no Cecad, ferramenta vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, apontam 19,34 milhões de famílias beneficiárias em junho de 2026.
Naquele mês, foram transferidos aproximadamente R$ 13,08 bilhões, com benefício médio de R$ 676,33.
Criar uma parcela anual adicional para um programa desse tamanho representa uma despesa pública significativa.
É justamente por isso que a análise de impacto financeiro e orçamentário está entre os pontos importantes durante a tramitação.
Por que o projeto propõe um 13º para o Bolsa Família?
A justificativa da proposta está ligada principalmente à redução das desigualdades e ao reforço da renda das famílias no fim do ano.
Os defensores argumentam que trabalhadores formais e aposentados possuem mecanismos de gratificação natalina, enquanto famílias dependentes do programa federal não contam atualmente com um pagamento anual equivalente.
Outro argumento é econômico.
Como famílias de menor renda normalmente destinam grande parcela de seus recursos ao consumo de itens básicos, um pagamento adicional poderia movimentar comércio e serviços durante o fim do ano.
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Isso não significa, entretanto, que esses argumentos sejam suficientes para transformar a proposta automaticamente em lei.
O Congresso ainda precisa analisar questões como constitucionalidade, adequação financeira, fonte de recursos e impactos sobre o orçamento federal.
Projeto cita desigualdade de renda
A justificativa da proposta também utiliza indicadores de desigualdade social no Brasil.
O argumento é que uma parcela adicional poderia ampliar temporariamente a capacidade financeira das famílias de menor renda, especialmente em um período no qual aumentam despesas relacionadas a alimentação, material escolar, transporte e outras necessidades domésticas.
A discussão está inserida em um debate mais amplo sobre o papel das transferências de renda na redução da pobreza.
O Bolsa Família também possui integração com políticas de saúde, educação e assistência social, com acompanhamento de compromissos assumidos pelas famílias beneficiárias.
Bolsa Família já teve 13º salário?

Sim, mas em uma situação diferente.
Em 2019, o governo federal realizou o pagamento de um abono natalino aos beneficiários do então Bolsa Família por meio da Medida Provisória nº 898/2019.
O pagamento ocorreu naquele ano, mas a medida não criou um 13º permanente para os anos seguintes.
Desde então, propostas relacionadas ao tema voltaram a aparecer no debate político.
O PL 4.964/2025 se diferencia justamente porque pretende inserir o abono anual na própria legislação do Bolsa Família, transformando-o em uma obrigação recorrente caso seja aprovado.
Projeto aprovado significa pagamento imediato?
Não necessariamente.
Mesmo que avance na Câmara, o projeto ainda precisa cumprir todo o processo legislativo aplicável.
Além da análise nas comissões, a proposta está sujeita ao Plenário da Câmara.
Depois, ainda há a tramitação no Senado Federal. Caso o Senado faça alterações, o texto pode precisar retornar à Câmara.
Somente depois da aprovação pelo Congresso ocorre a etapa relacionada à sanção ou veto presidencial.
Além disso, questões orçamentárias podem influenciar quando uma eventual nova regra começaria efetivamente a produzir efeitos.
Beneficiário precisa fazer cadastro para receber?
Neste momento, não existe cadastro para receber um 13º federal do Bolsa Família em 2026, porque o pagamento ainda não foi instituído.
Essa informação também é importante para evitar golpes.
Mensagens oferecendo “inscrição para o 13º do Bolsa Família”, exigindo pagamento de taxa ou solicitando dados bancários não correspondem a um procedimento criado pelo PL 4.964/2025.
O beneficiário não deve fornecer senha do Gov.br, senha bancária, códigos recebidos por SMS ou realizar Pix para supostamente liberar o pagamento.
Caso a proposta vire lei, o governo deverá divulgar oficialmente como ocorrerá a operacionalização do benefício.
O 13º do Bolsa Família já tem data para dezembro?
Não.
O projeto prevê que o abono seja pago em dezembro, mas isso só produzirá efeitos se a proposta concluir sua tramitação e for transformada em lei.
Até 12 de agosto de 2026, o PL 4.964/2025 continua sendo uma proposta legislativa e aparece na Câmara aguardando etapas de sua tramitação.
Portanto, ainda não existe calendário federal confirmado para pagamento do 13º do Bolsa Família em dezembro de 2026.
Essa diferença é essencial: existe uma proposta para criar o pagamento, mas o benefício ainda não está garantido.
Famílias devem acompanhar a tramitação
O PL 4.964/2025 pode representar uma mudança importante no Bolsa Família caso seja aprovado.
Pelo texto atualmente apresentado, as famílias passariam a receber todos os anos um abono em dezembro equivalente a um doze avos da soma dos benefícios pagos durante o ano.
Para quem recebe o mesmo valor durante todos os 12 meses, o resultado tende a equivaler aproximadamente a uma parcela mensal adicional. Para famílias que ingressaram no programa durante o ano ou tiveram alterações nos pagamentos, o resultado pode ser diferente.
Por enquanto, porém, nada muda no calendário regular do Bolsa Família.
Os beneficiários devem acompanhar os canais oficiais do governo e do Congresso e desconfiar de publicações que apresentem o 13º do Bolsa Família em dezembro de 2026 como pagamento já confirmado.
A existência do projeto abre a possibilidade de uma nova parcela anual, mas somente a conclusão da tramitação legislativa poderá transformar essa proposta em um direito efetivo para as famílias.



