O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome anunciou, nesta quarta-feira (9), uma mudança significativa nas regras do Bolsa Família, programa federal de transferência de renda. Com a publicação de nova portaria no Diário Oficial da União (DOU), três novas categorias foram adicionadas à lista de grupos prioritários para o recebimento do benefício.
Novas regras do Bolsa Família favorecem mais brasileiros; saiba quem se beneficia
Governo atualiza regras do Bolsa Família e inclui novas categorias vulneráveis. Medida amplia proteção social e renda básica para mais famílias.
A medida amplia o escopo de atendimento a populações em vulnerabilidade extrema e reforça o papel do Bolsa Família na garantia de direitos fundamentais como alimentação e proteção social.
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Inclusão de novos grupos prioritários
A nova portaria traz como novidade a inclusão das seguintes situações como critérios prioritários para adesão ao programa:
- Famílias com pessoas em situação de rua;
- Famílias com pessoas em risco social associado à violação de direitos, conforme o Prontuário SUAS;
- Famílias com pessoa identificada pelo Ministério da Saúde como em risco para insegurança alimentar.
Esses grupos passam a integrar a lista oficial de categorias com prioridade para recebimento do Bolsa Família, ao lado de outras já reconhecidas, como famílias com crianças em trabalho infantil, indígenas, quilombolas, catadores de material reciclável e pessoas libertas de condições análogas à escravidão.
Segundo o ministro Wellington Dias, a decisão atende à necessidade de fortalecer a proteção social em um momento de desafios crescentes para as famílias mais vulneráveis. “O objetivo é aumentar o nível de proteção social, de segurança de renda e de segurança alimentar em favor de famílias que se encontram em situação de alto risco social”, afirmou.
Como funciona a seleção para o Bolsa Família
Critério de renda permanece o mesmo
Apesar da inclusão de novas categorias, o critério principal de entrada no programa continua sendo a renda per capita mensal da família, que deve ser de no máximo R$ 218 por pessoa. Isso significa que, numa família com sete pessoas, se apenas um indivíduo tiver renda mensal de R$ 1.518, o valor dividido entre todos será de R$ 216,85 por pessoa, enquadrando-se nas exigências do programa.
Além da comprovação de renda, o processo de seleção depende da atualização e consistência dos dados no Cadastro Único (CadÚnico), instrumento oficial utilizado pelo governo federal para identificar as famílias de baixa renda no país.
A nova portaria entra em vigor imediatamente e já valerá para a folha de pagamento de julho de 2025, segundo informou o Ministério.
Novos critérios, velhos desafios
Expansão visa enfrentar pobreza extrema
A inserção de famílias em situação de rua e em risco de insegurança alimentar é uma resposta direta ao agravamento da pobreza extrema no país. Nos últimos anos, o número de pessoas em situação de rua cresceu nas grandes cidades, e os dados mais recentes apontam que cerca de 33 milhões de brasileiros vivem com algum grau de insegurança alimentar.
Ao incluir essas novas categorias, o Bolsa Família passa a se alinhar mais fortemente com políticas públicas de combate à fome e à exclusão social, o que pode representar uma reorientação estratégica do programa.
“Estamos falando de brasileiros e brasileiras que enfrentam, todos os dias, a violação de seus direitos mais básicos. A alimentação, o abrigo e a dignidade não podem ser luxo”, destacou o ministro Wellington Dias.
O papel do Prontuário SUAS e do Ministério da Saúde

Dados sociais e de saúde serão determinantes
A portaria publicada no DOU destaca a utilização de instrumentos como o Prontuário Eletrônico do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e a identificação de risco alimentar pelo Ministério da Saúde como parte do processo de priorização.
Essas ferramentas permitem a análise integrada de vulnerabilidades sociais e condições de saúde da população, conferindo maior precisão à seleção dos beneficiários.
A ideia, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, é garantir que os recursos do Bolsa Família cheguem com mais agilidade a quem mais precisa, por meio de cruzamento de dados e acompanhamento constante.
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Regras anteriores continuam valendo
Categorias prioritárias mantidas na portaria
Antes da atualização, a lista de grupos com prioridade no Bolsa Família incluía:
- Famílias com crianças ou adolescentes em situação de trabalho infantil;
- Famílias com pessoas resgatadas do trabalho escravo;
- Famílias indígenas e quilombolas;
- Famílias com catadores de materiais recicláveis.
Essas categorias permanecem válidas na nova versão da portaria, que, ao acrescentar novos grupos, amplia a cobertura do programa sem eliminar os critérios anteriores.
Medida integra esforço nacional contra fome e miséria
Governo reafirma compromisso com inclusão social
O reforço no Bolsa Família é parte de um conjunto de ações que vêm sendo tomadas desde o início de 2023 com o objetivo de combater a fome, reduzir a desigualdade e garantir uma rede mínima de proteção às populações em risco.
Além da ampliação do programa de transferência de renda, o governo federal também vem estimulando a articulação entre os ministérios da Saúde, Educação e Assistência Social para oferecer atendimento mais integrado às famílias em situação de pobreza extrema.
A atualização das regras do Bolsa Família é vista por especialistas como uma forma eficaz de direcionar melhor os recursos públicos e atender com mais justiça os diferentes tipos de vulnerabilidade social presentes no Brasil.
Imagem: Canva
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