O Bolsa Família não tem reajuste previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional no fim de agosto.
Pela proposta apresentada pelo Executivo, o benefício continuará garantindo pelo menos R$ 600 por família, além dos adicionais pagos conforme a composição familiar.
O PLOA reserva R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família em 2027, valor inferior aos R$ 158,6 bilhões previstos na proposta orçamentária de 2026.
Isso não significa, porém, que um aumento esteja definitivamente descartado.
O Orçamento ainda passará pela análise de deputados e senadores, e as regras do próprio programa permitem que o Poder Executivo altere os valores dos benefícios.
Até agora, entretanto, não existe aumento oficialmente incluído na proposta para 2027.
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Bolsa Família continuará com mínimo de R$ 600

Pelas regras atualmente vigentes, cada família beneficiária recebe R$ 142 por integrante por meio do Benefício de Renda de Cidadania.
Quando a soma desses valores fica abaixo de R$ 600, o Benefício Complementar acrescenta a diferença necessária para assegurar o piso familiar.
Assim, uma família com três integrantes teria inicialmente:
- 3 pessoas × R$ 142 = R$ 426;
- complemento de R$ 174;
- total mínimo de R$ 600.
A Lei nº 14.601, que instituiu o atual Bolsa Família, fixa tanto o valor de R$ 142 por pessoa quanto a referência mínima de R$ 600 por família.
O PLOA 2027 não apresenta uma elevação desses valores.
Adicionais também permanecem sem aumento previsto
Além do piso de R$ 600, determinadas famílias recebem benefícios adicionais.
As regras atuais estabelecem:
| Composição da família | Valor adicional |
|---|---|
| Criança de 0 a menos de 7 anos | R$ 150 |
| Gestante | R$ 50 |
| Nutriz | R$ 50 |
| Criança de 7 a menos de 12 anos | R$ 50 |
| Adolescente de 12 a menos de 18 anos | R$ 50 |
Esses pagamentos podem ser acumulados quando a família possui mais de um integrante enquadrado nos critérios.
Uma família formada por dois adultos, duas crianças de até 6 anos e uma gestante, por exemplo, poderá receber os R$ 600 mínimos mais R$ 300 pelas duas crianças e R$ 50 pela gestante.
Nesse exemplo, o pagamento chegaria a R$ 950, desde que todas as informações estejam corretamente registradas e os integrantes atendam aos requisitos.
Bolsa Família está sem aumento desde 2023
O atual desenho do programa entrou em vigor em 2023.
Desde então, o piso de R$ 600 e os principais adicionais permanecem nos mesmos valores nominais.
Isso significa que não houve correção anual automática pela inflação, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o salário mínimo, que possui uma política específica de reajuste.
Na prática, portanto, o poder de compra dos R$ 600 diminui ao longo do tempo sempre que os preços aumentam.
Essa é uma das razões pelas quais a discussão sobre uma possível correção voltou a ganhar espaço com a apresentação do Orçamento de 2027.
A lei obriga reajuste a cada dois anos?
Não.
Esse ponto precisa ser interpretado com cuidado.
A Lei nº 14.601 estabelece que os valores do Bolsa Família podem ser corrigidos a cada intervalo de, no máximo, 24 meses, de acordo com regulamentação.
A mesma legislação autoriza o Poder Executivo a alterar:
- o valor de R$ 142 por integrante;
- o adicional de R$ 150 para a primeira infância;
- o adicional de R$ 50;
- o piso de R$ 600;
- a linha de renda utilizada para caracterizar a pobreza.
A lei também determina que esses valores não podem ser reduzidos.
A palavra utilizada, porém, é “poderão”.
Por isso, a norma não cria um mecanismo automático que faça o Bolsa Família subir obrigatoriamente a cada dois anos.
Uma eventual correção depende de decisão do governo, regulamentação e disponibilidade orçamentária.
Quanto o governo reservou para o Bolsa Família em 2027?
O PLOA enviado ao Congresso prevê R$ 157,1 bilhões para o programa no próximo ano.
O valor aparece entre as maiores despesas sociais previstas no Orçamento federal.
Para comparação, o PLOA de 2026 havia reservado cerca de R$ 158,63 bilhões para transferências do Bolsa Família.
A diferença entre as duas propostas é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão a menos.
Essa redução na previsão global não significa automaticamente que cada beneficiário receberá menos.
O valor total necessário para o programa depende também da quantidade de famílias atendidas, do tamanho dos núcleos familiares e dos adicionais pagos em cada caso.
Orçamento menor significa corte de beneficiários?
Não é possível concluir isso apenas comparando as duas dotações.
O orçamento de um programa social é calculado considerando projeções sobre o número de beneficiários e os valores que serão pagos ao longo do exercício.
Além disso, famílias entram e saem do Bolsa Família durante o ano por diferentes motivos, como:
- aumento ou redução da renda;
- atualização cadastral;
- alterações na composição familiar;
- aplicação da Regra de Proteção;
- revisão dos dados do Cadastro Único.
Portanto, uma redução na verba projetada não representa, por si só, anúncio de corte no valor individual ou exclusão determinada de beneficiários.
Até o momento, o principal dado concreto é que o PLOA mantém os atuais parâmetros financeiros do programa.
Quantas famílias recebem o Bolsa Família?
Em agosto de 2026, o programa alcançou 19.289.215 famílias, segundo dados oficiais do Cadastro Único.
O governo transferiu aproximadamente R$ 13,06 bilhões no mês, com benefício médio de R$ 676,89 por família.
A Caixa também informou que cerca de 19,3 milhões de famílias participaram da folha de agosto.
O benefício médio fica acima de R$ 600 justamente porque muitas famílias acumulam os adicionais destinados a crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes.
Quem tem direito ao Bolsa Família?
A principal regra de entrada no programa continua sendo a renda familiar.
Pela legislação, são elegíveis as famílias inscritas no Cadastro Único com renda mensal de até R$ 218 por pessoa.
Para calcular, basta somar a renda mensal dos integrantes e dividir pelo número de pessoas da família.
Imagine uma residência com quatro pessoas e renda total de R$ 800.
Nesse caso:
R$ 800 ÷ 4 = R$ 200 por pessoa.
A renda ficaria abaixo do limite de R$ 218.
Isso, entretanto, não significa inclusão imediata.
O governo realiza a seleção com base nas informações existentes no Cadastro Único e nos critérios administrativos do programa.
CadÚnico precisa continuar atualizado
Quem já recebe o Bolsa Família deve manter o Cadastro Único correto.
Mudanças importantes precisam ser informadas, como:
- alteração de endereço;
- nascimento ou falecimento de integrante;
- mudança na renda;
- entrada ou saída de pessoa da família;
- troca de escola;
- alteração de telefone.
O CadÚnico é utilizado pelo governo para calcular a composição familiar e verificar se o núcleo continua atendendo às regras.
Dados incorretos ou desatualizados podem levar a procedimentos de revisão cadastral.
Regras de saúde e educação continuam valendo
O recebimento do Bolsa Família também está associado ao acompanhamento de determinadas condições nas áreas de saúde e educação.
Entre elas estão frequência escolar, vacinação e acompanhamento de saúde de crianças e gestantes.
Essas condicionalidades procuram ampliar o acesso das famílias aos serviços públicos.
O descumprimento precisa ser analisado dentro do procedimento previsto pelo programa e não significa necessariamente cancelamento automático do benefício após uma única ocorrência.
Por que o governo não colocou aumento no Orçamento?
O PLOA 2027 foi elaborado em um cenário no qual o governo tenta compatibilizar a manutenção das políticas sociais com as metas fiscais e o limite das despesas públicas.
A proposta estabelece um teto de aproximadamente R$ 2,576 trilhões para despesas primárias em 2027, alta de 7,7% sobre o limite de 2026.
Dentro desse espaço precisam caber despesas como Previdência, BPC, Saúde, Educação, salários de servidores, investimentos e programas de transferência de renda.
O Bolsa Família sozinho representa R$ 157,1 bilhões na proposta.
Qualquer aumento permanente no valor individual do benefício exigiria, portanto, mais recursos para manter o pagamento a milhões de famílias.
Congresso pode aumentar o Bolsa Família para 2027?
O projeto ainda não é a Lei Orçamentária definitiva.
Deputados e senadores analisarão a proposta e poderão apresentar modificações durante a tramitação, respeitando as regras constitucionais, fiscais e orçamentárias.
Isso permite que o debate sobre uma eventual ampliação dos recursos para o Bolsa Família continue.
Entretanto, não é correto afirmar neste momento que o Congresso certamente concederá um reajuste.
Para haver aumento efetivo, seria necessário definir novos valores e garantir recursos suficientes para custear a despesa.
Até que isso aconteça, os valores vigentes continuam sendo a referência oficial.
Bolsa Família vai acabar em 2027?

Não há qualquer indicação oficial disso.
Ao contrário: o próprio PLOA reserva R$ 157,1 bilhões para financiar o programa no próximo ano.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social também desmentiu recentemente informações falsas de que o Bolsa Família seria interrompido após as eleições de 2026.
Portanto, a ausência de reajuste não deve ser confundida com encerramento do programa.
A discussão atual é sobre o valor dos pagamentos e o tamanho da dotação orçamentária.
O que pode mudar até a aprovação do Orçamento?
O cenário ainda não está totalmente fechado.
Durante a tramitação podem ocorrer mudanças no valor destinado ao programa.
O Executivo também possui autorização legal para alterar os valores financeiros do Bolsa Família dentro das condições previstas na Lei nº 14.601.
Por enquanto, contudo, quem recebe o benefício deve considerar os valores atuais:
R$ 600 de piso familiar, R$ 150 para cada criança na primeira infância e R$ 50 para os demais integrantes enquadrados nos benefícios adicionais.
Beneficiário precisa fazer alguma coisa agora?
Não.
A apresentação do PLOA não exige cadastro novo, pedido de renovação ou qualquer procedimento especial por parte das famílias.
Os pagamentos de 2026 continuam normalmente.
O beneficiário deve apenas manter o Cadastro Único atualizado, cumprir as regras aplicáveis ao programa e acompanhar os canais oficiais.
Também é importante desconfiar de mensagens que prometam suposto aumento de 2027 mediante inscrição, pagamento de taxa ou fornecimento de dados bancários.
Até o momento, não há reajuste oficialmente previsto para o Bolsa Família em 2027.
O governo reservou R$ 157,1 bilhões para manter o programa, mas a proposta ainda passará pelo Congresso. Assim, uma mudança permanece possível durante a tramitação ou por decisão posterior do Executivo, embora nenhum novo valor tenha sido anunciado.
